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Home  »  Revistas  »  Edição 2167 / 2 de junho de 2010


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Imagem da Semana

O mesmo modelão

O pão que Lori amassou: depois de quinze anos, americana é libertada no Peru


Vilma Gryzinski

Fotos Karel Navarro/AP e Reuters

• Ela era uma menina idealista que só queria um mundo melhor, foi morar no Peru para defender os pobres e acabou injustamente condenada num país atrasado e repressivo. Essa foi a versão que prevaleceu por um bom tempo nos Estados Unidos para o caso de Lori Berenson. No Peru, o mundo era outro. Presa e condenada por terrorismo, a jovem despertou antipatia próxima do ódio pois acrescida do sentimento de ofensa à honra nacional pelas pressões em seu favor. Na primeira audiência, quinze anos atrás, arrogante e descabelada, gritava com aquele ar que o fanatismo de qualquer natureza imprime (foto menor). Ela havia sido presa em companhia da mulher de um dos dirigentes do Movimento Revolucionário Tupac Amaru, um dos dois grupos de extrema esquerda que assolaram o Peru nos anos 90 – o outro era o Sendero Luminoso. Ambas levantavam informações para sequestrar parlamentares. Eram tempos sombrios, e ela pegou prisão perpétua. Na cadeia, tornou-se padeira, namorou outro emerretista, casou-se e no ano passado teve um filhinho. Tinha até blog para malhar o imperialismo. Na quinta-feira, de trança e brincão, saiu em liberdade condicional e foi para um apartamento em Lima, provocando raiva entre vizinhos. "E se Bin Laden fosse morar em Nova York?", perguntou um. Só para lembrar: na conta dos grupos armados ensandecidos e dos abusos da repressão, ficaram estarrecedores 70 000 mortos.
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