Imagem da Semana
O mesmo modelão
O pão
que Lori amassou: depois de quinze anos, americana é
libertada no Peru

Vilma Gryzinski
Fotos Karel Navarro/AP e Reuters
 |
Ela era uma menina idealista que
só queria um mundo melhor, foi morar no Peru para defender os pobres e
acabou injustamente condenada num país atrasado e repressivo. Essa foi
a versão que prevaleceu por um bom tempo nos Estados Unidos para o caso
de Lori Berenson. No Peru, o mundo era outro. Presa e condenada por terrorismo,
a jovem despertou antipatia próxima do ódio pois acrescida do sentimento
de ofensa à honra nacional pelas pressões em seu favor. Na primeira
audiência, quinze anos atrás, arrogante e descabelada, gritava
com aquele ar que o fanatismo de qualquer natureza imprime (foto menor).
Ela havia sido presa em companhia da mulher de um dos dirigentes do Movimento
Revolucionário Tupac Amaru, um dos dois grupos de extrema esquerda
que assolaram o Peru nos anos 90 o outro era o Sendero Luminoso. Ambas
levantavam informações para sequestrar parlamentares. Eram tempos
sombrios, e ela pegou prisão perpétua. Na cadeia, tornou-se padeira,
namorou outro emerretista, casou-se e no ano passado teve um filhinho. Tinha
até blog para malhar o imperialismo. Na quinta-feira, de trança
e brincão, saiu em liberdade condicional e foi para um apartamento
em Lima, provocando raiva entre vizinhos. "E se Bin Laden fosse
morar em Nova York?", perguntou um. Só para lembrar: na conta dos
grupos armados ensandecidos e dos abusos da repressão, ficaram estarrecedores
70 000 mortos.
|