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Home  »  Revistas  »  Edição 2167 / 2 de junho de 2010


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Brasil

Assassinato ao vivo

Na Grande Salvador, um delegado foi morto a tiros enquanto
dava entrevista a uma rádio. O caso ilustra o descontrole
da criminalidade na Bahia


André Vargas

Fotos Arestides Baptista/Ag. A Tarde/Ag. O Globo e Elói Corrêa/Ag. A Tarde/Ag. O Globo
No ar
O corpo do delegado Clayton Chaves (à dir.): ele estava ao lado de sua mulher e fez o que um policial é treinado para fazer – tentou reagir


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A escalada da criminalidade na Bahia espanta pela eclosão do número de homicídios, que subiu 49% só neste ano na Grande Salvador, e também pelo absurdo desses casos. Na manhã da última quarta-feira, o delegado Clayton Leão Chaves, de 36 anos, foi vítima de um deles. Ele dirigia seu carro em direção a uma estação de rádio de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, onde daria uma entrevista sobre o tráfico de drogas na Bahia. Como estava atrasado, resolveu parar no acostamento e entrar ao vivo pelo celular. Dentro de um táxi roubado, três bandidos emparelharam com o seu carro. Um deles apontou uma arma para o delegado, que tentou sacar sua pistola. Ao perceber a reação, o ladrão atirou duas vezes na cabeça de Chaves, que só teve tempo de dizer: "Peraí, peraí". O ruído dos tiros foi transmitido pelo rádio, assim como os gritos da mulher do policial, que estava no banco do carona. Atordoados, os locutores da Líder FM pediram socorro no ar.

A polícia baiana atribuiu o crime à vingança de traficantes. Depois, descobriu que se tratava de um simples assalto, o quarto que o trio cometeria naquela manhã. "O delegado, ao sair do carro, tentou pegar a própria pistola", disse o secretário de Segurança da Bahia, César Nunes, num leve tom de reprovação à atitude da vítima. Aparentemente, ele esqueceu que policiais são treinados para reagir a criminosos. O autor dos disparos é Reinaldo Lima, que cumpriu pena por homicídio em 2002. Em uma surpreendente demonstração de eficiência, a polícia estadual prendeu Lima e seus dois comparsas em trinta horas.

Histórias criminais que chocam pelo absurdo não são uma exclusividade baiana, é claro. Duas semanas antes do assassinato de Chaves, a comerciante Nadir Parasso, 52 anos, foi a uma delegacia da cidade paulista de Salto para denunciar a clonagem de seu celular. Foi atacada dentro do distrito por dois homens, que lhe roubaram a bolsa. Dois agentes assistiram à cena sem mover um músculo. "Eu me senti a idiota", disse Nadir. Dias mais tarde, a mesma delegacia foi arrombada – e ninguém foi preso. Em São Paulo, a displicência dos policiais está sendo punida. Dois delegados, um escrivão e uma carcereira foram afastados e um inquérito apura o caso.

Arestides Baptista/Ag. A Tarde/Ag. O Globo
Velocidade espantosa
Em apenas trinta horas, a polícia prendeu Reinaldo Lima, Edson Cordeiro
e Magno dos Santos, que confessaram o assassinato

 

 
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