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VEJA
Recomenda
CINEMA
Divulgação
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| O
Retorno: as melhores características
do cinema russo |
O Retorno (Vozvrashcheniye, Rússia, 2003.
Desde sexta-feira em cartaz em São Paulo) O pai de
Andrey e Ivan sumiu há tanto tempo que, quando ele reaparece,
os irmãos procuram uma foto antiga para se certificar de
que ele é quem diz ser. Ambos têm também de
abrir um espaço antes inexistente: o pai não se explica
e não pede desculpas, mas toma seu lugar com uma sem-cerimônia
que beira a desfaçatez. Quando ele leva os garotos para uma
viagem de pescaria que os conduz a um isolamento cada vez mais radical,
as diferenças se acirram. Andrey, mais velho, quer agradar
ao homem adulto, enquanto Ivan, mais novo, se revolta contra a violência
com que é arrancado da órbita materna e jogado na
de um estranho. Essa estupenda estréia na direção
de Andrei Zvyagintsev é fiel à tradição
do cinema russo na sua combinação de exuberância,
introspecção e simbolismo: seus desdobramentos são
tão inesperados que, no final, o pai que agia como se nunca
tivesse ido embora se converte num personagem que talvez nunca tenha
estado realmente lá, a não ser como a figura que leva
forçosamente os meninos a ingressar numa outra etapa da vida.
O Retorno, além disso, é uma oportunidade de
apreciar o talento descomunal de Ivan Dobronravov, que faz o caçula.
Trailer.
LIVROS
47
Contos, de Isaac Bashevis Singer (tradução
de José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 719 páginas;
39,50 reais) Prêmio Nobel de 1978, Singer (1904-1991)
criou-se no mundo das pequenas comunidades judaicas o shtetl,
como se diz em iídiche da Polônia, mas acabou
se radicando em Nova York em 1935. Na maior parte escrita em iídiche
(um "idioma do exílio", segundo o próprio Singer),
sua obra reflete criativamente o choque entre o mundo moderno e
o misticismo tradicional dos judeus. Com seleção do
próprio autor, esta antologia recolhe as obras-primas desse
mestre do conto, incluindo Breve Sexta-Feira, Um Amigo de Kafka
e O Spinoza da Rua do Mercado.
O
Dia em que Getúlio Matou Allende e Outras Novelas do Poder,
de Flávio Tavares (Record; 336 páginas; 41,90
reais) Apesar da palavra "novela" no título, este
não é um livro de ficção, mas uma coletânea
de memórias jornalísticas. O jornalista gaúcho
Flávio Tavares traça o perfil de várias figuras
históricas do século XX, como Getúlio Vargas,
Juan Perón, Salvador Allende, Che Guevara e Charles de Gaulle.
Tavares lembra os encontros que teve com alguns desses personagens.
Ou conta o que soube deles por outras fontes como um soldado
que participou da "caçada" a Che Guevara na Bolívia.
O autor narra suas histórias com certa liberdade ficcional.
Chega até a revelar os pensamentos que Getúlio Vargas
teria tido antes de cometer o suicídio. Leia
trecho.
Uma
História Sentimental das Ciências, de Nicolas
Witkowski (tradução de André Telles; Jorge
Zahar; 213 páginas; 34 reais) O autor é um
físico francês que tem se empenhado em dar um rosto
menos sisudo à divulgação científica.
Neste divertido livro, ele aborda a obra de alguns cientistas famosos
(e outros nem tanto) pelos aspectos menos conhecidos de suas obras
ou por suas manias e esquisitices. Fala, por exemplo, dos
estudos sobre flocos de neve do astrônomo alemão Johannes
Kepler e da paixão pela caça que o naturalista inglês
Charles Darwin nutriu quando jovem. O livro também traz capítulos
sobre não-cientistas que desdobraram conceitos científicos
em suas obras como o escritor americano Edgar Allan Poe.
DISCOS
Danny Miller
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| Eliane
Elias: piano melhor que o de Diana Krall |
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Dreamer,
Eliane Elias (BMG) A pianista brasileira radicada nos Estados
Unidos é mais uma a sucumbir ao "efeito Diana Krall". Depois
que a canadense vendeu milhões de cópias de discos
de repertório variado, nos quais ela canta e toca piano,
é cada vez mais comum ver músicos de jazz buscando
assumir os vocais. Eliane Elias tem talento para isso. Sua voz é
pequena, mas muito agradável. E ela é uma pianista
mais hábil do que Diana Krall. Basta conferir os solos que
inclui em todas as faixas do disco sendo o de That's All
o mais bonito de todos. Dreamer traz duas canções
de Tom Jobim (que já fora homenageado pela artista em discos
anteriores), hits pop dos anos 60 e faixas de autoria da própria
Eliane.
Mobilize, Grant Lee Phillips (Sum) Desconhecido de
boa parte do público brasileiro, o cantor e compositor Grant
Lee Phillips é uma espécie de sucessor de Bob Dylan
no rock alternativo americano. Como Dylan, ele tem uma voz peculiar,
é um especialista em criar belas letras a partir de fatos
do cotidiano e conhece profundamente as tradições
da música popular dos Estados Unidos. Nos anos 90, Phillips
liderou um trio muito elogiado pela crítica mas de pouca
vendagem, o Grant Lee Buffalo. O fraco desempenho no mercado levou
a gravadora a dispensar o grupo e desde então Phillips tem
seguido em carreira-solo. Mobilize traz canções
com forte influência folk, reforçadas por arranjos
de cordas e bateria eletrônica. O destaque é a faixa
Spring Released.
Escute
o disco na íntegra.
Midnight,
Moonlight & Magic: The Best of Henry Mancini (BMG)
Deve ser muito difícil encontrar na Terra alguém que
não tenha ouvido ao menos um acorde das músicas de
Henry Mancini (1924-1994). O compositor americano escreveu canções
para diversos clássicos do cinema. São de sua autoria,
por exemplo, os temas de Bonequinha de Luxo, Peter Gunn
e Pantera Cor-de-Rosa, três produções
do cineasta Blake Edwards. Todas essas músicas fazem parte
desta coletânea, ao lado de outros hits como O Passo do
Elefantinho. Nos últimos tempos, Mancini foi redescoberto
pela tribo da música eletrônica. Ela concluiu que a
sonoridade refinada do maestro é ideal para relaxar após
uma noitada de tecno.
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