Edição 1856 . 2 de junho de 2004

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Olimpíadas
Mudanças no pódio

Escândalos de doping promovem
trocas de medalhas anos depois
das competições



Wander Roberto/COB/divulgação
Os brasileiros no Pan: prata que virou ouro

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Quadro: as substâncias proibidas

É difícil fazer apostas sobre quem ganhará as medalhas mais disputadas nas próximas Olimpíadas. Mas é certo que alguns dos vencedores não ficarão muito tempo com elas. Escândalos de doping vêm alterando cada vez mais o resultado de competições esportivas realizadas muitos meses ou até anos antes. O caso mais recente envolve a maior estrela do atletismo americano, Marion Jones, cinco vezes medalhista nos Jogos de Sydney, em 2000. Sob suspeita de relações com um laboratório que fornecia substâncias proibidas, ela se diz inocente, mas na semana passada seus advogados admitiram a existência de evidências que podem comprometer sua carreira.

Esse novo escândalo começou por outra supercampeã americana, Kelli White, ouro nos 100 e nos 200 metros rasos no Mundial de Atletismo do ano passado, em Paris. No último dia 19, a agência antidoping dos Estados Unidos decidiu cancelar todos os resultados de Kelli White desde 15 de dezembro de 2000. Isso significa que outras atletas receberão as medalhas tiradas de Kelli, em alguns casos, três anos depois do encerramento das provas. Uma comissão do Senado americano descobriu documentos que relacionavam a atleta com doping, e ela confessou culpa. Há a possibilidade de que casos assim também ocorram em Atenas, em agosto, o que deixará em dúvida qualquer resultado dos Jogos.

Revisões em resultados esportivos têm beneficiado indiretamente atletas brasileiros. Dois casos de doping – de um atleta americano e de outro inglês – permitiram a competidores nacionais subir um degrau no pódio do revezamento 4 x 100 metros nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo e no Mundial de Atletismo. Basta um dos quatro membros do revezamento estar dopado para que toda a equipe seja desclassificada. No Pan, o quarteto brasileiro passou de prata para ouro; no Mundial, de bronze para prata. As duas competições foram realizadas no ano passado, mas as trocas só foram anunciadas há algumas semanas. "Já tinha até esquecido essa medalha", diz André Domingos, um dos integrantes do time nacional.

Outras duas medalhas trocaram de pescoço em favor de brasileiros desde o Pan de setembro passado, uma no atletismo e outra no remo. Essas mudanças tardias no quadro de medalhas se devem em parte à lentidão dos tribunais esportivos, que, como na Justiça comum, permitem recursos aos condenados. "Um ou dois anos é um tempo muito grande", reconhece Eduardo De Rose, brasileiro da comissão médica do Comitê Olímpico Internacional. O Tribunal de Arbitragem do Esporte levou dois anos para desclassificar dois esquiadores, um espanhol e um russo, que haviam conquistado medalhas de ouro nas Olimpíadas de Inverno de 2002. Nem sempre essas correções parecem suficientes: a russa Anastásia Kapachinskaia, que herdou de Kelli White um ouro do Mundial de Atletismo, foi pega recentemente em um teste antidoping.

 
 
 
 
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