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Corrupção
Na
mira de todos
ONG
petista enfrenta batelada
de investigações
e pode até fechar
Ana Araujo
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| O
empresário Mauro Dutra: devolução dos 900
000 reais |
A divulgação
dos trambiques da Ágora, entidade comandada por Mauro Dutra,
amigo e arrecadador de campanhas do presidente Lula, produziu as
reações de praxe em Brasília. A oposição
quer uma CPI, o presidente Lula, de Xangai, na China, mandou dizer
que é preciso punir os culpados caso as suspeitas se comprovem,
e o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, abriu sindicância
para investigar os projetos da Ágora que receberam dinheiro
federal. Num tom acima, o Ministério Público, que
flagrou as 54 notas frias de 33 empresas-fantasma usadas para amparar
quase 900.000 reais gastos entre 1999
e 2001, entrou com uma ação pedindo a devolução
do dinheiro e o fechamento da ONG. Examinando-se as atividades da
entidade, o que chama atenção agora é o destino
dado pela Ágora aos 7,5 milhões de reais que recebeu
do Primeiro Emprego, um dos programas sociais do governo petista.
Luiz Antonio Ribeiro
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| Berzoini,
ministro do Trabalho: investigando |
O Primeiro
Emprego, destinado a ajudar jovens carentes a entrar no mercado
de trabalho, distribuiu 18,7 milhões de reais a seis entidades
em seis regiões metropolitanas. A Ágora, responsável
pelo Distrito Federal, abocanhou a parte do leão, 40% da
verba, e em tempo recorde. Recebeu sua cota apenas dois dias depois
de assinar o convênio com o Ministério do Trabalho,
ainda na gestão de Jaques Wagner. As outras cinco entidades
esperaram, em média, duas semanas. A Ágora foi escolhida,
diz o Ministério do Trabalho, por iniciativa de um conjunto
de ONGs. Analisando-se a ata da assembléia que tomou essa
decisão, porém, constata-se que se tratava de apenas
oito entidades e quase todas dirigidas por filiados ou militantes
do PT, o que, de certo modo, retira um pouco do caráter aclamatório
que o governo procura atribuir à escolha da Ágora.
Na
ação do Ministério Público em que pede
a devolução dos quase 900.000
reais desviados, o único citado é Mauro Dutra, o amigo
do presidente. Não aparece o nome do dentista Swedenberger
Barbosa, que foi sócio e dirigente da Ágora entre
abril de 2001 e janeiro de 2003, período em que foram desviados
pelo menos 113.000 reais. Barbosa foi
excluído da ação porque o estatuto da Ágora
diz que os dirigentes da entidade devem apenas administrá-la,
mas só o presidente tem o dever de representá-la em
ações judiciais. Com base nessa cereja do estatuto,
Barbosa escapou da ação, embora tenha aprovado as
contas irregulares. Há quem não concorde. "Quem assina
como corretas contas que não são corretas tem responsabilidade,
sim. Do contrário, o que ele fazia lá? Era um enfeite?",
diz Odete Medauar, professora de direito administrativo da Universidade
de São Paulo.
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