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Edição 2006

2 de maio de 2007
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Medicina
A química da cintura de pilão

Liberada a venda no Brasil do remédio
rimonabanto, o comprimido antibarriga


Paula Neiva


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Em Profundidade: Dietas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu o aval para a comercialização no Brasil do rimonabanto, ou Acomplia. A sua aprovação ocorre em meio a uma enorme expectativa. Produzido pelo laboratório francês Sanofi-Aventis e lançado na Europa em julho de 2006, o rimonabanto é tido como um poderoso aliado contra a obesidade. Ele não conquistou essa fama pela perda de peso que proporciona. A quantidade de quilos eliminada com o remédio não é maior do que a obtida por meio de outros medicamentos para emagrecer. O entusiasmo em torno do rimonabanto deve-se à sua ação sobre a gordura abdominal – a mais nociva à saúde, associada a um aumento nos índices de infartos, derrames e alguns tipos de câncer. Pacientes em tratamento com o remédio registraram, em um ano, uma redução na medida da cintura de, em média, 8,5 centímetros – o dobro do verificado entre os voluntários tratados com placebo. O rimonabanto deve chegar às farmácias brasileiras entre julho e agosto deste ano. O preço, segundo o laboratório, ainda não foi definido. Mas, a levar em conta o valor cobrado no mercado europeu, o rimonabanto não deve sair barato. Lá, uma caixa com 28 comprimidos custa 190 euros, o que equivale a cerca de 520 reais.

O rimonabanto melhora vários indicadores de risco cardiovascular. Baixa os triglicérides, aumenta as taxas de HDL, o colesterol bom, e melhora o controle do diabetes. À primeira vista, tais efeitos parecem uma conseqüência óbvia da perda de gordura abdominal. No entanto, de acordo com estudos realizados com quase 7.000 pacientes, esses resultados não se devem apenas à redução de medidas. O remédio também exerce uma ação direta sobre esses parâmetros. No que se refere aos efeitos colaterais, o principal deles é enjôo. As pesquisas registraram ainda casos de diarréia, tontura e vômito, entre outras reações adversas. Algumas pessoas com propensão à depressão relataram um agravamento do quadro.

O rimonabanto é o primeiro representante de uma nova classe de medicamentos antiobesidade. Sua atuação consiste em inibir o sistema endocanabinóide, que se espalha por vários órgãos e tecidos do corpo e rege o metabolismo. Isso explica seu papel no controle da produção de colesterol, na queima calórica e no apetite. O sistema endocanabinóide foi descoberto em meados da década de 60, por cientistas que buscavam explicações para a fome compulsiva deflagrada pelo consumo de maconha. Eles concluíram que esse sistema funciona por demanda. Quanto mais ativado estiver, mais o organismo armazenará energia sob a forma de gordura, especialmente a abdominal. "Estudos recentes mostram que, em obesos e pessoas com sobrepeso, o sistema endocanabinóide é hiperativo", diz o endocrinologista Geraldo Medeiros, professor da Universidade de São Paulo. Ainda não se sabe se essa ativação exagerada é causa ou conseqüência do acúmulo de tecido adiposo.

A descoberta do sistema endocanabinóide e a formulação de um medicamento que atua sobre ele são um passo importante, mas não resolvem sozinhos o problema do excesso de peso. A obesidade envolve diversos fatores, que variam de uma pessoa para outra. "Por isso, a tendência é que o tratamento medicamentoso da obesidade seja feito com associações de remédios", diz o endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo. Ah, sim, a combinação com dieta e exercício continua indispensável, não importa o remédio que se tome. Impossível escapar do sacrifício.

 

A VALSA ALEGRE DO VALSARTAN

Pela primeira vez, um medicamento contra a pressão alta chega ao topo do ranking de remédios que mais faturam no Brasil. O valsartan, produzido pelo laboratório Novartis e vendido sob o nome comercial de Diovan, foi lançado em 1997. Conforme o último levantamento sobre o mercado farmacêutico brasileiro divulgado pela consultoria internacional IMS Health, esse anti-hipertensivo ultrapassou, em faturamento, o Viagra e o Cialis, contra impotência, o relaxante muscular Dorflex e o analgésico e antitérmico Tylenol. No último ano, o valsartan faturou 200 milhões de reais. De acordo com os especialistas, a mudança no perfil dessa lista deve-se a uma combinação de fatores. Além de apresentar poucos efeitos colaterais, o que colabora para que os pacientes optem pelo valsartan, a principal razão para o aumento no faturamento do remédio foi o lançamento, em 2004, de duas versões do produto que associam, em um único comprimido, o valsartan e outro anti-hipertensivo e o valsartan e uma estatina. "As terapias 'dois em um' barateiam o custo do tratamento e aumentam a adesão dos pacientes", diz o nefrologista Décio Mion, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Com quase 30 milhões de vítimas no Brasil, a hipertensão está entre os principais fatores de risco para problemas cardiovasculares.

 

Foto Photodisc

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