Barra do Chapéu,
município campeão no novo ranking do MEC, dá uma aula
de bom ensino
Camila
Antunes
Jonne
Roriz/AE
Alunos
de Barra do Chapéu: dificuldades identificadas na primeira semana de aula
O
novo ranking que o Ministério da Educação (MEC) divulgou,
na semana passada, revela que as melhores escolas públicas de ensino fundamental
do país não ficam nas cidades mais ricas nem nas mais conhecidas,
mas, sim, num município rural encravado no interior de São Paulo.
Foi em Barra do Chapéu, onde apenas 25% das casas têm banheiro próprio
e as ruas carecem de asfalto, que as crianças apresentaram desempenho nas
disciplinas escolares comparável ao dos estudantes de países mais
ricos. O fato é surpreendente e bem-vindo em meio a um péssimo
resultado geral. (Outra reportagem desta edição,
destaca o sucesso de escolas pobres do Distrito Federal.)
De acordo com o MEC, enquanto a média alcançada pelos municípios
foi de 3,8 numa escala de zero a 10 , o campeão Barra do Chapéu
tirou nota 6,8. A avaliação tomou como base o índice de desenvolvimento
da educação básica (Ideb), novo indicador que reúne
dados objetivos de rendimento escolar. Uma das evidentes explicações
para o sucesso de Barra do Chapéu é que o município cultiva,
há cinco anos, um hábito que, só agora, o MEC promete difundir
pelo país: nas escolas de lá, planeja-se tudo. Antes de prepararem
o currículo para o novo ano letivo, por exemplo, as escolas submetem os
estudantes a uma prova. Com base no resultado, fazem-se planos mais realistas.
Resume a professora Neuza Ribas, secretária de Educação:
"Professor sem meta de ensino é como cego em tiroteio".
Outro fato que chama atenção sobre Barra do Chapéu é
o pragmatismo diante das velhas mazelas da escola pública. Um exemplo:
com as taxas de repetência beirando os 30%, índice de países
africanos, decidiu-se esticar em uma hora o tempo dos alunos na escola. Eles ganharam
aulas de reforço e a repetência caiu para aceitáveis
5%. Numa rede de apenas 1.500 alunos, como a de Barra do Chapéu, tomar
esse tipo de decisão é bem mais fácil. Prestar atenção
na eficácia da medida, no entanto, pode ser esclarecedor aos municípios
reprovados. O modelo implantado no interior de São Paulo enfatiza ainda
a eficiência de parcerias com o setor privado e até com outras esferas
públicas. Um convênio com a Universidade Estadual Paulista trouxe
a Barra do Chapéu o primeiro curso de pedagogia. Ajudou a elevar o nível
dos professores. Da Fundação Armando Álvares Penteado, faculdade
particular de São Paulo, o município recebeu novas carteiras e computadores.
Em troca, oferece estágios aos estudantes de lá. A fórmula
funcionou em outros municípios aprovados pelo MEC a maioria deles
de São Paulo.
No novo
ranking oficial, nove dos dez municípios campeões de ensino são
paulistas. O fato surpreendeu por um motivo: na Prova Brasil outro medidor
do MEC para aferir a qualidade do ensino nas escolas não constava
uma única paulistana na lista das melhores. Na semana passada, quando o
governo divulgava o novo levantamento, aproveitou para avisar que havia feito
uma revisão nos números da Prova Brasil. A razão oficial:
erros causados por uma "falha técnica" nos computadores. Refeitas as contas,
a cidade de São Paulo saltou da vigésima para a 12ª colocação
entre as capitais. A divulgação do mau resultado de São Paulo
na Prova Brasil, então governado pelos tucanos, foi um trunfo de Lula em
plena campanha eleitoral. O novo ranking do MEC parece refletir melhor a realidade.
Prova disso é o bom exemplo vindo de Barra do Chapéu.
O país das notas vermelhas
O que o novo índice da
educação básica, do MEC, revelou sobre a educação
pública nos municípios brasileiros
A média nacional foi de 3,8
numa escala de zero a 10
Dos dez municípios campeões
em ensino, nove ficam no estado de São
Paulo
Apenas
dez das 5
500 cidades brasileiras tiraram nota 6
ou mais o patamar dos países desenvolvidos