Vender
muito para vender por menos. Com esse slogan, o americano Michael Cullen inaugurou
em 1930 o King Kullen, o precursor dos supermercados atuais. Até então,
o comércio era dominado por lojas especializadas em poucos produtos, em
que cada freguês era atendido individualmente por um balconista. Cullen
vislumbrou que poderia lucrar muito mais se vendesse grandes quantidades de mercadorias,
ainda que com uma margem de lucro menor. Esse mesmo princípio está
na raiz do sucesso do Wal-Mart. O grupo americano levou ao extremo a obsessão
pelos ganhos de produtividade foi um dos primeiros varejistas a informatizar
o controle de estoques e também a usar códigos de barra. Não
menos vital, a rede aperta os seus fornecedores ao limite, para assim obter preços
melhores. O resultado foram produtos cada vez mais baratos, o que obrigou a concorrência
a seguir o mesmo modelo.
Aonde
quer que o Wal-Mart chegue, a concorrência sente o impacto. No Brasil não
tem sido diferente. A rede iniciou suas atividades no país em 1994 e ganhou
musculatura aos poucos, abrindo lojas próprias ou adquirindo rivais. No
fim de 2006, a rede americana já aparecia em segundo lugar no ranking dos
maiores grupos varejistas do país, atrás apenas do Pão de
Açúcar. Na semana passada, o Carrefour, que caíra para terceiro,
decidiu contra-atacar. Os franceses acertaram a compra da rede Atacadão,
por 2,2 bilhões de reais, e deverão recuperar a liderança,
que havia sido perdida em 2000 para o Pão de Açúcar. "Vemos
um enorme potencial de crescimento no consumo da população de baixa
renda", afirma Stephane Kaloudoff, diretor financeiro do Carrefour. Segundo analistas,
Pão de Açúcar e Wal-Mart deverão revidar em breve,
o que significa que novas redes menores poderão ser adquiridas.
Nessa concorrência, ganha o consumidor. Ao operarem com volumes consideráveis
e margens estreitas, as grandes redes exigem preços mais baixos dos fornecedores
e mantêm uma queda-de-braço constante com a indústria. "Houve
recentemente um novo equilíbrio de forças. Antes a indústria
impunha o preço. Mas os grandes varejistas concentram hoje tanto volume
que os fabricantes dependem deles", diz Fernando Fernandes, analista da consultoria
Booz Allen Hamilton. Os efeitos do Wal-Mart no controle da inflação
chegaram a ser celebrados por Alan Greenspan, o ex-presidente do Federal Reserve
(o banco central americano). Nos Estados Unidos, a rede vende alimentos com preços
até 25% mais baixos que os da concorrência. No Brasil, esse efeito
se repete. Um levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas
(Fipe) mostra que os produtos sobem bem menos nos hipermercados (veja o quadro).
Afirma o economista Márcio Nakane, da Fipe: "Com certeza, as grandes redes
de supermercados ajudaram a puxar a inflação para baixo no Brasil".