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CINEMA
Sob
Suspeita (Under Suspicion, Estados Unidos/França,
2000. Desde sexta-feira em São Paulo e no Rio) Não
é sempre que se tem a chance de ver dois atores do calibre de Morgan
Freeman e Gene Hackman duelar na tela. É esse o trunfo de Sob
Suspeita. Hackman interpreta Henry Hearst, figurão social de
San Juan, Porto Rico. O chefe de polícia da cidade (Freeman) não
dá a mínima para tanto prestígio. Ele acha que Hearst
pode ter estuprado e matado duas meninas, e está disposto a arrancar
dele uma confissão. À medida que o interrogatório
prossegue, novas versões dos crimes vêm à tona
assim como os ressentimentos entre os dois protagonistas e os tristes
detalhes da vida íntima do acusado, que há tempo não
divide mais o mesmo quarto com sua bela e jovem esposa (Monica Bellucci,
de Malena). O diretor Stephen Hopkins, vindo dos filmes de ação,
exagera nas pirotecnias visuais para disfarçar o tom teatral do
enredo, mas os atores compensam essa e outras falhas.
LIVRO
Neurótica,
organização de Melvin Jules Bukiet (tradução
de Laura Rumchinsky; Imago; 376 páginas; 44 reais) Para
ter um conto incluído nesse livro, o autor tinha de ser americano,
judeu e falar de sexo. Mas, no caso, esse critério está
longe de ser limitador. Pelo contrário. Alguns dos melhores escritores
contemporâneos são americanos, judeus e têm no sexo
um de seus temas prediletos. É o caso de Philip Roth, Saul Bellow
e Harold Brodkey, os três com excelentes contos incluídos
na coletânea. E também do polêmico Jerzy Kosinski,
do prêmio Nobel Isaac Bashevis Singer e do cineasta Woddy Allen,
cujo hilariante A Prostituta com Cabeça abre o livro. No
conjunto (são ao todo 27 histórias), o humor é o
tom dominante. A culpa, que teria lugar central num livro de temática
cristã, inexiste. Em quase todos os contos, o sexo não briga
com a religião.
EXPOSIÇÃO
Lamberto Scipioni
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| Arte
Egípcia: peças do Louvre |
A Arte Egípcia no Tempo dos Faraós (São Paulo,
a partir de quarta) À primeira vista, uma exposição
de arte egípcia com apenas 56 peças da vasta coleção
do Museu do Louvre, de 55.000 relíquias, pode parecer diminuta.
Com criatividade e critério, porém, essa mostra oferece
um painel fascinante da arte no país dos faraós. A começar
pela cenografia, que transformou uma ala do Museu da Faap em réplica
fidedigna de uma tumba. Boa parte das peças, que vão de
utensílios a sarcófagos, é do período entre
1550 e 1069 a.C., quando viveram faraós como Ramsés II.
DISCOS
Ken
Burns Jazz, vários intérpretes (Sony) O diretor
americano Ken Burns resolveu contar a história do jazz em um especial
de TV com dezenove horas de duração. O projeto inclui, ainda,
22 CDs dos ícones do gênero. O programa deve estrear na TV
paga no final de maio, mas já é possível se deliciar
com a primeira fornada de discos. São dez títulos dedicados
às obras de Louis Armstrong e Charles Mingus, entre outros. O de
Herbie Hancock é o melhor do pacote. Ele pode não ser um
virtuose em seu instrumento o piano , mas é extremamente
criativo. Seu disco traz biscoitos finos, como a irresistível Cantaloupe
Island e a funkeada Chameleon.
Samba
Guardado, Guilherme de Brito (Lua Discos) Parceiro fiel
do sambista Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito é autor de gemas
da música brasileira, como A Flor e o Espinho (do belo verso
"Tire seu sorriso do caminho / Que eu quero passar com a minha dor...")
e Folhas Secas. Mas só agora recebe o tratamento que merece.
Samba Guardado é uma reunião de choros, serestas
e sambas de primeira linha, a maioria inédita há mais de
cinqüenta anos. Na maliciosa A Vegetariana, Brito brinca com
o duplo sentido sem a apelação que tomou conta dos sambistas
da nova safra. Há ainda sete parcerias com Nelson Cavaquinho. O
vozeirão de Guilherme também impressiona. Fã confesso
de Orlando Silva, ele chega a ofuscar os canarinhos convidados Luiz Melodia
(que canta em Maria) e Cássia Eller (participante de Erva
Daninha). Não é pouco para quem está se relançando
no mercado aos 79 anos.
Divulgação
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| Brito:
preciosidades do samba |
OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA
Num
texto dos anos 70, a escritora Clarice Lispector escreveu: "O cavalo
me indica o que sou". Para entender o que é o livro Um
Dia "Daqueles" (tradução de Pedro Bandeira;
Sextante; 103 páginas; 19,90 reais), primeiro na lista de
VEJA na categoria auto-ajuda, bastaria alterar ligeiramente a frase
e dizer: "O cavalo me indica como estou". O livro traz fotografias
em preto-e-branco de bichos com expressões engraçadinhas,
para tentar convencer o leitor de que ficar triste ou chateado não
está com nada. O truque é explorar a empatia despertada
pela meiguice animal e associá-la aos humores humanos.
O
autor de Um Dia "Daqueles" é o australiano Bradley
Trevor Greive. Para selecionar as imagens, ele pesquisou em arquivos
de diversos países. O texto se resume às legendas
das fotos, que não ocupam mais do que duas linhas por página.
É o livro ideal para quem não gosta de ler
e talvez essa seja uma das razões de seu sucesso no Brasil,
um país bonito e iletrado por natureza, mas que beleza. Em
todo caso, seu conteúdo é mais consistente do que
a maioria dos livros de auto-ajuda. Um Dia "Daqueles" é
um bom presente para dar a namoradas e namorados e poderia ser um
mimo infantil, não fosse um detalhe: a foto de um porco em
conjunção carnal com uma ovelha. O mundo é
mesmo animal.
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| Macaco
entediado, zebras alegres e ursos carinhosos: há também
um porco para lá de animal |
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