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Edição 1 698 - 2 de maio de 2001
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CINEMA

Sob Suspeita (Under Suspicion, Estados Unidos/França, 2000. Desde sexta-feira em São Paulo e no Rio) – Não é sempre que se tem a chance de ver dois atores do calibre de Morgan Freeman e Gene Hackman duelar na tela. É esse o trunfo de Sob Suspeita. Hackman interpreta Henry Hearst, figurão social de San Juan, Porto Rico. O chefe de polícia da cidade (Freeman) não dá a mínima para tanto prestígio. Ele acha que Hearst pode ter estuprado e matado duas meninas, e está disposto a arrancar dele uma confissão. À medida que o interrogatório prossegue, novas versões dos crimes vêm à tona – assim como os ressentimentos entre os dois protagonistas e os tristes detalhes da vida íntima do acusado, que há tempo não divide mais o mesmo quarto com sua bela e jovem esposa (Monica Bellucci, de Malena). O diretor Stephen Hopkins, vindo dos filmes de ação, exagera nas pirotecnias visuais para disfarçar o tom teatral do enredo, mas os atores compensam essa e outras falhas.

 

LIVRO

Neurótica, organização de Melvin Jules Bukiet (tradução de Laura Rumchinsky; Imago; 376 páginas; 44 reais) – Para ter um conto incluído nesse livro, o autor tinha de ser americano, judeu e falar de sexo. Mas, no caso, esse critério está longe de ser limitador. Pelo contrário. Alguns dos melhores escritores contemporâneos são americanos, judeus e têm no sexo um de seus temas prediletos. É o caso de Philip Roth, Saul Bellow e Harold Brodkey, os três com excelentes contos incluídos na coletânea. E também do polêmico Jerzy Kosinski, do prêmio Nobel Isaac Bashevis Singer e do cineasta Woddy Allen, cujo hilariante A Prostituta com Cabeça abre o livro. No conjunto (são ao todo 27 histórias), o humor é o tom dominante. A culpa, que teria lugar central num livro de temática cristã, inexiste. Em quase todos os contos, o sexo não briga com a religião.

 

EXPOSIÇÃO

Lamberto Scipioni
Arte Egípcia: peças do Louvre


A Arte Egípcia no Tempo dos Faraós
(São Paulo, a partir de quarta) – À primeira vista, uma exposição de arte egípcia com apenas 56 peças da vasta coleção do Museu do Louvre, de 55.000 relíquias, pode parecer diminuta. Com criatividade e critério, porém, essa mostra oferece um painel fascinante da arte no país dos faraós. A começar pela cenografia, que transformou uma ala do Museu da Faap em réplica fidedigna de uma tumba. Boa parte das peças, que vão de utensílios a sarcófagos, é do período entre 1550 e 1069 a.C., quando viveram faraós como Ramsés II.

 

DISCOS

Ken Burns Jazz, vários intérpretes (Sony) – O diretor americano Ken Burns resolveu contar a história do jazz em um especial de TV com dezenove horas de duração. O projeto inclui, ainda, 22 CDs dos ícones do gênero. O programa deve estrear na TV paga no final de maio, mas já é possível se deliciar com a primeira fornada de discos. São dez títulos dedicados às obras de Louis Armstrong e Charles Mingus, entre outros. O de Herbie Hancock é o melhor do pacote. Ele pode não ser um virtuose em seu instrumento – o piano –, mas é extremamente criativo. Seu disco traz biscoitos finos, como a irresistível Cantaloupe Island e a funkeada Chameleon.

Samba Guardado, Guilherme de Brito (Lua Discos) – Parceiro fiel do sambista Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito é autor de gemas da música brasileira, como A Flor e o Espinho (do belo verso "Tire seu sorriso do caminho / Que eu quero passar com a minha dor...") e Folhas Secas. Mas só agora recebe o tratamento que merece. Samba Guardado é uma reunião de choros, serestas e sambas de primeira linha, a maioria inédita há mais de cinqüenta anos. Na maliciosa A Vegetariana, Brito brinca com o duplo sentido sem a apelação que tomou conta dos sambistas da nova safra. Há ainda sete parcerias com Nelson Cavaquinho. O vozeirão de Guilherme também impressiona. Fã confesso de Orlando Silva, ele chega a ofuscar os canarinhos convidados Luiz Melodia (que canta em Maria) e Cássia Eller (participante de Erva Daninha). Não é pouco para quem está se relançando no mercado aos 79 anos.

 
Divulgação
Brito: preciosidades do samba

 

OS MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

Num texto dos anos 70, a escritora Clarice Lispector escreveu: "O cavalo me indica o que sou". Para entender o que é o livro Um Dia "Daqueles" (tradução de Pedro Bandeira; Sextante; 103 páginas; 19,90 reais), primeiro na lista de VEJA na categoria auto-ajuda, bastaria alterar ligeiramente a frase e dizer: "O cavalo me indica como estou". O livro traz fotografias em preto-e-branco de bichos com expressões engraçadinhas, para tentar convencer o leitor de que ficar triste ou chateado não está com nada. O truque é explorar a empatia despertada pela meiguice animal e associá-la aos humores humanos.

O autor de Um Dia "Daqueles" é o australiano Bradley Trevor Greive. Para selecionar as imagens, ele pesquisou em arquivos de diversos países. O texto se resume às legendas das fotos, que não ocupam mais do que duas linhas por página. É o livro ideal para quem não gosta de ler – e talvez essa seja uma das razões de seu sucesso no Brasil, um país bonito e iletrado por natureza, mas que beleza. Em todo caso, seu conteúdo é mais consistente do que a maioria dos livros de auto-ajuda. Um Dia "Daqueles" é um bom presente para dar a namoradas e namorados e poderia ser um mimo infantil, não fosse um detalhe: a foto de um porco em conjunção carnal com uma ovelha. O mundo é mesmo animal.

 
Macaco entediado, zebras alegres e ursos carinhosos: há também um porco para lá de animal

 

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Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.

 

   
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