
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
Crie
seu grupo

|
|
O
outro holocausto
Documentário revela como a
Alemanha de Hitler
perseguia
e matava os homossexuais
Marcelo
Marthe
Fotos divulgação
 |
| Parágrafo
175: cerca de 10 000 gays mortos nos campos de concentração |
Em
plena Alemanha nazista, nos anos 40, o judeu Gad Beck cometeu uma ousadia
digna de cinema. Disfarçado de membro da juventude hitlerista,
ele tentou resgatar um rapaz por quem estava apaixonado de dentro de uma
escola ocupada pela temível Gestapo, a polícia secreta alemã.
Mas sua cara-metade não aceitou a ajuda. Preferiu ir para o campo
de concentração a abandonar os pais. "O fato de sermos homossexuais
nos tornava ainda mais odiados", recorda o septuagenário Beck.
Histórias como essa são o forte do documentário Parágrafo
175 (Paragraph 175, Inglaterra/Alemanha/Estados Unidos,
1999), que estréia no canal GNT neste domingo, 29, às 20h30.
Ao abordar a perseguição aos homossexuais no regime nazista
um aspecto pouco estudado do holocausto , o filme remexe
numa ferida. Até hoje, os que foram presos nessa condição
não são reconhecidos oficialmente como vítimas da
II Guerra e não receberam reparações. Para além
dessa denúncia, porém, os diretores Rob Epstein e Jeffrey
Friedman (de documentários premiados, como Celulóide
Secreto, sobre os gays em Hollywood) realizaram um trabalho de valor
histórico inestimável ao registrar os depoimentos de seis
homossexuais que sobreviveram à barbárie. São memórias
tão dolorosas e reprimidas pelo preconceito que um deles, de 93
anos, revela nunca ter tido coragem de comentar com ninguém o que
se passou.
Dos cerca de 50.000 homossexuais aprisionados pelos nazistas, perto de
10.000 morreram nos campos de concentração. Assim como os
judeus, eles foram vítimas de violências terríveis.
Há relatos de sevícias, espancamentos até a morte
e "operações" experimentais, que pretendiam transformar
os pacientes em heterossexuais mediante o implante de bolsas de hormônios.
Para prender e realizar tais atrocidades com os homossexuais, reformulou-se
uma lei de 1871 o parágrafo 175 do Código Penal alemão,
que dá nome ao documentário. Ela considerava crime grave
a prática da sodomia entre dois homens. As lésbicas não
eram tidas como uma "aberração" tão perigosa e, por
isso, poucas acabaram nos campos de concentração. A revelação
mais surpreendente de Parágrafo 175, contudo, é que
essa lei continuou em vigor nas Alemanhas Oriental e Ocidental até
o final dos anos 60. Por causa dela, vários sobreviventes do horror
voltaram a ser presos depois da guerra.
|
Ases
indomáveis
 |
| Pilotos
da FAB: memórias |
Não
é apenas o pano de fundo da II Guerra que aproxima Parágrafo
175 do documentário Senta a Pua! (Brasil,
1999), desde sexta-feira em cartaz nos cinemas de Brasília,
Rio e São Paulo. A fita nacional também traz depoimentos
tão comoventes que, no fim, é difícil não
ficar com um nó na garganta. Ela estreou primeiro na TV,
como uma série em cinco episódios exibida no ano passado
pelo GNT. Em um circuito que inclui até cinemas de shopping,
coisa rara para documentários, Senta a Pua! fala dos
pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) que participaram
da luta contra os nazistas no norte da Itália, entre 1944
e 1945. Em vez de empacar no ufanismo meloso, o filme vai direto
ao ponto. Com base em imagens de época (pesquisadas pelo
diretor brasiliense Erik de Castro em arquivos do Brasil e dos Estados
Unidos) e nas histórias dos veteranos, Senta a Pua!
reconstitui em minúcias as aventuras que eles viveram a bordo
dos aviões P-47. O título do documentário é
um lema que os pilotos criaram. "Sentar a pua" significa lançar-se
sobre o inimigo com decisão e vontade de aniquilar. O avestruz
que enfeita o brasão, por sua vez, é uma homenagem
ao incrível apetite dos aviadores brasileiros, que fizeram
fama por encarar qualquer gororoba.
|
|
|
 |
|
 |

|
 |