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Edição 1 698 - 2 de maio de 2001
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Uma nova onda

Polícia não consegue combater
seqüestros contra a classe média

 
Oscar Cabral
Policiais em morro carioca: dados são os piores possíveis

Há uma nova onda de seqüestros no país. Diferentemente da anterior, não há mais a troca simples de um refém por dinheiro. Nesta modalidade, o refém fica livre e é forçado a praticar um crime enquanto seus parentes são mantidos em cativeiro. A polícia chama o crime de seqüestro-ponte. No Paraná, duas semanas atrás, uma quadrilha formada por 25 bandidos rendeu os familiares de três gerentes de uma empresa de segurança. Os funcionários foram obrigados a sacar 7 milhões de reais da companhia enquanto os reféns eram mantidos sob ameaça. Toda a operação foi acompanhada pelos marginais por meio de microcâmaras escondidas na roupa dos gerentes.


Antonio Milena
O governador Geraldo Alckmin: o número de ocorrências dobrou


A polícia de São Paulo ainda não tem as estatísticas fechadas sobre o seqüestro-ponte. Estima-se que o número dessas ocorrências nos primeiros três meses deste ano seja duas vezes maior que o do mesmo período no ano passado. O governador Geraldo Alckmin deve receber nos próximos dias um balanço sobre a criminalidade no Estado. Com base em avaliações preliminares, acredita-se que já pode ter chegado a quarenta casos. Parece pouco, mas note-se que se trata apenas das ocorrências levadas ao conhecimento oficial. No Rio também não existem números fechados, no entanto as autoridades já perceberam um aumento na incidência desses crimes.

Os policiais identificaram a intensificação de outro tipo de seqüestro chamado relâmpago. O que eles vêm percebendo é que, em vez de acompanhar a vítima a um caixa eletrônico, os criminosos estão entrando em contato com a família para exigir dinheiro. As quantias solicitadas são pequenas, entre 1.000 e 5.000 reais. "É a febre do momento no crime. Hoje até perueiro é vítima de seqüestro", afirma o chefe do Departamento de Investigações sobre Crimes Patrimoniais (Depatri) de São Paulo, Godofredo Bittencourt. Segundo os policiais, pelo fato de os bandidos pedirem valores relativamente baixos, as vítimas preferem pagar o resgate sem contar com a ajuda da polícia. Em São Paulo, entre os quase 1.800 seqüestros relâmpagos ocorridos no ano passado, em pelo menos dez deles os bandidos pediram resgate. Acredita-se que o número seja muito maior, uma vez que esse tipo de caso raramente é notificado. Em comum, os seqüestros-ponte e os seqüestros relâmpagos vitimam principalmente a classe média, e não a camada mais rica da sociedade. Desde 1995, quando se registrou o recorde de 108 seqüestros no Rio de Janeiro, a polícia vinha conseguindo desarticular com sucesso as quadrilhas especializadas em grandes operações. A guerra agora parece ser mais complexa.

   
 
   
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