Imposto-eleição
Projeto
aprovado no Senado cria
o financiamento de campanhas
políticas com dinheiro público
Antonio Milena

PC:
símbolo do caixa dois |
As eleições de 2002 podem apresentar uma novidade no campo
da arrecadação dos recursos que movimentam as campanhas
eleitorais e que tanta dor de cabeça produziram até
hoje. Na semana passada, o Senado aprovou com votos de todos os partidos
a lei que institui o financiamento das campanhas políticas exclusivamente
com dinheiro público. Caso o projeto passe pela Câmara dos
Deputados do jeito que está e receba a sanção presidencial,
os partidos contarão com um fundo de 742 milhões de reais
para gastar nas eleições. Detalhe: se o texto virar lei
ninguém estará autorizado a receber dinheiro de nenhuma
outra fonte, só dessa linha ligada ao Orçamento. O volume
de verbas destinado para cada um será proporcional à representação
das bancadas na Câmara. O PFL, por exemplo, contaria com cerca de
151 milhões de reais. O PT receberia 85 milhões.
Existem
três modelos principais de financiamento de campanha. O que permite
exclusivamente o uso de dinheiro público, como foi aprovado no
Senado, já é adotado pelo México. Há também
o sistema de financiamento com dinheiro privado, como funciona hoje no
Brasil, e o sistema misto. Este último é o mais popular.
É o adotado pela Alemanha e pelos Estados Unidos. Nenhum desses
sistemas impede a coleta criminosa de fundos. Na Europa, o episódio
envolvendo o ex-chanceler Helmut Kohl, acusado de receber recursos indevidamente,
expôs como nunca antes as falhas e os riscos do sistema. Nos Estados
Unidos, o presidente Bill Clinton deixou o governo sob acusações
de que teria favorecido ex-financiadores. Recentemente, o Congresso americano
endureceu as leis que tratam do financiamento.
O levantamento
de dinheiro para campanhas políticas é um dos principais
assuntos em pauta hoje em dia nas democracias. Não existe um modelo
capaz de evitar as maracutaias, mas há um consenso de que a legislação
brasileira nessa área é permissiva demais. Não custa
lembrar que no centro do escândalo envolvendo o empresário
PC Farias estava a coleta ilegal de fundos para a campanha de Fernando
Collor. Todo político sabe que pedir dinheiro é um movimento
perigoso. Quem dá sempre pode sentir-se no direito de pressionar
para exigir algo em troca. Nesse campo, o modelo de financiamento em estudo
no Congresso tem uma grande virtude. Com fundos públicos à
disposição ninguém vai mais precisar passar o chapéu.
Pelo menos, deixa de ter motivos para fazer isso.
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