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Edição 2054

2 de abril de 2008
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CINEMA

À Procura da Vingança (Seraphim Falls, Estados Unidos, 2006. Desde sexta-feira em cartaz) – Em uma montanha gelada, um homem (Pierce Brosnan) é implacavelmente perseguido por um grupo liderado por um sujeito que, não resta dúvida, tem ódio dele (Liam Neeson). Por rios, quedas-d’água, vales e até pelo deserto, a caçada continua, sem descanso, até se tornar um desesperado confronto homem a homem. Com um mínimo de diálogos, pulso firme para o ritmo e olhar clássico para as paisagens, o diretor de televisão David van Ancken faz aqui uma bela estréia em cinema, desvendando sem pressa a razão dessa disputa e deixando que o trabalho dos atores fale por si próprio. É uma demonstração das virtudes da simplicidade – um western como aqueles que, nos bons anos 50, cineastas como Budd Boetticher fariam, e veteranos como Randolph Scott estrelariam. Veja cenas.

Divulgação
Catherine e Pearce, em Atos que Desafiam a Morte: figuras curiosas


Atos que Desafiam a Morte
(Death Defying Acts, Austrália/Inglaterra, 2007. Desde sexta-feira em cartaz) – O mágico Harry Houdini (1874-1926) foi uma figura curiosa: ídolo das multidões pelo carisma e pelos truques audaciosos (como livrar-se de correntes sob a água), ele era, na intimidade, obcecado pela mãe. Quando ela morreu, Houdini primeiro foi buscar consolo no espiritismo – e depois fez campanha para desmascará-lo como fraude. O filme da australiana Gillian Anderson imagina o que aconteceria se, numa visita à Escócia, o mágico (Guy Pearce) tivesse conhecido uma médium falsa, mas linda (Catherine Zeta-Jones), e a filha despachadíssima desta (a excelente Saoirse Ronan, de Desejo e Reparação). A primeira parte, em que as histórias correm paralelas, é a melhor; a segunda, a do romance, é mais fraca – embora não deixe de ser atraente.

 

LIVROS

Crianças de Grozni, de Asne Seierstad (tradução de Kristin Garrubo; Record; 448 páginas; 49 reais) – Província da Rússia, a Chechênia tem antigas reivindicações separatistas, que levaram a duas brutais guerras, em 1994 e 1999. A jornalista norueguesa Asne Seierstad, que cobriu os conflitos, voltou à Chechênia em 2006. Crianças de Grozni é um exame desolador da situação local. Asne conduziu uma tensa entrevista com o presidente checheno Ramzan Kadirov, títere do presidente russo Vladimir Putin e um fanático islâmico que vem reforçando a submissão das mulheres. Mas o traço mais forte do livro – como em O Livreiro de Cabul, best-seller de Asne – está na descrição de dramas cotidianos do cidadão comum, e em particular das crianças que perderam seus pais nas guerras civis. Leia trecho.

Os Filhos do Imperador, de Claire Messud (tradução de Santiago Nazarian; Nova Fronteira; 480 páginas; 44,90 reais) – Mulher do renomado crítico James Wood, a americana Claire Messud traçou, nesse seu quarto romance, um retrato incisivo do mundo letrado de Nova York. Os Filhos do Imperador apresenta as largas ambições e os tremendos fracassos de um grupo de amigos que, na faixa dos 30 anos, buscam seu lugar ao sol nos meios intelectuais. Todos adejam em torno de Murray Thwaite, o "imperador" do título, celebrado mas hipócrita jornalista liberal. O atentado ao World Trade Center, no fim do livro, impõe mudanças de atitude cruciais aos personagens. Claire às vezes exagera nas referências livrescas, mas seus diálogos afiados e sua narrativa irônica compensam. Leia trecho.

 

DISCOS

 

Michael Ochs Archives/Getty Images
Horace Silver: popular junto ao público e reverenciado pelos músicos

Live at Newport ’58, Horace Silver (EMI) – O pianista americano é aquele que os jornalistas definem como "músico para músicos". Ele goza de popularidade junto ao público, respeito da crítica e é reverenciado por instrumentistas das novas gerações – encantados com uma carreira que foi do jazz tradicional ao funk (Silver, aliás, foi um dos primeiros jazzistas a reconhecer o talento do maestro brasileiro Moacir Santos, levando-o para a gravadora Blue Note). Live at Newport traz uma apresentação do pianista no festival homônimo, com um grupo em que se destacam o saxofonista Junior Cook e o baterista Louis Hayes. O quinteto executa quatro composições de Silver, com destaque para clássicos do seu repertório, como Señor Blues e Cool Eyes. Outra faixa deliciosa é The Outlaw, com influências latinas.

 

Divulgação
Sheryl Crow: reveses exorcizados ao som do pop

Detours, Sheryl Crow (Arsenal) – O sexto disco da cantora americana assinala sua volta à sonoridade pop, que marcou seu trabalho no início da década passada. Dois fatores explicam essa retomada. O primeiro foi o retorno de Bill Bottrell, produtor de Tuesday Night Music Club (1993), que vendeu 10 milhões de cópias no mundo inteiro graças a hits como All I Wanna Do. A influência de Bottrell se faz presente no rock Gasoline e em Out of Our Heads, canção que tem discretos efeitos eletrônicos. Depois, Sheryl enfrentou reveses. Teve câncer de mama e se separou do noivo, o ciclista Lance Armstrong – problemas que serviram de inspiração para algumas faixas do disco. Diamond Ring e a balada soul Now that You’re Gone são recados para Armstrong, enquanto Make It Go Away (Radiation Song) fala do período em que Sheryl se tratou.

 

 
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