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Edição 2054

2 de abril de 2008
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Aviso aos coleguinhas do outro lado da loucura:
imitando a profissional que abalou Nova York, eu aviso:
só muito bem pago eu vou a um psicanalista.

LIVRO

 

The R. Crumb Coffee Table

Não é à toa que se chama coffee table book. Com 40 cm de alto e 30 de largo você tem que apoiá-lo em algum lugar sólido.

Mas o livro é um esplendor. Pra quem é do ramo. Em todo o mundo. Ocidental. Eu e Jaguar, entre muitos.

Bom, não estou falando da qualidade artística, falo da comunicação. Esquisita.

Esquisito, o que Crumb nos comunica. O homem é maluco. Eu e Jaguar também, claro. A diferença é que Jaguar, homem polido, bom amigo, elegantíssimo quando vai a reuniões "burguesas", só fala e escreve sobre porres homéricos (Homero não bebia), escreveu um livro: "Confesso que Bebi", recita, sem esquecer um, o nome de trinta e oito bares, botecos e pés-sujos que "freqüenta". Até criou o mito Madame Satã, na verdade um machão da pesada. Tudo isso porque se horroriza à idéia (desmoralizante) de perceberem que não é um marginal.

Já eu, aqui onde me vêem – lêem – respeitador das leis e da família constituída (e mesmo das outras), que não avanço o sinal, não cultuo (canto) a mulher do amigo (pra mim realmente é homem), um pavor é descobrirem meu envolvimento na farsa da pesca do atum no Canadá, onde ganhei o segundo lugar entre os maiores pescadores do mundo, de como, numa reunião com técnicos japoneses em Lauderdale (Flórida), atrasei por dois ou três anos o desenvolvimento dos table-top, e também não falo de como quase matei o grande repórter Joel Silveira obrigando-o a atravessar a fronteira Israel-Jordânia sob a mira do inimigo (não me perguntem qual). Mas tudo isso, e mais, oculto pra continuar com minha imagem de bom moço.

Mas eu estava falando do Coffee Table do Crumb, não é mesmo?

A capa, como sói, é uma figura mais ou menos brutal – na visão de vocês –, um homão dançando. E tem seios. Mas não pensem em homossexualismo. É apenas puro Crumb. Suas preferências iam pra drogas (depois percebeu que não precisava, já nasceu drogado), música velha, a atual considera que é a Dança da morte, desenhos a cores, palavrões – tem muito em sua "obra" –, sexo, e naturalmente... ele mesmo. Crumb atualmente é um senhor discreto (até quando?) que vive comportadamente na França. Mas não abdica da imagem marginal. Morreria de vergonha que eu divulgasse que alguns de seus desenhos são bem acadêmicos.

Crumb, que, como tanta gente admirável, começou na MAD, com Kurtzman, parceria inesquecível (Estranhas Aventuras), faz agora sua última parceria com... Kafka. Mas acho que Kafka deve ter dado algumas voltas na sepultura vendo as mulheres (dele?) retratadas por Crumb.

Aqui, apenas para informação do leitor, uma das beldades clássicas de Crumb. Cada um tem a garota de Ipanema que prefere.



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