Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 796 - 2 de abril de 2003
Artes e Espetáculos Livros
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Especial
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
  Emocore, o hardcore adocicado
O Novato, com Al Pacino e Colin Farrell

Onze Minutos, de Paulo Coelho

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
VEJA on-line
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2003
Reportagens de capa
2000|01|02|03
Entrevistas
2000|01|02|03


Crie seu grupo




 

De mago a sátiro

Em seu novo livro, Paulo Coelho
fala sobre sexo. E com a experiência
de quem foi fundo no assunto

Marcelo Marthe


Oscar Cabral
Coelho, com suas flechas fálicas: "No começo, você não sabe onde pôr as mãos"
Veja também
Trechos do livro


Nenhuma atividade empolga tanto o escritor Paulo Coelho atualmente quanto o hobby que ele descobriu há dois anos: o arco-e-flecha. Na semana passada, Coelho fez questão de demonstrar suas habilidades ao receber VEJA em seu apartamento, com vista para a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. "Não se mexa!", advertiu o escritor, tão logo a reportagem chegou ao local. Então, com pose de Robin Hood, o autor carioca emitiu um grito – "Uá!" – e desferiu sua flechada num alvo colocado na outra ponta da sala. "O arco representa o órgão feminino, enquanto a flecha é a coisa fálica, o masculino. O aprendizado desse esporte tem muito a ver com o sexo: no começo, você não sabe onde pôr as mãos, mas acaba aprendendo sozinho, por instinto", teorizou depois o escritor, abrindo assim caminho para a conversa em torno de seu novo livro, Onze Minutos (Rocco; 256 páginas; 29,50 reais), cujo tema é o sexo.

No fim do ano passado, o nono romance de Coelho, que chega ao público nesta quinta-feira, foi pivô da mais acirrada disputa editorial dos últimos tempos. Depois de lançar quatro livros pela editora Objetiva, o escritor retornou a seu antigo lar, a Rocco, para publicar a nova obra. Além de a transação envolver uma quantia polpuda – 600 000 reais de adiantamento –, ele teria tomado essa decisão por um desejo de incrementar suas vendas no país, que há muito não exibem o vigor dos tempos de best-sellers como O Alquimista. A reestréia na Rocco é marcada por um esquema de lançamento sem precedentes. A primeira impressão de Onze Minutos é de 200 000 exemplares. Supera em muito o recorde nacional anterior, que era do próprio Coelho: 120 000 livros impressos na época da publicação de O Demônio e a Srta. Prym. Segundo o mercado, uma tiragem de 50 000 livros é suficiente para inundar as livrarias brasileiras.

Em livros anteriores, Coelho já havia narrado uma ou outra cena picante. Mas nessa obra "para maiores" ele vai aonde nunca foi: fala de masturbação, sadomasoquismo e do "mito do orgasmo vaginal". Intrépido, ele se arrisca na descrição de atos sexuais – um campo em que é fácil cair no ridículo e em que grandes autores já se estropiaram. Eis um trecho: "Vi seu orgasmo chegando, e seus braços seguraram nos meus com força. Os movimentos aumentaram de intensidade, e foi então que ele gritou – não gemeu, não mordeu os dentes, mas berrou, urrou como um animal!". Como diria o próprio autor, o estilo é para "morder os dentes". Para falar de sexo, certamente não falta experiência ao escritor. Em seus tempos de maluco-beleza, o hoje imortal da Academia Brasileira de Letras diz ter provado de tudo (veja entrevista). Só não se deve esperar dele uma apologia daqueles anos de excessos. Hoje adepto de práticas mais convencionais, Coelho defende no livro a idéia de que sexo só vale a pena com amor. "Nisso, nossos pais estavam certos", diz.

O título Onze Minutos é uma referência à duração do ato sexual. Coelho inspirou-se num romance célebre do fim dos anos 60, Os Sete Minutos – tempo necessário, segundo o autor americano Irving Wallace, para levar uma mulher ao êxtase. Ele aproveitou a idéia, mas achou que essa minutagem era pouca para que um casal alcançasse o verdadeiro prazer. Por isso, aumentou para onze minutos. "Agora, meus amigos ficam me gozando, dizem que o ato em si, descontadas as preliminares, dura apenas quatro minutos. A verdade é que não cronometrei", diz o autor. O livro narra a história de Maria, uma jovem nordestina que, durante viagem ao Rio de Janeiro, cai no conto-do-vigário de aceitar um emprego de dançarina numa boate da cidade suíça de Genebra, em regime de semi-escravidão. Machucada pela vida, ela se torna prostituta de luxo, mas um dia sua solidão é sacudida pela chegada de um príncipe encantado: um famoso artista plástico local que, assim como ela, só amargou decepções com o sexo. Segue-se um romance que fornece a moldura para Coelho fazer aquilo que sempre fez em seus livros, ainda que ele fuja do rótulo como o diabo da cruz: auto-ajuda. Ensina a prostituta Maria: "Quem descobre a pessoa com quem sempre sonhou, sabe que a energia sexual acontece antes do próprio sexo. O maior prazer não é o sexo, é a paixão com que ele é praticado". Curiosamente, a tal Maria, apesar de semiletrada, gasta suas tardes numa biblioteca, lendo obras sobre psicologia, filosofia e sexo – nesse caso, para aprender a "teoria" de seu ofício. E, no fim de cada capítulo, há trechos de um diário em que a moça teoriza a respeito do desejo e sobre suas implicações "sagradas".

Segundo Coelho, a personagem foi inspirada em prostitutas brasileiras de carne e osso (mais carne do que osso, na verdade) que vivem na Suíça. Ele teve seu primeiro contato com essas profissionais em 1997, quando uma delas, cujo nome de guerra era Sonia, fez chegar às suas mãos um manuscrito em que contava episódios de sua biografia. O escritor, que queria escrever sobre o sexo havia algum tempo, mas remoía o tema sem sucesso, encontrou aí a chave para o seu livro. E mergulhou fundo em suas pesquisas de, bem..., campo. Em 2000, chegou a fazer uma noite de autógrafos improvisada numa casa noturna de Zurique chamada Piranha, para uma platéia entusiasmada de prostitutas das mais variadas nacionalidades. Para evitar qualquer mal-entendido, ele tomou o cuidado de avisar a sua mulher, Christina Oiticica, com quem está casado há 23 anos, sobre a natureza do evento. "A Christina perguntou: 'Paulo, você por acaso é o papa? Então, para que ter pudor de entrar numa boate dessas?'. Ao dizer isso, ela me tranqüilizou", conta o escritor.

 

O HOMEM QUE PROVOU DE TUDO

Veja – Em seu novo livro, o senhor diz que a relação da humanidade com o sexo está viciada. Por quê?
Paulo Coelho – Esse é o campo em que mais mentimos. Não temos mais tabus para falar de sexo, mas na hora da relação o prazer ainda é muitas vezes fingido. Eu mesmo perdi muito tempo com a obsessão por afirmar minha virilidade. Queria ter, e tinha, várias namoradas de uma vez.

Veja – Quando isso mudou?
Coelho – Quando descobri que, para ser bom, o sexo tem de ser espontâneo. Só há três coisas proibidas: incesto, estupro e pedofilia. Afora isso, cada um tem de levar sua vida sexual sem amarras nem poses.

Veja – De onde veio a inspiração para abordar o sadomasoquismo no livro?
Coelho – Das histórias de conhecidos. Nos anos 70, em minha fase de hippie, tentei participar de uma festa sadomasoquista. Fui expulso quando perceberam que eu não era do ramo. Esse clubinho é bem fechado.

Veja – O senhor cometeu muitos excessos?
Coelho – Entre 1967 e 1974 fiz sexo grupal nas comunidades hippies que freqüentava. Eu fazia parte de uma comunidade internacional de ocultismo que buscava o sagrado por meio do sexo. Cheguei a participar de orgias com oito parceiros, mas parei ao perceber que alguns só iam aos rituais para satisfazer desejos reprimidos.

Veja – O senhor teve experiências homossexuais?
Coelho – Tive uma experiência homossexual aos 17 anos. Como tantos garotos, senti dúvidas sobre minha orientação sexual nessa idade. No intervalo de um ano, transei três vezes com um rapaz carioca que, assim como eu, fazia teatro. Descobri que não era a minha.

 

   
canaldecompras
O que é canal de compras
CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
 
Livros
Saraiva.com.br
Livraria Nobel
 
Ingressos
Ingresso.com.br
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS