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O novo dono do pedaço

O irlandês Colin Farrell é a aposta
de Hollywood para suprir sua
demanda por superastros

Isabela Boscov

 
Divulgação

Farrell, com Pacino, em O Novato: fama de conquistador e cachê de 8 milhões de dólares


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Quase ninguém viu Tigerland, um drama de guerra enxutíssimo que o diretor Joel Schumacher fez em 2000 para se purgar dos excessos de Batman & Robin. A comoção que o filme não causou na bilheteria, porém, ele provocou entre os agentes e produtores de Los Angeles. "Um congestionamento nas linhas de celulares da cidade", foi como a revista Entertainment Weekly descreveu a reação de Hollywood ao protagonista de Tigerland, o ator irlandês Colin Farrell, então com 24 anos. Numa indústria que enfrenta uma oferta de superastros drasticamente menor do que a sua demanda, Farrell vem sendo tratado como a resposta às preces dos estúdios. Seu salário saltou do mínimo imposto pelo sindicato para 8 milhões de dólares – e continua crescendo. Isso sem que ele tenha segurado um único filme sozinho. O irlandês contracenou com Bruce Willis em A Guerra de Hart, com Tom Cruise em Minority Report – A Nova Lei e com Ben Affleck em Demolidor – O Homem sem Medo. Agora, em O Novato (The Recruit, Estados Unidos, 2003), que estréia nesta sexta-feira no país, ele divide a cena com Al Pacino.

No filme, Farrell é James Clayton, um rapaz brilhante, mas indisciplinado, que o agente Walter Burke (Pacino) recruta para uma temporada na "Fazenda", uma estação de treinamento ultra-avançado da CIA. Caso se saia bem, James pode virar um espião da agência. Se se sair muito bem, ganhará a honraria máxima – tornar-se um espião tão secreto que o governo nunca irá admitir sua ligação com ele. A isca usada pelo veterano é o complexo de Édipo do novato. James perdeu o pai na adolescência. Burke insinua que o falecido também era da CIA, e morreu durante uma missão. Qual ou como, ele não diz. Apresentando-se ao mesmo tempo como detentor de um segredo e como figura paterna, Burke convence James a entrar nos jogos perigosos que conduz na Fazenda. Como sempre nessas tramas, ele avisa que nada do que acontece lá é o que parece e que todos são traidores em potencial.

Não há nada de muito surpreendente no filme dirigido por Roger Donaldson (de Sem Saída) ou na atuação de Pacino, que aqui se reinstala naquele seu nicho confortável do mentor e advogado do diabo – o que só ressalta o ótimo trabalho de Farrell. O irlandês tem carisma, virilidade e humor de sobra. Mas, em vez de ostentá-los, ele prefere comprimi-los. Quanto mais seus colegas exageram, mais ele negaceia, o que o torna sempre o ator mais intrigante em cena. Farrell, além disso, tem uma bela estampa e muitas atividades extracurriculares. Adepto do gênero "irlandês da gema", ele bebe, fuma, fala mais palavrões por frase do que Sharon Osbourne e canta toda e qualquer mulher minimamente ajeitada que cruze o seu caminho. À pré-estréia de O Novato, ele levou Britney Spears. Ao que consta, ela está até agora esperando um novo convite. Na liga dos astros de primeira grandeza, portanto, Farrell deve ficar não no time de Tom Cruise, mas sim no de Russell Crowe – com quem tem mais em comum no campo da atitude e também no da competência. "Colin sabe se desnudar emocionalmente", derreteu-se Joel Schumacher em entrevista a VEJA. Entre os diversos projetos para os quais Farrell já está contratado, o mais vistoso é o Alexandre de Oliver Stone, no qual ele vai encarnar o rei macedônio que conquistou boa parte do Mediterrâneo e da Ásia entre os 16 e os 33 anos de idade. Mais apropriado, impossível.

   
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