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Edição 1 796 - 2 de abril de 2003
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Brutos adocicados

Música punk e letras que parecem
saídas de
um CD de Roberto Carlos?
Isso é emocore

Sérgio Martins

 
Paulo Vitale
CPM 22: o grupo paulistano vendeu mais de 300 000 discos com a receita do "emo"

A gritaria do punk rock sempre girou em torno de questões políticas. Nos últimos anos, contudo, uma nova vertente do gênero surgiu para demonstrar que os brutos musicais também amam. Ela se chama emocore e casa letras emotivas com o barulho do hardcore – daí o seu nome. Odes à mulher amada, reflexões adolescentes sobre a solidão, lamentos pela paixão perdida: são esses os assuntos prediletos dos grupos de "emo" – na abreviação usada pelos fãs. Nos Estados Unidos, bandas como Jimmy Eat World estão chegando ao topo das paradas com essa receita. No Brasil, o mais popular representante do movimento emo é o CPM 22, que já vendeu 300.000 discos. "Juntamos o punk e o romantismo do Roberto Carlos e criamos o robertocore, uma versão nacional do emo", diz Wally, o guitarrista do grupo.

O emocore surgiu no início dos anos 90. Algumas bandas de hardcore decidiram encaixar canções mais leves em seu repertório, para arrefecer o ânimo dos fãs que, atiçados pelas letras violentas, transformavam seus shows em verdadeiros campos de batalha. Aos poucos, foi ficando claro que falar de amor era um bom negócio, até que há dois anos o emo explodiu entre os adolescentes americanos. Os principais grupos de lá são o Jimmy Eat World, que tem servido até como fundo musical para festas de casamento descoladas, e o Dashboard Confessional. Este último, liderado pelo cantor Chris Carraba, bateu os maiores astros da música pop americana no último Video Music Awards, da MTV, com a música Screaming Infidelities.

 
Divulgação
Jimmy Eat World: até em festa de casamento

A trajetória do CPM 22 é semelhante à dos grupos americanos. Formado em 1995, o quinteto tocava canções de protesto na cena alternativa de São Paulo. O lado sentimental, segundo os integrantes da banda, aflorou naturalmente e deu bons resultados. O quinteto passou das pequenas casas noturnas para apresentações em grandes festivais de música. Além do CPM 22, outros grupos começam a ganhar popularidade. O quinteto Dance of Days, cujo vocalista Nenê Altro canta letras meigas como se estivesse sob tortura, começa a ter suas músicas executadas por rádios voltadas para o público jovem. Outra banda que ameaça deslanchar é a Hateen, que se considera a pioneira do emocore no Brasil. Vocalista e guitarrista do Hateen, Rodrigo Koala é o autor de Não Sei Viver sem Ter Você, uma das canções mais tocadas do último disco do CPM 22. Koala tem uma teoria sobre o sucesso do emocore: "As meninas curtem as letras. Por isso, um show de emo é o melhor lugar para um cara que gosta de rock pesado arranjar namorada ou levar a que já tem". É uma maneira, enfim, de juntar o útil ao desagradável.

   
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