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Brutos
adocicados
Música punk e letras que parecem
saídas de
um CD de Roberto Carlos?
Isso é emocore
Sérgio
Martins
Paulo Vitale
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| CPM
22: o grupo paulistano vendeu mais de 300 000 discos com a receita
do "emo" |
A
gritaria do punk rock sempre girou em torno de questões políticas.
Nos últimos anos, contudo, uma nova vertente do gênero surgiu
para demonstrar que os brutos musicais também amam. Ela se chama
emocore e casa letras emotivas com o barulho do hardcore
daí o seu nome. Odes à mulher amada, reflexões
adolescentes sobre a solidão, lamentos pela paixão perdida:
são esses os assuntos prediletos dos grupos de "emo" na
abreviação usada pelos fãs. Nos Estados Unidos, bandas
como Jimmy Eat World estão chegando ao topo das paradas com essa
receita. No Brasil, o mais popular representante do movimento emo é
o CPM 22, que já vendeu 300.000 discos. "Juntamos o punk e o romantismo
do Roberto Carlos e criamos o robertocore, uma versão nacional
do emo", diz Wally, o guitarrista do grupo.
O emocore surgiu no início dos anos 90. Algumas bandas de hardcore
decidiram encaixar canções mais leves em seu repertório,
para arrefecer o ânimo dos fãs que, atiçados pelas
letras violentas, transformavam seus shows em verdadeiros campos de batalha.
Aos poucos, foi ficando claro que falar de amor era um bom negócio,
até que há dois anos o emo explodiu entre os adolescentes
americanos. Os principais grupos de lá são o Jimmy Eat World,
que tem servido até como fundo musical para festas de casamento
descoladas, e o Dashboard Confessional. Este último, liderado pelo
cantor Chris Carraba, bateu os maiores astros da música pop americana
no último Video Music Awards, da MTV, com a música Screaming
Infidelities.
Divulgação
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| Jimmy
Eat World: até em festa de casamento |
A
trajetória do CPM 22 é semelhante à dos grupos americanos.
Formado em 1995, o quinteto tocava canções de protesto na
cena alternativa de São Paulo. O lado sentimental, segundo os integrantes
da banda, aflorou naturalmente e deu bons resultados. O quinteto passou
das pequenas casas noturnas para apresentações em grandes
festivais de música. Além do CPM 22, outros grupos começam
a ganhar popularidade. O quinteto Dance of Days, cujo vocalista Nenê
Altro canta letras meigas como se estivesse sob tortura, começa
a ter suas músicas executadas por rádios voltadas para o
público jovem. Outra banda que ameaça deslanchar é
a Hateen, que se considera a pioneira do emocore no Brasil. Vocalista
e guitarrista do Hateen, Rodrigo Koala é o autor de Não
Sei Viver sem Ter Você, uma das canções mais tocadas
do último disco do CPM 22. Koala tem uma teoria sobre o sucesso
do emocore: "As meninas curtem as letras. Por isso, um show de emo é
o melhor lugar para um cara que gosta de rock pesado arranjar namorada
ou levar a que já tem". É uma maneira, enfim, de juntar
o útil ao desagradável.
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