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Edição 1 796 - 2 de abril de 2003
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Monumento de elegância

Nicole Kidman perdeu Tom Cruise,
mas ganhou
o Oscar e o título de
a mais chique das estrelas



AP

Nicole no Oscar: alças assimétricas

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Galeria de fotos: a carreira da atriz


Como a rainha que é, ela não deu a menor atenção ao grupo de fotógrafos credenciados para o reduzido tapete vermelho autorizado neste desglamourizado Oscar 2003. Os fotógrafos, em compensação, prestaram uma atenção danada naquela mulher que parece uma mistura de cisne com valquíria. Alta, magra, a tez alvíssima ressaltada pelo contraste com o vestido preto azulado de alças assimétricas assinado por Jean-Paul Gaultier, Nicole Kidman era a encarnação do chique – aquela conjunção de fatores que funciona mais ou menos como a pornografia: ninguém sabe muito bem definir, mas quem vê logo reconhece. Aos 35 anos, solteiríssima depois do traumático divórcio de Tom Cruise, Nicole é hoje provavelmente a mais elegante estrela do cinema. Sem silicone, sem decotes escandalosos ou jóias idem (e de preferência calada, pois a vozinha infantil e o discurso desarticulado atrapalham o efeito), é a imagem do clássico contemporâneo. O Oscar de melhor atriz que ganhou pelo papel da escritora Virginia Woolf no filme As Horas merecia ser complementado por um troféu de a mais bem-vestida nos últimos cinco ou seis anos de festas de premiação do cinema.

"Ela tem um senso inato de estilo", derrama-se Andre Leon Talley, editor da Vogue americana, revista que a elegeu em 2002 a mulher mais bem-vestida do mundo. "Nicole trouxe de volta a Hollywood o bom gosto impecável dos tempos de Grace Kelly." A comparação com outra loira falsamente glacial que encarnou o oposto total da vulgaridade tantas vezes associada às atrizes de Hollywood é inevitável. Como Grace Kelly, Nicole dá a impressão de aumentar o quociente de classe de qualquer coisa que vista. Dotada do equipamento básico (um corpo de modelo: 1,80 metro de altura em míseros 54 quilos), demorou um pouco para desabrochar como paradigma de elegância e atriz de destaque. Durante boa parte de seus dez anos de casamento com Cruise, foi uma belíssima, mas meio apagada (apesar dos cabelos flamejantemente vermelhos), mulher de superastro. A reviravolta veio em 1999, com De Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick. No lançamento do filme no Festival de Veneza, com um vestidinho cinza com fenda até o alto da coxa, foi seguida por lanchas de fotógrafos ensandecidos e causou o tipo de comoção que não deixava dúvida: nascia uma estrela. E começava a acabar um casamento. Tom Cruise pediu o divórcio em 2001, de maneira tão abrupta e agressiva que desencadeou todo tipo de boataria.

Nicole não só sobreviveu à separação e às fofocas como melhorou de guarda-roupa – e muito mais de qualidade artística. Nestes dois anos de solteira, não parou de fazer filmes. Filmes revertem em pré-estréias, e cada uma é oportunidade para Nicole abafar. Só Moulin Rouge, de 2001, rendeu dezenas de modelos de grife desfilados com perfeito aplomb – e, com um quê de vingança, muito salto agulha, como convém à esguia ex-mulher do baixinho Cruise. Dando início à febre de tops tipo espartilho que o figurino do filme provocou, ela compareceu à estréia mundial, no Festival de Cannes, com um modelo do gênero da grife Yves Saint Laurent, assinado pelo estilista Tom Ford. Em seu primeiro grande momento sem Cruise, apavorou-se diante da impressionante massa de fotógrafos e curiosos. "Saí do cinema e vi todas aquelas pessoas me olhando, toda aquela luz. Entrei em pânico. Não conseguia respirar", contou numa entrevista na qual confessou que morre de medo de máquina fotográfica. A irmã teve de levá-la ao banheiro e acalmá-la. Na festa seguinte, em Nova York, compareceu com um Gaultier preto coladíssimo ao corpo, cheio de recortes, ousadamente sensual. No Oscar do ano passado inverteu tudo e desfilou etérea como uma ninfa num simplíssimo e chiquérrimo Chanel clarinho.


AP

Renée explode no modelo vermelho: altas grifes depois do sucesso em Chicago


Neste momento de glória, a única ameaça ao reinado de elegância de Nicole é outra novata no mundo do estilo requintado: a loirinha Renée Zellweger, 33 anos, que não sabe cantar nem dançar e mesmo assim capturou uma indicação ao Oscar por Chicago – perdendo justamente para a rival australiana. Na esteira do recente sucesso, Renée turbinou o guarda-roupa com altas grifes e vasta seleção de modelos vintage. Tudo chique, sofisticado, despojado. Seu longo vermelho do Oscar, assinado por Carolina Herrera e valorizado pelo penteado simples e nada de jóias, salvo um anel de rubi, foi eleito o mais bonito da noite. "Daqui para a frente, vamos ter de prestar atenção em tudo que Nicole e Renée usarem", decretou Andre Talley. "Essas duas vão ser o barômetro do chique."


   
 
   
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