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Monumento
de elegância
Nicole
Kidman perdeu Tom Cruise,
mas ganhou
o Oscar e o título de
a mais chique das estrelas
Como a rainha que é, ela não deu a menor atenção
ao grupo de fotógrafos credenciados para o reduzido tapete vermelho
autorizado neste desglamourizado Oscar 2003. Os fotógrafos, em
compensação, prestaram uma atenção danada
naquela mulher que parece uma mistura de cisne com valquíria. Alta,
magra, a tez alvíssima ressaltada pelo contraste com o vestido
preto azulado de alças assimétricas assinado por Jean-Paul
Gaultier, Nicole Kidman era a encarnação do chique
aquela conjunção de fatores que funciona mais ou menos como
a pornografia: ninguém sabe muito bem definir, mas quem vê
logo reconhece. Aos 35 anos, solteiríssima depois do traumático
divórcio de Tom Cruise, Nicole é hoje provavelmente a mais
elegante estrela do cinema. Sem silicone, sem decotes escandalosos ou
jóias idem (e de preferência calada, pois a vozinha infantil
e o discurso desarticulado atrapalham o efeito), é a imagem do
clássico contemporâneo. O Oscar de melhor atriz que ganhou
pelo papel da escritora Virginia Woolf no filme As Horas merecia
ser complementado por um troféu de a mais bem-vestida nos últimos
cinco ou seis anos de festas de premiação do cinema.
"Ela
tem um senso inato de estilo", derrama-se Andre Leon Talley, editor da
Vogue americana, revista que a elegeu em 2002 a mulher mais bem-vestida
do mundo. "Nicole trouxe de volta a Hollywood o bom gosto impecável
dos tempos de Grace Kelly." A comparação com outra loira
falsamente glacial que encarnou o oposto total da vulgaridade tantas vezes
associada às atrizes de Hollywood é inevitável. Como
Grace Kelly, Nicole dá a impressão de aumentar o quociente
de classe de qualquer coisa que vista. Dotada do equipamento básico
(um corpo de modelo: 1,80 metro de altura em míseros 54 quilos),
demorou um pouco para desabrochar como paradigma de elegância e
atriz de destaque. Durante boa parte de seus dez anos de casamento com
Cruise, foi uma belíssima, mas meio apagada (apesar dos cabelos
flamejantemente vermelhos), mulher de superastro. A reviravolta veio em
1999, com De Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick. No lançamento
do filme no Festival de Veneza, com um vestidinho cinza com fenda até
o alto da coxa, foi seguida por lanchas de fotógrafos ensandecidos
e causou o tipo de comoção que não deixava dúvida:
nascia uma estrela. E começava a acabar um casamento. Tom Cruise
pediu o divórcio em 2001, de maneira tão abrupta e agressiva
que desencadeou todo tipo de boataria.
Nicole não só sobreviveu à separação
e às fofocas como melhorou de guarda-roupa e muito mais
de qualidade artística. Nestes dois anos de solteira, não
parou de fazer filmes. Filmes revertem em pré-estréias,
e cada uma é oportunidade para Nicole abafar. Só Moulin
Rouge, de 2001, rendeu dezenas de modelos de grife desfilados com
perfeito aplomb e, com um quê de vingança, muito salto
agulha, como convém à esguia ex-mulher do baixinho Cruise.
Dando início à febre de tops tipo espartilho que o figurino
do filme provocou, ela compareceu à estréia mundial, no
Festival de Cannes, com um modelo do gênero da grife Yves Saint
Laurent, assinado pelo estilista Tom Ford. Em seu primeiro grande momento
sem Cruise, apavorou-se diante da impressionante massa de fotógrafos
e curiosos. "Saí do cinema e vi todas aquelas pessoas me olhando,
toda aquela luz. Entrei em pânico. Não conseguia respirar",
contou numa entrevista na qual confessou que morre de medo de máquina
fotográfica. A irmã teve de levá-la ao banheiro e
acalmá-la. Na festa seguinte, em Nova York, compareceu com um Gaultier
preto coladíssimo ao corpo, cheio de recortes, ousadamente sensual.
No Oscar do ano passado inverteu tudo e desfilou etérea como uma
ninfa num simplíssimo e chiquérrimo Chanel clarinho.
AP
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Renée
explode no modelo vermelho: altas grifes depois do sucesso em Chicago
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Neste momento de glória, a única ameaça ao reinado
de elegância de Nicole é outra novata no mundo do estilo
requintado: a loirinha Renée Zellweger, 33 anos, que não
sabe cantar nem dançar e mesmo assim capturou uma indicação
ao Oscar por Chicago perdendo justamente para a rival australiana.
Na esteira do recente sucesso, Renée turbinou o guarda-roupa com
altas grifes e vasta seleção de modelos vintage. Tudo chique,
sofisticado, despojado. Seu longo vermelho do Oscar, assinado por Carolina
Herrera e valorizado pelo penteado simples e nada de jóias, salvo
um anel de rubi, foi eleito o mais bonito da noite. "Daqui para a frente,
vamos ter de prestar atenção em tudo que Nicole e Renée
usarem", decretou Andre Talley. "Essas duas vão ser o barômetro
do chique."
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