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Edição 1 796 - 2 de abril de 2003
Geral Saúde
 

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Os sexos e o cigarro

Ser homem ou mulher faz
muita diferença na hora de
abandonar o cigarro. Para
elas, a luta é mais dura

Paula Neiva

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O que fazer para abandonar o cigarro (9/9/1998)

Teste: como anda sua dependência do cigarro

Da internet
Sites sobre tabagismo
Inca
Action on smoking and health
Organização Mundial da Saúde
Sptt.org
Smokehelp.org
National Society of Non-Smokers (Grã-Bretanha)
Tobacco Free Kids.org

Durante os últimos três anos, a cardiologista Jaqueline Scholz Issa, chefe do ambulatório de tabagismo do Instituto do Coração (Incor), de São Paulo, acompanhou uma centena de homens e mulheres fumantes que tentavam abandonar o cigarro. O objetivo do trabalho era avaliar a eficácia do antidepressivo Zyban no tratamento contra o vício de pacientes cardíacos. Os resultados dos estudos foram muito além do esperado. Não só dimensionaram o alcance do remédio no combate ao fumo como revelaram que a diferença entre os sexos define as características da dependência e tem um peso importantíssimo no sucesso do esforço para deixar de fumar. "Uma das conclusões mais evidentes é o fato de que as mulheres usam o cigarro como muleta emocional", diz a médica Jaqueline. "Entre os homens, o vício é muito mais químico que psicológico." Isso faz com que, para elas, a batalha seja mais dura do que para eles.

Um dos fatores psicológicos que mais atrapalham as mulheres que tentam se livrar do tabagismo é o medo de engordar. Largar o cigarro engorda, não há dúvida. O estudo do Incor mostra que uma ex-fumante acaba incorporando, em média, 7 quilos à sua silhueta. O aumento de peso é o principal motivo que leva as mulheres de volta ao vício. Elas retomam o hábito e, em pouco tempo, começam a emagrecer. É verdade que a nicotina aumenta a queima de gordura. Mas a perda calórica provocada pela substância não justifica inteiramente o fato de a maioria das mulheres engordar tanto ao parar de fumar. Se fosse assim, os homens que abandonam o tabagismo também ganhariam muitos quilos. Não é o que acontece. A pesquisa do Incor revela que os homens, ao deixar o cigarro, não sofrem alterações de peso significativas. As ex-fumantes engordam porque, na verdade, tendem mais a substituir a falta do cigarro por comida. Essa substituição é mais freqüente entre as mulheres porque suas crises de abstinência costumam ser mais intensas que as dos homens. A suspeita dos especialistas é de que isso ocorre por causa das violentas alterações hormonais que regem o organismo feminino. Tais oscilações também prejudicam as respostas às terapias antifumo.

Há de se levar em conta a importância dos estímulos ambientais na dependência feminina. Ao ver alguém fumando ou ao sentir o cheiro de fumaça de cigarro, uma fumante tem mais vontade de fumar que um fumante. Não há explicação científica para esse fenômeno. Existe ainda um outro dado: para as mulheres, acender um cigarro é uma espécie de ritual a ser seguido em grupo. Basta reparar no fumódromo das empresas. Elas sempre vão fumar em companhia de colegas. Os homens costumam aparecer por lá sozinhos. O caráter ritualístico é um impedimento extra ao sucesso dos tratamentos. Várias mulheres que participaram da pesquisa do Incor relataram também que o cigarro lhes proporcionava segurança e aumentava a confiança em si próprias. Por isso, argumentavam, largar o vício era tão difícil.

Os aspectos sociopsicológicos definitivamente contribuem para que seja mais penoso para as mulheres abandonar o tabagismo. Como para a maioria dos homens o vício tende a ser mais de ordem química, eles respondem melhor aos tratamentos de reposição de nicotina. As maiores dificuldades masculinas se concentram no primeiro mês de abstinência, quando o corpo sente mais falta da substância. Passado esse tempo, os homens conseguem manter-se sob controle.

 

 

   
 
   
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