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E eles não
foram
felizes para sempre
Você
deposita toda a sua
esperança de felicidade no
casamento? Bem, está na
hora de rever esse conceito
Karina Pastore
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"Minha
mulher e eu tentamos tomar juntos o café-da-manhã, mas paramos antes
que nosso casamento acabasse."
Winston Churchill (1874-1965), primeiro-ministro
inglês |

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A vida andava
um tanto aborrecida. No trabalho, a habitual monotonia. Os encontros com
os amigos também já haviam perdido a graça. Nem ele
nem ela estavam satisfeitos. Quando se conheceram, porém, tudo
mudou. A partir daquele momento mágico, tanto para um quanto para
o outro, a existência passou a ter sentido. Casaram-se, na convicção
de que seriam felizes para sempre. Foram? Nos filmes, nos romances e nas
novelas, sim, eles foram. Na vida real, provavelmente, não. Um
estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, avaliou durante
quinze anos o nível de satisfação pessoal de 24.000
homens e mulheres, antes e depois do casamento. Publicado na última
edição do Journal of Personality and Social Psychology,
revista da Sociedade Americana de Psicologia, o trabalho é
um balde de água fria em quem (ainda) acredita que a felicidade
só é possível quando se tem um homem para chamar
de seu ou uma mulher para chamar de sua.
No início
do estudo, os participantes tinham 25 anos, em média. Para saberem
a quantas andava a vida conjugal de cada um deles, os estudiosos lhes
enviavam um questionário por ano, que deveria ser integralmente
respondido. A escala usada para medir a satisfação desses
homens e mulheres variava de 0 (muito infelizes) a 10 (totalmente felizes).
Ao término, constatou-se que a maioria das pessoas não se
mostrava mais feliz do que era antes de juntar os trapinhos. Verificou-se
também que é curta a empolgação com o casamento.
Dura no máximo dois anos. Depois desse período, a rotina
toma o lugar do amor e os defeitos do companheiro tornam-se mais evidentes
do que as suas virtudes. Nesses casos, talvez seja melhor adotar a estratégia
do célebre Winston Churchill. Certa vez, ele disse: "Minha mulher
e eu tentamos tomar juntos o café-da-manhã, mas paramos
antes que nosso casamento acabasse".
Nos consultórios
dos terapeutas de casais, uma das justificativas mais freqüentes
para o fracasso matrimonial é a idealização do casamento.
O estudo americano comprova isso. A decepção tende a ser
maior entre homens e mulheres que, antes de trocar alianças, se
consideravam infelizes e resolveram apostar todas as suas fichas na união.
"Um casamento realmente satisfatório só é possível
quando ambos são capazes de ficar bem sozinhos, cultivam projetos
pessoais e não se agarram um ao outro, como dois náufragos
que estão quase morrendo afogados", diz a psicanalista carioca
Regina Navarro Lins. Não é à toa que, no grupo dos
que se diziam satisfeitos com a vida ainda quando solteiros, a felicidade
com o casamento revelou-se maior.
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