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Edição 1 796 - 2 de abril de 2003
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E eles não foram
felizes para sempre

Você deposita toda a sua
esperança de felicidade no
casamento? Bem, está na
hora de rever esse conceito

Karina Pastore

 
"Minha mulher e eu tentamos tomar juntos o café-da-manhã, mas paramos antes que nosso casamento acabasse."
Winston Churchill (1874-1965), primeiro-ministro inglês

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Dos arquivos de VEJA
O ciclo do matrimônio (10/7/2002)
"A vida antes e depois da paixão" (5/6/2002)
"Duelo na separação conjugal" (13/6/2001)
"Começar de novo" (20/12/2000)
"O casamento morreu. Viva o casamento!" (11/8/1999)

Teste: como anda sua paixão

A vida andava um tanto aborrecida. No trabalho, a habitual monotonia. Os encontros com os amigos também já haviam perdido a graça. Nem ele nem ela estavam satisfeitos. Quando se conheceram, porém, tudo mudou. A partir daquele momento mágico, tanto para um quanto para o outro, a existência passou a ter sentido. Casaram-se, na convicção de que seriam felizes para sempre. Foram? Nos filmes, nos romances e nas novelas, sim, eles foram. Na vida real, provavelmente, não. Um estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, avaliou durante quinze anos o nível de satisfação pessoal de 24.000 homens e mulheres, antes e depois do casamento. Publicado na última edição do Journal of Personality and Social Psychology, revista da Sociedade Americana de Psicologia, o trabalho é um balde de água fria em quem (ainda) acredita que a felicidade só é possível quando se tem um homem para chamar de seu ou uma mulher para chamar de sua.

No início do estudo, os participantes tinham 25 anos, em média. Para saberem a quantas andava a vida conjugal de cada um deles, os estudiosos lhes enviavam um questionário por ano, que deveria ser integralmente respondido. A escala usada para medir a satisfação desses homens e mulheres variava de 0 (muito infelizes) a 10 (totalmente felizes). Ao término, constatou-se que a maioria das pessoas não se mostrava mais feliz do que era antes de juntar os trapinhos. Verificou-se também que é curta a empolgação com o casamento. Dura no máximo dois anos. Depois desse período, a rotina toma o lugar do amor e os defeitos do companheiro tornam-se mais evidentes do que as suas virtudes. Nesses casos, talvez seja melhor adotar a estratégia do célebre Winston Churchill. Certa vez, ele disse: "Minha mulher e eu tentamos tomar juntos o café-da-manhã, mas paramos antes que nosso casamento acabasse".

Nos consultórios dos terapeutas de casais, uma das justificativas mais freqüentes para o fracasso matrimonial é a idealização do casamento. O estudo americano comprova isso. A decepção tende a ser maior entre homens e mulheres que, antes de trocar alianças, se consideravam infelizes e resolveram apostar todas as suas fichas na união. "Um casamento realmente satisfatório só é possível quando ambos são capazes de ficar bem sozinhos, cultivam projetos pessoais e não se agarram um ao outro, como dois náufragos que estão quase morrendo afogados", diz a psicanalista carioca Regina Navarro Lins. Não é à toa que, no grupo dos que se diziam satisfeitos com a vida ainda quando solteiros, a felicidade com o casamento revelou-se maior.

   
 
   
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