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Edição 1 796 - 2 de abril de 2003
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A terceira onda

Depois dos ácidos exfoliantes
e dos antioxidantes, chega ao
mercado uma outra geração
de cosméticos

Anna Paula Buchalla

Se você é do tipo que acredita em cremes e loções antienvelhecimento, eis uma notícia que a deixará animadíssima: está sendo vendido no Brasil um novo cosmético que promete maravilhas naquela missão (ao fim e ao cabo, sempre vã) de deter a ação do tempo. Trata-se do Sisleya-Elixir, fabricado pelo laboratório francês Sisley a partir de extratos botânicos. De tão potente, o produto só precisa ser usado durante um mês, de duas a quatro vezes por ano. De tão caro, é mesmo bom que seja assim. Um mês de tratamento custa 1.440 reais. Em maio, a Natura, a maior empresa brasileira de cosméticos, lançará um creme que, juram seus criadores, tem o poder de rejuvenescer a aparência em não mais do que trinta dias. Você leu certo: bastam trinta dias para que as rugas sejam atenuadas e a pele fique mais firme. Como promessa é dívida, caberá às eventuais usuárias cobrar resultados.

Ok, se você é do tipo que não acredita de jeito nenhum em cremes e loções antienvelhecimento, eis um dado que talvez abrande a sua posição xiita: esses cosméticos de última geração não se destinam apenas a alisar as carquilhas epidérmicas, para usar uma expressão do escritor Guimarães Rosa. Segundo os laboratórios que os fabricam, eles agem diretamente sobre as células da pele, fazendo com que voltem a funcionar a pleno vapor, como na época de juventude. Um dos compostos do Sisleya-Elixir é um certo extrato de solanum. Essa substância aumentaria a fabricação de lipídeos, as moléculas de gordura que se alinham na camada mais profunda da pele. Isso é bom porque, na juventude, esse colchão de lipídeos mantém a pele hidratada. Com a velhice, o colchão vira um colchonete, a pele resseca e as rugas surgem. O princípio ativo do creme da Natura, um tal Elastinol+, é feito a partir de dois tipos de açúcares, o fucose e o rhamnose. O composto entra no núcleo das células da pele e ativa a síntese de elastina e colágeno, as fibras de sustentação do tecido. "Essas fórmulas são a expressão máxima do futuro da indústria cosmética. Seu diferencial: a sinergia com o funcionamento natural das estruturas da pele", entusiasma-se o farmacêutico Emiro Khury, da Associação Brasileira de Cosmetologia.

Esses novos produtos representam uma terceira onda na indústria de cosméticos. A primeira foi a dos ácidos. Cremes com ácidos como o glicólico ou o retinóico têm basicamente a função de exfoliar a pele. Eliminam as células mortas das camadas mais superficiais e, com isso, as rugas tendem a diminuir. A segunda onda foi a das vitaminas, especialmente a C e a E. Com poderes antioxidantes, elas combatem os radicais livres, que aceleram o processo de envelhecimento, ajudando a evitar o aparecimento de sulcos. Agora, é a vez dos cremes e loções feitos para reprogramar as funções das células da pele. Quer tentar?

   
 
   
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