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A terceira onda
Depois
dos ácidos exfoliantes
e
dos antioxidantes, chega ao
mercado uma outra geração
de cosméticos
Anna Paula
Buchalla
Se você
é do tipo que acredita em cremes e loções antienvelhecimento,
eis uma notícia que a deixará animadíssima: está
sendo vendido no Brasil um novo cosmético que promete maravilhas
naquela missão (ao fim e ao cabo, sempre vã) de deter a
ação do tempo. Trata-se do Sisleya-Elixir, fabricado pelo
laboratório francês Sisley a partir de extratos botânicos.
De tão potente, o produto só precisa ser usado durante um
mês, de duas a quatro vezes por ano. De tão caro, é
mesmo bom que seja assim. Um mês de tratamento custa 1.440
reais. Em maio, a Natura, a maior empresa brasileira de cosméticos,
lançará um creme que, juram seus criadores, tem o poder
de rejuvenescer a aparência em não mais do que trinta dias.
Você leu certo: bastam trinta dias para que as rugas sejam atenuadas
e a pele fique mais firme. Como promessa é dívida, caberá
às eventuais usuárias cobrar resultados.
Ok,
se você é do tipo que não acredita de jeito nenhum
em cremes e loções antienvelhecimento, eis um dado que talvez
abrande a sua posição xiita: esses cosméticos de
última geração não se destinam apenas a alisar
as carquilhas epidérmicas, para usar uma expressão do escritor
Guimarães Rosa. Segundo os laboratórios que os fabricam,
eles agem diretamente sobre as células da pele, fazendo com que
voltem a funcionar a pleno vapor, como na época de juventude. Um
dos compostos do Sisleya-Elixir é um certo extrato de solanum.
Essa substância aumentaria a fabricação de lipídeos,
as moléculas de gordura que se alinham na camada mais profunda
da pele. Isso é bom porque, na juventude, esse colchão de
lipídeos mantém a pele hidratada. Com a velhice, o colchão
vira um colchonete, a pele resseca e as rugas surgem. O princípio
ativo do creme da Natura, um tal Elastinol+, é feito a partir de
dois tipos de açúcares, o fucose e o rhamnose. O composto
entra no núcleo das células da pele e ativa a síntese
de elastina e colágeno, as fibras de sustentação
do tecido. "Essas fórmulas são a expressão máxima
do futuro da indústria cosmética. Seu diferencial: a sinergia
com o funcionamento natural das estruturas da pele", entusiasma-se o farmacêutico
Emiro Khury, da Associação Brasileira de Cosmetologia.
Esses novos
produtos representam uma terceira onda na indústria de cosméticos.
A primeira foi a dos ácidos. Cremes com ácidos como o glicólico
ou o retinóico têm basicamente a função de
exfoliar a pele. Eliminam as células mortas das camadas mais superficiais
e, com isso, as rugas tendem a diminuir. A segunda onda foi a das vitaminas,
especialmente a C e a E. Com poderes antioxidantes, elas combatem os radicais
livres, que aceleram o processo de envelhecimento, ajudando a evitar o
aparecimento de sulcos. Agora, é a vez dos cremes e loções
feitos para reprogramar as funções das células da
pele. Quer tentar?
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