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Crise na cabeça
Pesquisa
inédita mostra como o
desemprego
afeta o desempenho
sexual dos brasileiros
Silvia Rogar
O desemprego
já foi apontado como um dos principais causadores da impotência
de origem psicológica. Mas até agora ninguém havia
dimensionado o problema no Brasil. A coisa é séria. Uma
pesquisa inédita do Hospital das Clínicas de São
Paulo concluiu que, entre os homens desempregados, o risco de falhar na
hora H é 83% maior que entre aqueles que mantêm a carteira
de trabalho assinada. O levantamento ouviu 2.835
pessoas maiores de 18 anos em dez cidades brasileiras, incluindo Rio de
Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Outra surpresa da pesquisa
é que, no caso das mulheres, o desejo sexual tem 66% mais probabilidade
de desaparecer quando elas são demitidas. "O emprego acaba funcionando
como uma proteção contra os problemas sexuais", diz a psiquiatra
Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade, responsável
pelo estudo. O mecanismo é fácil de entender. Os que estão
sem trabalho têm uma tendência maior à depressão
e à redução da libido.
O mesmo
levantamento mostrou que a depressão aumenta em 93% o risco de
o homem ter disfunção erétil. Ou seja, nem todos
os desempregados sofrem de depressão, mas, quando ela ataca, dobra
o risco da frustração na cama. A questão torna-se
potencialmente explosiva quando se leva em consideração
que um dos principais problemas brasileiros hoje é a falta de postos
de trabalho. A taxa de desemprego na região metropolitana de São
Paulo, por exemplo, registrou 19% em fevereiro -- o maior índice
desde maio do ano passado, segundo anunciou na terça-feira passada
o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
(Dieese). Nunca se buscou tanto uma solução para problemas
relacionados à ausência de desejo como hoje. A falta de uma
vida sexual normal é um problema incômodo. De acordo com
os números do Projeto Sexualidade, quase 35% das brasileiras se
queixaram de perda de apetite sexual no levantamento. Entre os homens,
15% sofrem de disfunção erétil em grau moderado ou
total. Estudos recentes mostram que na Itália esse índice
sobe para 17%, enquanto no Japão a taxa é de 34%. Nos Estados
Unidos, 30 milhões de americanos apresentam algum tipo de dificuldade
de ereção. Entre as causas físicas que podem comprometer
o desempenho sexual estão o diabetes, infecções urinárias
e doenças do coração. A chamada impotência
psicológica é apenas uma parte do problema.
O grave
é que algumas pessoas se negam a relacionar de imediato o baixo
desempenho sexual com o desemprego. "Eu não conseguia ter relações,
não sentia mais prazer. Também não queria aceitar
que o problema tinha fundo psicológico", lembra o microempresário
paulista S., de 51 anos. "Foi um período horrível, em que
meu casamento quase acabou." O bom desempenho voltou somente depois de
buscar ajuda médica e de, claro, ter novamente uma ocupação
na sociedade.
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