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Edição 1 796 - 2 de abril de 2003
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Crise na cabeça

Pesquisa inédita mostra como o
desemprego
afeta o desempenho
sexual dos brasileiros

Silvia Rogar

O desemprego já foi apontado como um dos principais causadores da impotência de origem psicológica. Mas até agora ninguém havia dimensionado o problema no Brasil. A coisa é séria. Uma pesquisa inédita do Hospital das Clínicas de São Paulo concluiu que, entre os homens desempregados, o risco de falhar na hora H é 83% maior que entre aqueles que mantêm a carteira de trabalho assinada. O levantamento ouviu 2.835 pessoas maiores de 18 anos em dez cidades brasileiras, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Outra surpresa da pesquisa é que, no caso das mulheres, o desejo sexual tem 66% mais probabilidade de desaparecer quando elas são demitidas. "O emprego acaba funcionando como uma proteção contra os problemas sexuais", diz a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade, responsável pelo estudo. O mecanismo é fácil de entender. Os que estão sem trabalho têm uma tendência maior à depressão e à redução da libido.

O mesmo levantamento mostrou que a depressão aumenta em 93% o risco de o homem ter disfunção erétil. Ou seja, nem todos os desempregados sofrem de depressão, mas, quando ela ataca, dobra o risco da frustração na cama. A questão torna-se potencialmente explosiva quando se leva em consideração que um dos principais problemas brasileiros hoje é a falta de postos de trabalho. A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo, por exemplo, registrou 19% em fevereiro -- o maior índice desde maio do ano passado, segundo anunciou na terça-feira passada o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Nunca se buscou tanto uma solução para problemas relacionados à ausência de desejo como hoje. A falta de uma vida sexual normal é um problema incômodo. De acordo com os números do Projeto Sexualidade, quase 35% das brasileiras se queixaram de perda de apetite sexual no levantamento. Entre os homens, 15% sofrem de disfunção erétil em grau moderado ou total. Estudos recentes mostram que na Itália esse índice sobe para 17%, enquanto no Japão a taxa é de 34%. Nos Estados Unidos, 30 milhões de americanos apresentam algum tipo de dificuldade de ereção. Entre as causas físicas que podem comprometer o desempenho sexual estão o diabetes, infecções urinárias e doenças do coração. A chamada impotência psicológica é apenas uma parte do problema.

O grave é que algumas pessoas se negam a relacionar de imediato o baixo desempenho sexual com o desemprego. "Eu não conseguia ter relações, não sentia mais prazer. Também não queria aceitar que o problema tinha fundo psicológico", lembra o microempresário paulista S., de 51 anos. "Foi um período horrível, em que meu casamento quase acabou." O bom desempenho voltou somente depois de buscar ajuda médica e de, claro, ter novamente uma ocupação na sociedade.

   
 

 

Montagem sobre fotos de Marcio Capovilla e Sergio de Divitiis
   
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