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A
PanTomima beduína
"Marta
Suplicy pode ficar mais tranqüila
porque seu companheiro arrumou uma
posição no governo Lula. O
mundo pode
ficar mais tranqüilo. Estamos todos em
boas mãos, brasileiros, iraquianos,
ingleses, americanos"
O
melhor de todos é Mohamed Said al-Sahaf, o ministro da Informação
iraquiano. Outro dia ele chamou o presidente americano de "anão"
e o secretário de Defesa britânico de "asno". Para alguém
que passa o dia inteiro na frente da TV e já enjoou do habitual
espetátulo de bombas de fragmentação caindo sobre
a população civil de Bagdá, não pode haver
atração mais excitante do que as entrevistas coletivas de
Sahaf. Dão um pouco de cor local, com seu repertório clássico
de insultos vindos diretamente da casbá ou de filmes de segunda
linha de Hollywood. Cuspindo nos microfones, Sahaf declarou que o "pequeno
Bush lidera uma gangue internacional de bastardos criminosos, uma superpotência
de Al Capone", que ele é um "vilão", "um biltre", "um homem
vil que será amaldiçoado pela eternidade". Para Sahaf, Colin
Powell é um "idiota", e Donald Rumsfeld, um "cão", à
frente de "mercenários abomináveis". Quanto aos britânicos,
só merecem o profundo desdém de Sahaf, pois não passam
de "hediondos lacaios que os canalhas dos americanos esmagam com a sola
dos pés". Em entrevista recente, o assessor especial de Lula para
Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, ofereceu asilo no
Brasil a Saddam Hussein. Ao mesmo tempo, os vereadores do Rio de Janeiro
decretaram o presidente Bush "persona non grata" na cidade. Se Saddam
Hussein é bem-vindo por aqui, e Bush não, faço questão
de convidar, igualmente, o ministro Sahaf, essa impagável pantomima
beduína. Por mais atrocidades que ele tenha cometido em nome do
regime iraquiano, aceito hospedá-lo em minha casa, contanto que
ele prometa ficar o tempo todo no terraço, deblaterando contra
os moradores do prédio ao lado.
Além de oferecer asilo a Saddam Hussein, Marco Aurélio Garcia
também afirmou que o Brasil está disposto a acolher refugiados
de guerra iraquianos. Como se nossas cidades fossem muito melhores do
que Basra sob o bombardeio de tropas anglo-americanas. Como se nossos
bandidos fossem muito melhores do que "Ali, o Químico", aquele
que exterminou os curdos com gás mostarda. Como se nossos miseráveis
vivessem muito melhor do que refugiados num acampamento da ONU. Por falar
nisso, Benedita da Silva confessou que não gostaria de estar na
pele do articulador do Fome Zero, José Graziano, "com essa responsabilidade
de dar combate à fome e à miséria". Benedita da Silva
é ministra da Assistência e Promoção Social.
Seria de supor que a responsabilidade de seu ministério fosse,
justamente, dar combate à fome e à miséria. Eu não
gostaria de estar na pele dos refugiados iraquianos que vierem para cá.
E muito menos na dos miseráveis brasileiros.
A principal medida do governo Lula depois da deflagração
da guerra no Iraque foi conceder-se um vital setor de comunicação
internacional. O chefe do novo setor é o companheiro de Marta Suplicy,
Luis Favre. Em fevereiro, li com apreensão que a prefeita de São
Paulo andava "sumida e sorumbática", porque nenhuma posição
no governo federal havia sido oferecida a Favre. Agora, ela pode ficar
mais tranqüila. O mundo pode ficar mais tranqüilo. Estamos todos
em boas mãos, brasileiros, iraquianos, ingleses, americanos.
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