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Sou cidadão americano e moro no Brasil há sete anos. Estou
preocupado com as atitudes do atual presidente do meu país, George
Bush, e da sua administração. Reconheço as atrocidades
cometidas por Saddam Hussein, mas não aceito a idéia de
uma invasão principalmente quando não apoiada pelo
Conselho de Segurança da ONU. A administração Bush
parece não ouvir a voz do mundo. Como
cidadão brasileiro residente permanente nos Estados Unidos, sou
totalmente a favor desta guerra. De um lado, temos um país democrático,
que se tornou hegemônico pela disciplina e pelo trabalho de seu
povo, com plena liberdade e democracia. De outro, temos um país
tirânico, opressor e terrorista. Não
sou simpatizante de Blair nem de Bush, mas Saddam Hussein é um
desequilibrado mental e deve ser destruído junto com sua equipe
e seus filhos. Já que os Estados Unidos e o Reino Unido começaram
a limpeza, não podem deixá-la pela metade. Têm de
acabar com o império de Saddam. E Brasília deveria expulsar
os diplomatas iraquianos de lá. Ouço
nos noticiários as palavras "guerra", "conflito". Minha mente imediatamente
interpreta massacre, execução sumária. Sem mais palavras...
Chorando... O
presidente americano, George W. Bush, é um líder carismático,
inteligente e não tem interesse algum no petróleo iraquiano.
Primeiro de abril... Não
há dúvida de que os efeitos de uma guerra são tristes
e cruéis. Ninguém quer sofrer esses efeitos. Porém,
para evitar que um tirano continue praticando crueldades maiores que as
que uma guerra pode causar, é preciso fazer a guerra. Não
por petróleo, muito menos contra uma religião, e sim para
evitar mais crueldades. Os "pacifistas" dizem querer evitar a guerra para
que inocentes não sofram, mas abandonam esses inocentes sob o poder
do tirano.
A entrevista com o ministro Miguel Rossetto (Amarelas, 26 de março)
é de arrepiar de medo. Se todos agirem sem respeito às leis
na conquista do que acham direito, logo mais estaremos nas mãos
de quem consegue gritar mais alto. Como um ministro pode apoiar, e até
elogiar, um movimento que prega o terror? De
nada adianta desapropriar sem dar estrutura básica aos assentados.
Sem dinheiro, não adianta incitar novas invasões. Acorda,
Lula! Colocar raposa para cuidar das galinhas é altamente arriscado. Miguel
Rossetto está em Brasília, amparando a causa dos sem-terra,
ganhando seu polpudo salário, pago pela maior parte dos brasileiros,
que não matam, não roubam, não invadem e também
não comem, não se vestem, não têm saúde
nem moram direito e valem apenas 200 reais por mês e mesmo
assim trabalham com dignidade. Todos
nós sabemos que temos direito à alimentação,
à saúde, à moradia, ao lazer. E muitos brasileiros
vêm lutando para garantir seus direitos. A diferença em relação
ao MST é que aqueles brasileiros têm lutado com dignidade:
não roubam, não matam, não "ocupam". E por toda parte
há brasileiros dignos e vitoriosos. Acho
louvável a preocupação do ministro com o MST, mas
o que dizer dos milhares de famílias que há mais de vinte
anos se embrenharam pelo interior de Mato Grosso, na Floresta Amazônica,
sem estradas, sem água, sem energia elétrica, sem nenhum
apoio dos governos, e lá construíram a vida e criaram cidades
prósperas. Será que os neo-sem-terra precisam de estrutura
ou de vontade de trabalhar? Extremamente
preocupante a afirmação do ministro Miguel Rossetto de que
a única divergência entre ele e o líder do MST, João
Pedro Stedile, é que um é gremista e o outro, colorado.
O Stedile, além de gremista, é o líder de um movimento
que organiza invasões de propriedades privadas, saques e depredações
dessas propriedades e humilhação dos mais diversos tipos
a seus proprietários.
Quando meu estagiário de 24 anos terminava seu programa de estágio,
convidei-o para estender seu programa por mais seis meses. Sua resposta
foi que não poderia seguir na empresa enquanto estudava, pois seria
impossível conciliar as duas atividades simultaneamente. Como pode
um brasileiro que precisa acordar às 5 da manhã, utilizar
meios de transporte precários, ter uma jornada de trabalho de dez
horas, igual à de um país subdesenvolvido, seguir sorrindo
para a universidade até as 22h30, tomar novamente o coletivo rumo
ao descanso e ir contente para a cama sabendo que no fim do mês
o salário não será suficiente para cobrir suas necessidades
básicas, entre elas a mensalidade da universidade? ("É como
escovar os dentes", Ponto de vista, 26 de março).
Na seção Carta ao leitor da edição 1 795,
tive o prazer de sentir, mais uma vez, a transparência e a ousadia
com as quais é realizado o jornalismo desta tão conceituada
revista semanal. Mesmo correndo o risco de receber uma enxurrada de críticas
negativas, VEJA não se calou. E, dentre outras verdades, afirmou:
"O senador petista Aloizio Mercadante e o ministro do Planejamento, Guido
Mantega, manifestaram na semana passada nostalgia da economia estatal
do regime militar". Realmente, o atual governo está caminhando,
em termos de planejamento estratégico, "de volta ao passado"! Tenho
um único reparo a apresentar à impecável Carta ao
leitor "De volta ao passado", analisando com precisão cirúrgica
a "nostalgia da economia estatal do regime militar", manifestada claramente
pelas estrelas petistas. Faço um reparo ao trecho em que se afirma
que o maior projeto da atual administração, o Fome Zero,
"completou quase três meses sem decolar". Na mesma edição
de VEJA, nas páginas 108 e 109, encontramos um anúncio de
página dupla do Fome Zero, "Nossa guerra é contra a fome",
assinado por todas as entidades que abrigam a mídia brasileira.
E os jornais diários do domingo davam em destaque a notícia
de que já está pronta para ser veiculada uma campanha de
TV, com a modelo e atriz global Paloma Duarte, motivando a população
a apoiar o Fome Zero. Portanto, o Fome Zero decolou, sim, demonstrando
claramente que é o que sempre foi: uma competente, enorme e ruidosa
campanha de propaganda.
Veja essa
Da segurança e do conforto de um escritório, quem sabe ao
certo o que é uma guerra? Ter a família dizimada, o lar
destruído, a paz perdida, filhos nascendo e morrendo em abrigos
antiaéreos. Não ter o que comer, vestir, beber... Não
ter para onde ir. Não ter céu, ar puro, água. Não
saber o dia de amanhã! O passado ensinou os franceses a lutar pela
paz. Eles não são um "exemplo" de quem perdeu muitas guerras
ou se esquivou. A França não deveria ser citada com ironia.
É preciso ter respeito por uma nação que sofreu tanto
(Veja essa, 26
de março). Tudo
bem que Lula tenha levado nove meses para nascer, onze para andar e outros
doze para falar papai e mamãe. Só que não pusemos
um bebê para governar o Brasil. Mexa-se, presidente (Veja
essa, 19 de março)!
É,
Arc, não tem jeito! Todo mundo, aliás, todo o universo,
sabe que você é um "etezinho" muito meigo e inocente e que
está por fora de como funciona o planeta. Aqui, apesar de todo
o avanço, ainda prevalece a lei do mais forte: manda quem pode
e obedece quem tem juízo! Pois é isso o que quer demonstrar
a sede insana de George W. Bush por uma guerra sem pretexto.
Obrigada, Diogo Mainardi, por finalmente nos mostrar por que um presidente,
além de força de vontade, precisa de um mínimo de
educação (ainda que não necessariamente de um diploma)
para poder governar ("Lula lá. Mas lá onde?", 26 de março). Alternadamente
eu te amo e te odeio. Na semana em que tu me inspiras amor, tu me emocionas
e fecho contigo. Mas é quando me despertas ódio que dou
as mais gostosas gargalhadas. Tua iconoclastia me deixa estupefata. Custa-me
voltar a mim. De qualquer sorte, nas letras, depois de Machado de Assis,
és meu ídolo. Tu és o que chamo "mal necessário". Não
posso conter meu orgulho em citar a biografia e as propostas do presidente
Lula para o Brasil. Lula criou um time de assessores com o que há
de melhor na política e na intelectualidade brasileira. Não
creio que o Brasil de hoje (transição) precise exatamente
de um presidente poliglota ou que saiba usar corretamente o vernáculo.
Talvez o canto dos pássaros, na madrugada de 21 de março
em Bagdá, fosse, além de um triste e antecipado lamento
pelo sofrimento e pela morte de pessoas inocentes, também uma tentativa
sutil de avisar que as maravilhas arqueológicas da Mesopotâmia
podem voar pelos ares sem que mãos cuidadosas possam recolocá-las
no lugar ("Canto de passarinho numa hora dessas?", Ensaio, 26 de março). O
próprio Ensaio do senhor Roberto Pompeu de Toledo é uma
"indecente intromissão" na paranóia que a guerra produz
em nossa mente. Ele nos mostra ainda a incrível capacidade de sobrevivência
da esperança nos ambientes mais adversos possíveis.
A tartaruga-da-amazônia está retornando ao cardápio
da culinária brasileira. Seu risco de extinção está
afastado com a legalização de sua criação
e comercialização. O Centro de Conservação
e Manejo de Répteis e Anfíbios (RAN/Ibama) está estimulando,
orientando, acompanhando e fiscalizando 96 criadouros comerciais de tartaruga-da-amazônia
(Podocnemis expansa). Os criadouros autorizados pelo Ibama recebem
os filhotes de quelônios do RAN, e os animais, após atingir
1,5 quilo de peso em cativeiro, podem ser comercializados, devendo os
criadouros reter 10% dos animais para formação do plantel
de matrizes e reprodutores. A criação de tartaruga-da-amazônia
em cativeiro contribuirá para inibir condutas e atitudes consideradas
lesivas ao meio ambiente, permitindo que os estoques naturais sejam preservados
("Proteção às tartarugas", Cartas, 19 de março).
Como representante, para a América Latina, da Associação
Mundial de Entretenimento Temático (TEA), gostaria de endossar
as palavras da reportagem "Até debaixo d'água" (26 de março)
e de destacar que além do sentimento óbvio de que
os hotéis precisam diferenciar-se dentro da multidão de
empreendimentos padronizados possuímos dados concretos que
comprovam que uma tematização bem realizada pode ser uma
ferramenta poderosíssima na busca do sucesso de um empreendimento.
Contudo, uma destinação de atividades (spa, hotel-fazenda
e outros citados) não é o suficiente para caracterizar um
hotel como "temático".
Interessante a reportagem "Até debaixo d'água" (26 de março),
porém o mergulhador utiliza cilindros carregados com o ar
sob alta pressão idêntico ao que respiramos na superfície.
O "balão de oxigênio" é instrumento de uso exclusivamente
médico.
CORREÇÃO: O principal vetor da malária no Brasil é o Anopheles darlingi, e não o Anopheles gambiae, encontrado na África ("Os outros mosquitos", Guia, 26 de março).
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