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Edição 1 796 - 2 de abril de 2003
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"Quem acha que há somente um vilão nessa história – enquanto Saddam Hussein posa de vítima – é muito hipócrita ou muito inocente."
Maria Lúcia Benevides da Silva
Natal, RN

 

Guerra

Sou cidadão americano e moro no Brasil há sete anos. Estou preocupado com as atitudes do atual presidente do meu país, George Bush, e da sua administração. Reconheço as atrocidades cometidas por Saddam Hussein, mas não aceito a idéia de uma invasão – principalmente quando não apoiada pelo Conselho de Segurança da ONU. A administração Bush parece não ouvir a voz do mundo.
Jason Bermingham
São Paulo, SP

Como cidadão brasileiro residente permanente nos Estados Unidos, sou totalmente a favor desta guerra. De um lado, temos um país democrático, que se tornou hegemônico pela disciplina e pelo trabalho de seu povo, com plena liberdade e democracia. De outro, temos um país tirânico, opressor e terrorista.
Breno Carley
Deerfield Beach, Flórida, EUA

Não sou simpatizante de Blair nem de Bush, mas Saddam Hussein é um desequilibrado mental e deve ser destruído junto com sua equipe e seus filhos. Já que os Estados Unidos e o Reino Unido começaram a limpeza, não podem deixá-la pela metade. Têm de acabar com o império de Saddam. E Brasília deveria expulsar os diplomatas iraquianos de lá.
Claudia Gregori
Londres, Inglaterra

Ouço nos noticiários as palavras "guerra", "conflito". Minha mente imediatamente interpreta massacre, execução sumária. Sem mais palavras... Chorando...
Marino Iqueda Junior
Haibara-Gun, Japão

O presidente americano, George W. Bush, é um líder carismático, inteligente e não tem interesse algum no petróleo iraquiano. Primeiro de abril...
Ricardo C. Siqueira
Niterói, RJ

Não há dúvida de que os efeitos de uma guerra são tristes e cruéis. Ninguém quer sofrer esses efeitos. Porém, para evitar que um tirano continue praticando crueldades maiores que as que uma guerra pode causar, é preciso fazer a guerra. Não por petróleo, muito menos contra uma religião, e sim para evitar mais crueldades. Os "pacifistas" dizem querer evitar a guerra para que inocentes não sofram, mas abandonam esses inocentes sob o poder do tirano.
Conrado Brocco Tramontini
Poá, SP

 

Miguel Rossetto

A entrevista com o ministro Miguel Rossetto (Amarelas, 26 de março) é de arrepiar de medo. Se todos agirem sem respeito às leis na conquista do que acham direito, logo mais estaremos nas mãos de quem consegue gritar mais alto. Como um ministro pode apoiar, e até elogiar, um movimento que prega o terror?
Deborah Marques Zoppi
São Paulo, SP

De nada adianta desapropriar sem dar estrutura básica aos assentados. Sem dinheiro, não adianta incitar novas invasões. Acorda, Lula! Colocar raposa para cuidar das galinhas é altamente arriscado.
Marcos Tsukamoto
Água Boa, MT

Miguel Rossetto está em Brasília, amparando a causa dos sem-terra, ganhando seu polpudo salário, pago pela maior parte dos brasileiros, que não matam, não roubam, não invadem e também não comem, não se vestem, não têm saúde nem moram direito e valem apenas 200 reais por mês – e mesmo assim trabalham com dignidade.
Betânya Timão
Roma, Itália

Todos nós sabemos que temos direito à alimentação, à saúde, à moradia, ao lazer. E muitos brasileiros vêm lutando para garantir seus direitos. A diferença em relação ao MST é que aqueles brasileiros têm lutado com dignidade: não roubam, não matam, não "ocupam". E por toda parte há brasileiros dignos e vitoriosos.
Btiany Messias Pereira
Londres, Inglaterra

Acho louvável a preocupação do ministro com o MST, mas o que dizer dos milhares de famílias que há mais de vinte anos se embrenharam pelo interior de Mato Grosso, na Floresta Amazônica, sem estradas, sem água, sem energia elétrica, sem nenhum apoio dos governos, e lá construíram a vida e criaram cidades prósperas. Será que os neo-sem-terra precisam de estrutura ou de vontade de trabalhar?
Helder Munhoz
Cuiabá, MT

Extremamente preocupante a afirmação do ministro Miguel Rossetto de que a única divergência entre ele e o líder do MST, João Pedro Stedile, é que um é gremista e o outro, colorado. O Stedile, além de gremista, é o líder de um movimento que organiza invasões de propriedades privadas, saques e depredações dessas propriedades e humilhação dos mais diversos tipos a seus proprietários.
Rafael Rodrigues da Cunha
Porto Alegre, RS

 

Claudio de Moura Castro

Quando meu estagiário de 24 anos terminava seu programa de estágio, convidei-o para estender seu programa por mais seis meses. Sua resposta foi que não poderia seguir na empresa enquanto estudava, pois seria impossível conciliar as duas atividades simultaneamente. Como pode um brasileiro que precisa acordar às 5 da manhã, utilizar meios de transporte precários, ter uma jornada de trabalho de dez horas, igual à de um país subdesenvolvido, seguir sorrindo para a universidade até as 22h30, tomar novamente o coletivo rumo ao descanso e ir contente para a cama sabendo que no fim do mês o salário não será suficiente para cobrir suas necessidades básicas, entre elas a mensalidade da universidade? ("É como escovar os dentes", Ponto de vista, 26 de março).
Rogério Nabarretti
Santander, Cantábria, Espanha

 

Carta ao leitor

Na seção Carta ao leitor da edição 1 795, tive o prazer de sentir, mais uma vez, a transparência e a ousadia com as quais é realizado o jornalismo desta tão conceituada revista semanal. Mesmo correndo o risco de receber uma enxurrada de críticas negativas, VEJA não se calou. E, dentre outras verdades, afirmou: "O senador petista Aloizio Mercadante e o ministro do Planejamento, Guido Mantega, manifestaram na semana passada nostalgia da economia estatal do regime militar". Realmente, o atual governo está caminhando, em termos de planejamento estratégico, "de volta ao passado"!
Edson F. Nascimento
Ribeirão Preto, SP

Tenho um único reparo a apresentar à impecável Carta ao leitor "De volta ao passado", analisando com precisão cirúrgica a "nostalgia da economia estatal do regime militar", manifestada claramente pelas estrelas petistas. Faço um reparo ao trecho em que se afirma que o maior projeto da atual administração, o Fome Zero, "completou quase três meses sem decolar". Na mesma edição de VEJA, nas páginas 108 e 109, encontramos um anúncio de página dupla do Fome Zero, "Nossa guerra é contra a fome", assinado por todas as entidades que abrigam a mídia brasileira. E os jornais diários do domingo davam em destaque a notícia de que já está pronta para ser veiculada uma campanha de TV, com a modelo e atriz global Paloma Duarte, motivando a população a apoiar o Fome Zero. Portanto, o Fome Zero decolou, sim, demonstrando claramente que é o que sempre foi: uma competente, enorme e ruidosa campanha de propaganda.
Neil Ferreira
Por e-mail

 

Veja essa

Da segurança e do conforto de um escritório, quem sabe ao certo o que é uma guerra? Ter a família dizimada, o lar destruído, a paz perdida, filhos nascendo e morrendo em abrigos antiaéreos. Não ter o que comer, vestir, beber... Não ter para onde ir. Não ter céu, ar puro, água. Não saber o dia de amanhã! O passado ensinou os franceses a lutar pela paz. Eles não são um "exemplo" de quem perdeu muitas guerras ou se esquivou. A França não deveria ser citada com ironia. É preciso ter respeito por uma nação que sofreu tanto (Veja essa, 26 de março).
Danielle Flôre Angèle de Ridder Santi
Por e-mail

Tudo bem que Lula tenha levado nove meses para nascer, onze para andar e outros doze para falar papai e mamãe. Só que não pusemos um bebê para governar o Brasil. Mexa-se, presidente (Veja essa, 19 de março)!
Joitiro Abe
Gifu-ken, Japão

 

Arc

É, Arc, não tem jeito! Todo mundo, aliás, todo o universo, sabe que você é um "etezinho" muito meigo e inocente e que está por fora de como funciona o planeta. Aqui, apesar de todo o avanço, ainda prevalece a lei do mais forte: manda quem pode e obedece quem tem juízo! Pois é isso o que quer demonstrar a sede insana de George W. Bush por uma guerra sem pretexto.
Ana Carolina Ferraz
Por e-mail

 

Diogo Mainardi

Obrigada, Diogo Mainardi, por finalmente nos mostrar por que um presidente, além de força de vontade, precisa de um mínimo de educação (ainda que não necessariamente de um diploma) para poder governar ("Lula lá. Mas lá onde?", 26 de março).
Gisele Mendes de Carvalho
Zaragoza, Espanha

Alternadamente eu te amo e te odeio. Na semana em que tu me inspiras amor, tu me emocionas e fecho contigo. Mas é quando me despertas ódio que dou as mais gostosas gargalhadas. Tua iconoclastia me deixa estupefata. Custa-me voltar a mim. De qualquer sorte, nas letras, depois de Machado de Assis, és meu ídolo. Tu és o que chamo "mal necessário".
Janette Helena Rodrigues
São Leopoldo, RS

Não posso conter meu orgulho em citar a biografia e as propostas do presidente Lula para o Brasil. Lula criou um time de assessores com o que há de melhor na política e na intelectualidade brasileira. Não creio que o Brasil de hoje (transição) precise exatamente de um presidente poliglota ou que saiba usar corretamente o vernáculo.
Sandra Buarque
Orange Beach, Alabama, EUA

 

Roberto Pompeu de Toledo

Talvez o canto dos pássaros, na madrugada de 21 de março em Bagdá, fosse, além de um triste e antecipado lamento pelo sofrimento e pela morte de pessoas inocentes, também uma tentativa sutil de avisar que as maravilhas arqueológicas da Mesopotâmia podem voar pelos ares sem que mãos cuidadosas possam recolocá-las no lugar ("Canto de passarinho numa hora dessas?", Ensaio, 26 de março).
Neise Barreto Bugni
São Bernardo do Campo, SP

O próprio Ensaio do senhor Roberto Pompeu de Toledo é uma "indecente intromissão" na paranóia que a guerra produz em nossa mente. Ele nos mostra ainda a incrível capacidade de sobrevivência da esperança nos ambientes mais adversos possíveis.
Glauber Ramos de França Lima
Goiânia, GO

 

Tartaruga no prato

A tartaruga-da-amazônia está retornando ao cardápio da culinária brasileira. Seu risco de extinção está afastado com a legalização de sua criação e comercialização. O Centro de Conservação e Manejo de Répteis e Anfíbios (RAN/Ibama) está estimulando, orientando, acompanhando e fiscalizando 96 criadouros comerciais de tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa). Os criadouros autorizados pelo Ibama recebem os filhotes de quelônios do RAN, e os animais, após atingir 1,5 quilo de peso em cativeiro, podem ser comercializados, devendo os criadouros reter 10% dos animais para formação do plantel de matrizes e reprodutores. A criação de tartaruga-da-amazônia em cativeiro contribuirá para inibir condutas e atitudes consideradas lesivas ao meio ambiente, permitindo que os estoques naturais sejam preservados ("Proteção às tartarugas", Cartas, 19 de março).
Antonio Erlindo Braga
Associação Brasileira de Criadores de Quelônios
Belém, PA

 

Turismo

Como representante, para a América Latina, da Associação Mundial de Entretenimento Temático (TEA), gostaria de endossar as palavras da reportagem "Até debaixo d'água" (26 de março) e de destacar que – além do sentimento óbvio de que os hotéis precisam diferenciar-se dentro da multidão de empreendimentos padronizados – possuímos dados concretos que comprovam que uma tematização bem realizada pode ser uma ferramenta poderosíssima na busca do sucesso de um empreendimento. Contudo, uma destinação de atividades (spa, hotel-fazenda e outros citados) não é o suficiente para caracterizar um hotel como "temático".
Leonardo Fontenele
Presidente da Latin American Division Associação Mundial de Entretenimento Temático
São Paulo, SP

 

Mergulho

Interessante a reportagem "Até debaixo d'água" (26 de março), porém o mergulhador utiliza cilindros carregados – com o ar sob alta pressão idêntico ao que respiramos na superfície. O "balão de oxigênio" é instrumento de uso exclusivamente médico.
Gilberto Musto
Fernandópolis SP

 

CORREÇÃO: O principal vetor da malária no Brasil é o Anopheles darlingi, e não o Anopheles gambiae, encontrado na África ("Os outros mosquitos", Guia, 26 de março).

 

 

VEJA COMO PÁGINA INICIAL DE SEU NAVEGADOR

O leitor José Antonio Schmidt Alves gostou das novidades do Guia Internet de VEJA on-line: "Sou aposentado, 66 anos, e há cerca de três anos a página inicial do meu navegador é a de VEJA. Agora, com novas inclusões, ela ficou melhor ainda". No Guia Internet do site da revista estão listados mais de 300 endereços interessantes organizados por assunto. Funciona como um diretório, em que o internauta seleciona o tema e escolhe uma página dentre as várias indicadas. Há uma breve descrição do site e um resumo de seu conteúdo. Sua atualização é permanente, e na semana passada o serviço passou por uma reformulação com a adição de novos endereços. "A inclusão mais sensacional que achei foi a de Portais do Mundo, que dá acesso à Biblioteca do Congresso americano", escreveu Alves. Faça do Guia Internet de VEJA on-line a página inicial de seu navegador.

 

LEITORES ELOGIAM FHC

Cento e oitenta e um leitores escreveram para a redação de VEJA referindo-se à entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (19 de março). Nove em cada dez elogiaram o presidente e afirmaram ter gostado da entrevista, que foi a oitava mais comentada pelos leitores em toda a história da revista (Amarelas, 19 de março). Veja o ranking das dez entrevistas mais comentadas.

 

FAÇA HUMOR...

O leitor Francisco Soza, de Salvador, Bahia, mandou para a seção de Cartas de VEJA sua visão, em forma de charge, da questão iraquiana. "É uma visão humorada (se é que pode) dessa tragédia que é a guerra no Iraque", escreveu. Soza, artista plástico e ilustrador, é também um ótimo caricaturista, como se pode verificar no desenho que ilustra esta nota. Conheça o trabalho de Soza em seu site: http://br.geocities.com/fsozartistic.

 

COMO ESCOVAR OS DENTES

No artigo "É como escovar os dentes" (Ponto de vista, 26 de março), o colunista Claudio de Moura Castro mostrou que quem sabe fazer determinada tarefa deve ensinar direito sua rotina a quem irá realizá-la no futuro. O resto "é rotina, como escovar os dentes, não precisa pensar", disse Castro. Vinte e quatro dentistas escreveram para a redação censurando a afirmação. "O hábito de higiene é fruto de muita instrução e educação por parte de um dentista, somadas à boa intenção e ao auxílio de seus pacientes na prática diária desse cuidado bucal", escreveu o professor Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes, diretor da Sociedade Brasileira de Periodontologia (www.sobrape.org.br). Na verdade, os protestos só dão razão aos argumentos de Castro: quem sabe como fazer (os dentistas) deve ensinar direito a quem vai realizar a tarefa (seus pacientes e o público em geral).

 



 
 
   
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