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Sintonia
com o Brasil real
No passado recente, a economia brasileira foi um alvo sensível
de crises internacionais. Nos anos 90, o Brasil sofreu severas conseqüências
depois da quebra de países na Ásia e, mais tarde, da Rússia.
Agora, surpreendentemente, a economia brasileira vem passando incólume
pelas turbulências planetárias criadas pelo ataque americano
ao Iraque. Contrariando as previsões dos analistas, a guerra, por
enquanto, não está afetando o Brasil de forma negativa.
Ao contrário, em plena vigência dos bombardeios no Golfo
Pérsico, tem havido uma melhora constante dos indicadores de solidez
das finanças brasileiras. Essa situação positiva
reflete a confiança internacional nos rumos da política
econômica imprimida pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci,
e chancelada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com quase
100 dias no poder, é um feito do governo Lula manter a economia
no rumo e o país respeitado e até abundantemente elogiado
por protagonistas influentes das finanças internacionais, como
Horst Koehler, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional.
A administração Lula não faz alarde de seus avanços
nessa área, talvez pelo fato de alguns petistas considerarem a
estabilidade monetária uma conquista do governo FHC e não
de toda a sociedade brasileira. Mas esses avanços são extraordinários
e poderiam estar legitimamente sendo usados para polir a imagem do governo.
O rigor fiscal de Lula é ainda mais incontrastável que o
de FHC e, melhor, é percebido assim pelo mercado e pelos políticos.
Em janeiro, os governadores ensaiaram um movimento para renegociar suas
dívidas com a União. Lula e Palocci foram firmes em suas
negativas, sugerindo aos governadores que aprofundassem os ajustes das
contas dos Estados. Na semana passada, Aécio Neves, governador
de Minas Gerais, anunciou os mais profundos cortes de despesas da história
do Estado, cujas finanças foram deixadas por seu antecessor, Itamar
Franco, em situação de calamidade. O que se vê é
uma sintonia fina do governo Lula com o que há de melhor em matéria
de finanças públicas. O que é preciso agora é
que essa eficiência se alastre para outros setores do governo, que
nem parecem frutos da mesma árvore de Lula e Palocci.
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