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Edição 1 796 - 2 de abril de 2003
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Sintonia com o Brasil real

No passado recente, a economia brasileira foi um alvo sensível de crises internacionais. Nos anos 90, o Brasil sofreu severas conseqüências depois da quebra de países na Ásia e, mais tarde, da Rússia. Agora, surpreendentemente, a economia brasileira vem passando incólume pelas turbulências planetárias criadas pelo ataque americano ao Iraque. Contrariando as previsões dos analistas, a guerra, por enquanto, não está afetando o Brasil de forma negativa. Ao contrário, em plena vigência dos bombardeios no Golfo Pérsico, tem havido uma melhora constante dos indicadores de solidez das finanças brasileiras. Essa situação positiva reflete a confiança internacional nos rumos da política econômica imprimida pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e chancelada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com quase 100 dias no poder, é um feito do governo Lula manter a economia no rumo e o país respeitado e até abundantemente elogiado por protagonistas influentes das finanças internacionais, como Horst Koehler, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional.

A administração Lula não faz alarde de seus avanços nessa área, talvez pelo fato de alguns petistas considerarem a estabilidade monetária uma conquista do governo FHC e não de toda a sociedade brasileira. Mas esses avanços são extraordinários e poderiam estar legitimamente sendo usados para polir a imagem do governo. O rigor fiscal de Lula é ainda mais incontrastável que o de FHC e, melhor, é percebido assim pelo mercado e pelos políticos. Em janeiro, os governadores ensaiaram um movimento para renegociar suas dívidas com a União. Lula e Palocci foram firmes em suas negativas, sugerindo aos governadores que aprofundassem os ajustes das contas dos Estados. Na semana passada, Aécio Neves, governador de Minas Gerais, anunciou os mais profundos cortes de despesas da história do Estado, cujas finanças foram deixadas por seu antecessor, Itamar Franco, em situação de calamidade. O que se vê é uma sintonia fina do governo Lula com o que há de melhor em matéria de finanças públicas. O que é preciso agora é que essa eficiência se alastre para outros setores do governo, que nem parecem frutos da mesma árvore de Lula e Palocci.

 
 
   
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