"Tudo
o que eu vi até agora", manda dizer Arc, o marciano,
de algum lugar do Iraque, "todo mundo sabia que ia acontecer.
As armas de precisão cirúrgica erraram até
de país! Ferem e matam crianças,
velhos, homens e mulheres. Gente com medo, que nem sabe o porquê
dessa guerra. Alguém sabe? Só quem a provocou.
Essas coisas acontecem, diz uma autoridade. Na guerra, atingir
inocentes é inevitável, diz outra. Só falta
dizer que é normal. Bombas destroem casas, lojas e
farmácias.
E faltam comida, remédio e água. O céu
vermelho durante as tempestades de areia aumenta o medo. E as
trapalhadas? Matam-se uns aos outros, do mesmo lado, sem perceber.
E que diferença faz? Só tem inocente morrendo,
seja amigo ou inimigo. Aliás, quem é amigo ou
inimigo de quem? Os povos são inimigos? Os povos querem
a paz, não a guerra. E as mentiras? Mente-se em ambas
as partes. Acham que enganam o mundo. Mundo que não sabe
como responder a só uma pergunta: como pode esse horror
acontecer pela vontade de um único homem? Você
sabe a resposta, terráqueo?"
Essa eu passo, Arc...
*
Arc é marciano e invisível. Como não consegue
entender
a guerra, foi ao Iraque ver os acontecimentos de perto.
Não disse quando volta. Nem se volta...