Edição 1894 . 2 de março de 2005

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CINEMA

Divulgação
Quaid (à esq.), em O Vôo da Fênix: machão, mas com senso de humor


O Vôo da Fênix
(Flight of the Phoenix,
Estados Unidos, 2004. Estréia nesta sexta-feira) – Um avião cai no meio do Deserto de Gobi, na Mongólia. Um dos passageiros – que ninguém parece conhecer – diz ser projetista de aeronaves, e afirma que fará um novo avião a partir dos destroços. Eis a dúvida: é melhor esperar por resgate sem fazer nada, para poupar água, ou partir para a ação – e, caso ela dê errado, abreviar a própria sobrevivência? Refilmagem de um pequeno clássico de 1965, O Vôo da Fênix se apóia menos nesse dilema moral e mais na aventura pura e simples, com os personagens indispensáveis no gênero – o místico, o estranho, a mocinha valente e, claro, o machão, papel que Dennis Quaid desempenha com gosto e senso de humor. Um filme B competente, que vale quanto pesa. Veja cenas.

 

DVDs

Without a Trace – Desaparecidos (Without a Trace, Estados Unidos, 2002/2003. Warner) – Na onda do sucesso das séries policiais, o produtor Jerry Bruckheimer – o mesmo de C.S.I. – criou esse que é um dos programas mais bem roteirizados da televisão americana. Uma equipe do FBI resolve, a cada episódio, um novo caso de desaparecimento, sempre trabalhando contra o relógio: a cada hora que passa diminuem as chances de que se encontre com vida uma pessoa desaparecida. O trunfo dos 23 episódios desta primeira temporada é invariavelmente o elenco, em que se destacam os australianos Anthony LaPaglia e Poppy Montgomery, além da inglesa Marianne Jean-Baptiste, conhecida do público por sua grande atuação no filme Segredos e Mentiras.

Feios, Sujos e Malvados (Brutti, Sporchi e Cattivi, Itália, 1976. Versátil) – Quatro gerações de uma família miserável, ignorante e sem nenhuma moral amontoam-se num barraco na periferia de Roma, à espera de que o seu repulsivo patriarca (Nino Manfredi) passe desta para melhor e deixe para eles a indenização que recebeu ao perder o olho esquerdo. Como o patriarca parece ir muito bem de saúde – e gasta sua suposta fortuna com bebedeiras e prostitutas de quinta categoria, que põe para morar na sua casa –, a família decide tomar uma atitude para apressar seu funeral, numa cena antológica do cinema italiano. É o filme mais famoso do prolífero Ettore Scola, e não sem razão: é difícil encontrar exemplo mais cauterizante do que esse de humor aplicado à sátira social.

O Preço de uma Verdade (Shattered Glass, Estados Unidos/Canadá, 2003. Columbia) – Estrela em ascensão da revista The New Republic, um dos esteios da intelectualidade americana, o jovem Stephen Glass tinha o dom de encontrar e destrinchar pautas instigantes. Uma delas, aliás, causou tanto furor na imprensa que, naturalmente, vários outros veículos tentaram continuar a investigação. Em vão: o que se descobriu é que Glass era um falsificador contumaz e forjou quase tudo o que escreveu para a New Republic. Soberbamente roteirizada e dirigida, essa recriação de um escândalo verídico da imprensa americana ganha pontos extras pela atuação magistral do jovem Peter Sarsgaard como o editor que, em 1998, trouxe à luz as mentiras de seu repórter. Veja cenas.

 

DISCO

I Can't Be New, Susan Werner (Sum) – A trajetória musical de Susan Werner é inusitada. Ela começou com apenas 5 anos, tocando violão na igreja, estudou ópera na universidade e consagrou-se como cantora de música folk. Em I Can't Be New – seu primeiro disco lançado no Brasil –, ela se afasta do folk para reviver o espírito de grandes artistas do cancioneiro americano, como Cole Porter e Ella Fitzgerald. Com treze canções de composição própria, Susan mostra que pode ser uma cantora à moda antiga. A voz é agradável e cativante, e as letras casam-se perfeitamente ao som nostálgico do disco. São belas músicas de amor e desilusão, como Late for the Dance e Seeing You Again.

 

LIVROS

Erros Clericais, de Alan Isler (tradução de Fausto Wolff; Record; 368 páginas; 43,90 reais) – O inglês Isler buscou as tradições do melhor humor judaico para compor essa sátira religiosa – cujo principal alvo é a Igreja Católica. Seu herói é Edmond Music, um judeu converso ao catolicismo que, apesar de se tornar padre, não acredita em Deus. Atleta sexual na juventude, Music ainda conserva uma amante, a sua governanta, e leva uma vida cínica e despreocupada como diretor de uma preciosa biblioteca de raridades. Sua rotina dissoluta será perturbada pelo padre Fred Twombly, um velho inimigo que investiga o desaparecimento de um suposto manuscrito de Shakespeare que estava sob os cuidados de Music. Isler talvez irrite os mais ortodoxos, mas seu humor é impagável. Leia trecho.

Canções da Inocência e da Experiência, de William Blake (tradução de Mário Alves Coutinho e Leonardo Gonçalves; Crisálida; 152 páginas; 23 reais) – A obra de Blake (1757-1827) é uma das mais belas da poesia inglesa. E também uma das mais estranhas: Blake, que dizia ter enxergado Deus com 4 anos de idade, criava versos cheios de imagens visionárias e referências religiosas. Traduzidos integralmente pela primeira vez no Brasil, Canções da Inocência e da Experiência incluem alguns dos poemas mais conhecidos do autor, como O Tygre e O Limpador de Chaminés. Uma pena que a tradução, embora correta, nem sempre se aproxime do brilho e da fluência dos versos originais. A edição, pelo menos, é bilíngüe. Leia trecho.

 

 

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