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Carta ao leitor
Viva a diferença
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Capas de
VEJA sobre o avanço das mulheres |
Uma reportagem especial deste número
de VEJA trata de um tema que fascina por parecer óbvio mas
ser cheio de complexidades. Fala-se aqui das diferenças entre
homem e mulher. As óbvias são as de origem biológica
e mesmo entre elas os cientistas descobrem a cada dia mais
nuanças. Para citar apenas uma das muitas que a reportagem
relata, as células cardíacas das mulheres são
mais resistentes ao stress e a outras agressões ambientais.
O coração delas se desgasta muito mais lentamente
do que o dos homens.
As diferenças complexas são
as de origem social e psicológica. Aí se entra em
terreno movediço. Os papéis sociais dos dois sexos
se distanciaram desde que nossas avós ancestrais ficavam
nas cavernas transmitindo cultura e cercando os filhos de carinho,
enquanto os homens se agrupavam para caçar seus mamutes.
Elas desenvolveram a intuição e a empatia. Eles aprimoraram
as estratégias, a disposição para o confronto
verbal e físico, a pugnacidade. Agora, esses papéis
começam a se confundir a ponto de os pesquisadores destacarem,
como mostra a reportagem de VEJA, a existência de homens com
cérebro predominantemente feminino e mulheres cujo
intelecto é especialmente dotado de características
antes tidas como masculinas.
Não se pode deixar de notar que o principal
motor dessas mudanças veio das mulheres e da revolução
social, profissional e comportamental que elas fizeram no decorrer
das últimas décadas. Desde a conquista do direito
de votar, em fins do século XIX, as mulheres lançaram-se
em uma aventura que ultrapassa em muito os sonhos das mais ousadas
sufragistas. No Brasil de hoje elas já são maioria
entre os formandos das universidades (63%) e empatam com os homens
no preenchimento de vagas nas grandes empresas, onde, nos cargos
mais altos, elas começam a se fazer representar em cada vez
maior número. As mulheres têm também ligeira
vantagem (51%) entre as pessoas que fazem de VEJA sua leitura habitual.
Para nós é uma satisfação constatar
que, na preferência por VEJA, mulheres e homens são
iguais.
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