Edição 1894 . 2 de março de 2005

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Carta ao leitor
Viva a diferença


Capas de VEJA sobre o avanço das mulheres

Uma reportagem especial deste número de VEJA trata de um tema que fascina por parecer óbvio mas ser cheio de complexidades. Fala-se aqui das diferenças entre homem e mulher. As óbvias são as de origem biológica – e mesmo entre elas os cientistas descobrem a cada dia mais nuanças. Para citar apenas uma das muitas que a reportagem relata, as células cardíacas das mulheres são mais resistentes ao stress e a outras agressões ambientais. O coração delas se desgasta muito mais lentamente do que o dos homens.

As diferenças complexas são as de origem social e psicológica. Aí se entra em terreno movediço. Os papéis sociais dos dois sexos se distanciaram desde que nossas avós ancestrais ficavam nas cavernas transmitindo cultura e cercando os filhos de carinho, enquanto os homens se agrupavam para caçar seus mamutes. Elas desenvolveram a intuição e a empatia. Eles aprimoraram as estratégias, a disposição para o confronto verbal e físico, a pugnacidade. Agora, esses papéis começam a se confundir a ponto de os pesquisadores destacarem, como mostra a reportagem de VEJA, a existência de homens com cérebro predominantemente feminino – e mulheres cujo intelecto é especialmente dotado de características antes tidas como masculinas.

Não se pode deixar de notar que o principal motor dessas mudanças veio das mulheres e da revolução social, profissional e comportamental que elas fizeram no decorrer das últimas décadas. Desde a conquista do direito de votar, em fins do século XIX, as mulheres lançaram-se em uma aventura que ultrapassa em muito os sonhos das mais ousadas sufragistas. No Brasil de hoje elas já são maioria entre os formandos das universidades (63%) e empatam com os homens no preenchimento de vagas nas grandes empresas, onde, nos cargos mais altos, elas começam a se fazer representar em cada vez maior número. As mulheres têm também ligeira vantagem (51%) entre as pessoas que fazem de VEJA sua leitura habitual. Para nós é uma satisfação constatar que, na preferência por VEJA, mulheres e homens são iguais.

 
 
 
 
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