Edição 1890 . 2 de fevereiro de 2005

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Televisão
Entreter sem emburrecer

Com esse lema, o Discovery
virou uma potência da TV

Fotos divulgação

Exibido pelo canal pago Discovery nas noites de sábado, o programa Mythbusters – Os Caçadores de Mitos fala de ciência com uma fórmula inusitada. O mote dessa série de sucesso, cuja nova temporada estréia no país neste sábado, é checar se certas crendices populares têm embasamento científico – e seus apresentadores levam a tarefa às últimas conseqüências. Especialistas em efeitos especiais, Adam Savage e Jamie Hyneman recriam as condições de um poço de areia movediça para verificar se algo assim pode ser tão perigoso quanto se vê no cinema. Em outro programa, a questão é se as pessoas se molham mais quando correm ou andam na chuva – depois de um teste, descobrem que tanto faz. A partir desses motes, Mythbusters discorre sobre ciência de forma descontraída. Trata-se de uma produção típica do Discovery, com edição ágil, trilha sonora moderninha e apresentadores alucinados. Com essa receita, feita sob medida para os jovens que compõem a base de sua audiência, o canal mudou o conceito de documentário na TV. Provou que é possível fazer programas de conteúdo, ao mesmo tempo que instigantes e divertidos.

Em meados dos anos 80, quando o professor americano John Hendricks concebeu o Discovery, a televisão a cabo ainda engatinhava e a idéia de um canal voltado para os documentários nunca tinha sido explorada. Para criá-lo, ele hipotecou sua casa e levantou 5 milhões de dólares com investidores. Vinte anos depois, sua invenção é uma potência mundial. Do canal pago original desdobraram-se outros como o Animal Planet, especializado em bichos, o Discovery Health, que trata de saúde, e o Discovery Kids, voltado às crianças. O conglomerado atinge 1 bilhão de espectadores em 165 países e fatura cerca de 2 bilhões de dólares anuais. O Discovery deu uma contribuição inestimável à evolução dos documentários ao investir milhões de dólares em produções calcadas na computação gráfica. Suas séries sobre dinossauros são um exemplo disso. Mas o uso desses recursos tem impacto em outras áreas. Programas como o recém-exibido História Virtual demonstram que já não há limites na reconstituição do passado. Ao recriar a rotina dos líderes da II Guerra no dia de um atentado frustrado contra Hitler, o programa transporta o espectador para a intimidade desses personagens.

O Discovery não só se nutre das descobertas científicas: ele também as financia. O canal mantém um fundo para bancar pesquisas, como a que resultou no especial sobre múmias Nefertiti Revelada. Fiel a suas origens, o canal também investe pesado em educação. Por meio de parcerias com países em desenvolvimento, leva sua programação, de graça, para comunidades carentes. O tabu de que televisão educativa é sempre enfadonha não resistiria a uma investigação da dupla aloprada de Mythbusters. O Discovery faz esse mito cair por terra.

 

TV ABERTA

Em visita ao Brasil, a presidente mundial do Discovery, Judith A. McHale, falou a VEJA sobre as atrações e a filosofia do canal.


AP


COMO FAZER PROGRAMAS ATRAENTES SEM PERDER O RIGOR CIENTÍFICO?

Nossas atrações só vão ao ar depois de um controle de qualidade exaustivo, da apresentação ao conteúdo. Mas, diferentemente de outros canais de documentários, como o National Geographic, não optamos por ter o domínio absoluto sobre cada passo das produções. Em vez disso, preferimos fazer parcerias com produtoras independentes. Investir em produções locais, como fazemos cada vez mais no Brasil, é um modo de criar vínculos com a audiência e garantir uma programação diversificada.

QUE BALANÇO A SENHORA FAZ DA ATUAÇÃO DO CANAL NA EDUCAÇÃO?
A programação do Discovery é utilizada em escolas ao redor do mundo. Mas vamos além. Criamos um programa de parceria com nações em desenvolvimento. Crianças de países como a África do Sul e o Equador já foram beneficiadas e estamos em negociação para que o mesmo ocorra no Brasil. Não impomos conteúdo a ninguém: são as comunidades que decidem o que lhes interessa ou não de nossa biblioteca de 100 000 horas de programação.

COMO A TECNOLOGIA MUDOU OS DOCUMENTÁRIOS?
A computação gráfica causou uma revolução. O Discovery está na vanguarda dessas mudanças, ainda que isso nos coloque em controvérsias. Quando exibimos História Virtual, a recriação da intimidade de personagens como Hitler e Churchill foi vista por alguns como uma falsificação da história. Mas fizemos enorme esforço de pesquisa e nos cercamos de especialistas para que cada detalhe tivesse respaldo em fatos documentados.

 
 
 
 
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