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Televisão
Entreter sem emburrecer
Com esse lema, o Discovery
virou uma potência da TV
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Fotos divulgação

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Exibido pelo canal pago Discovery nas noites
de sábado, o programa Mythbusters Os Caçadores
de Mitos fala de ciência com uma fórmula inusitada.
O mote dessa série de sucesso, cuja nova temporada estréia
no país neste sábado, é checar se certas crendices
populares têm embasamento científico e seus
apresentadores levam a tarefa às últimas conseqüências.
Especialistas em efeitos especiais, Adam Savage e Jamie Hyneman
recriam as condições de um poço de areia movediça
para verificar se algo assim pode ser tão perigoso quanto
se vê no cinema. Em outro programa, a questão é
se as pessoas se molham mais quando correm ou andam na chuva
depois de um teste, descobrem que tanto faz. A partir desses motes,
Mythbusters discorre sobre ciência de forma descontraída.
Trata-se de uma produção típica do Discovery,
com edição ágil, trilha sonora moderninha e
apresentadores alucinados. Com essa receita, feita sob medida para
os jovens que compõem a base de sua audiência, o canal
mudou o conceito de documentário na TV. Provou que é
possível fazer programas de conteúdo, ao mesmo tempo
que instigantes e divertidos.
Em meados dos anos 80, quando o professor
americano John Hendricks concebeu o Discovery, a televisão
a cabo ainda engatinhava e a idéia de um canal voltado para
os documentários nunca tinha sido explorada. Para criá-lo,
ele hipotecou sua casa e levantou 5 milhões de dólares
com investidores. Vinte anos depois, sua invenção
é uma potência mundial. Do canal pago original desdobraram-se
outros como o Animal Planet, especializado em bichos, o Discovery
Health, que trata de saúde, e o Discovery Kids, voltado às
crianças. O conglomerado atinge 1 bilhão de espectadores
em 165 países e fatura cerca de 2 bilhões de dólares
anuais. O Discovery deu uma contribuição inestimável
à evolução dos documentários ao investir
milhões de dólares em produções calcadas
na computação gráfica. Suas séries sobre
dinossauros são um exemplo disso. Mas o uso desses recursos
tem impacto em outras áreas. Programas como o recém-exibido
História Virtual demonstram que já não
há limites na reconstituição do passado. Ao
recriar a rotina dos líderes da II Guerra no dia de um atentado
frustrado contra Hitler, o programa transporta o espectador para
a intimidade desses personagens.
O Discovery não só se nutre
das descobertas científicas: ele também as financia.
O canal mantém um fundo para bancar pesquisas, como a que
resultou no especial sobre múmias Nefertiti Revelada.
Fiel a suas origens, o canal também investe pesado em educação.
Por meio de parcerias com países em desenvolvimento, leva
sua programação, de graça, para comunidades
carentes. O tabu de que televisão educativa é sempre
enfadonha não resistiria a uma investigação
da dupla aloprada de Mythbusters. O Discovery faz esse mito
cair por terra.
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TV ABERTA
Em visita ao Brasil, a presidente
mundial do Discovery, Judith A. McHale, falou a VEJA
sobre as atrações e a filosofia do canal.
AP
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COMO FAZER PROGRAMAS ATRAENTES SEM PERDER O RIGOR CIENTÍFICO?
Nossas atrações só vão ao
ar depois de um controle de qualidade exaustivo, da
apresentação ao conteúdo. Mas,
diferentemente de outros canais de documentários,
como o National Geographic, não optamos por ter
o domínio absoluto sobre cada passo das produções.
Em vez disso, preferimos fazer parcerias com produtoras
independentes. Investir em produções locais,
como fazemos cada vez mais no Brasil, é um modo
de criar vínculos com a audiência e garantir
uma programação diversificada.
QUE BALANÇO A SENHORA
FAZ DA ATUAÇÃO DO CANAL NA EDUCAÇÃO?
A programação do Discovery é
utilizada em escolas ao redor do mundo. Mas vamos além.
Criamos um programa de parceria com nações
em desenvolvimento. Crianças de países
como a África do Sul e o Equador já foram
beneficiadas e estamos em negociação para
que o mesmo ocorra no Brasil. Não impomos conteúdo
a ninguém: são as comunidades que decidem
o que lhes interessa ou não de nossa biblioteca
de 100 000 horas de programação.
COMO A TECNOLOGIA MUDOU OS
DOCUMENTÁRIOS?
A computação gráfica causou
uma revolução. O Discovery está
na vanguarda dessas mudanças, ainda que isso
nos coloque em controvérsias. Quando exibimos
História Virtual, a recriação
da intimidade de personagens como Hitler e Churchill
foi vista por alguns como uma falsificação
da história. Mas fizemos enorme esforço
de pesquisa e nos cercamos de especialistas para que
cada detalhe tivesse respaldo em fatos documentados.
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