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Cinema O
brilho do fiasco Sideways
ensina a extrair inteligência da mediocridade  Isabela
Boscov
Divulgação
 | | Giamatti
(à esq.) e Church: mágoas da meia-idade afogadas em vinho |

No
mundo do diretor Alexander Payne, os homens despertam, em algum ponto da meia-idade,
para a nitidez cortante de tudo que há de sensabor, pequeno e fracassado
em suas vidas. Trata-se, enfim, do mundo em que vive a maioria da humanidade,
e essa é a primeira virtude de Sideways Entre Umas e Outras
(Sideways, Estados Unidos, 2004), que estréia nesta sexta-feira.
As outras estão no talento de Payne para criar personagens plausíveis,
seu faro para escolher atores e sua dedicação ao roteiro. Em
Sideways, os amigos quarentões Miles (Paul Giamatti) e Jack (Thomas
Haden Church), que vai se casar no sábado seguinte, tiram alguns dias para
viajar pelos vinhedos da Califórnia. Miles, escritor frustrado, imagina
uma semana de degustação de vinhos o único tópico
em que esse pessimista se revela assertivo e desembaraçado. Jack, um ator
falido, imagina outra coisa: sexo, menos por luxúria e mais por pavor do
casamento. É dessas duas obscuras crises de meia-idade, então, que
Sideways trata e de forma belíssima, com humor e tolerância
para com seus personagens. "Gosto da mediocridade", disse Payne a VEJA. Claro
que só como tema: o que Sideways mostra é que nada é
mais revolucionário, hoje, do que falar de pessoas comuns.
| As
indicações |
Melhor filme
Ator coadjuvante: Thomaz H. Church
Atriz coadjuvante: Virginia Madsen
Diretor: Alexander Payne
Roteiro adaptado | | |