Edição 1890 . 2 de fevereiro de 2005

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Cinema
O brilho do fiasco

Sideways ensina a extrair
inteligência da mediocridade


Isabela Boscov

 
Divulgação
Giamatti (à esq.) e Church: mágoas da meia-idade afogadas em vinho

DA INTERNET
Trailer

No mundo do diretor Alexander Payne, os homens despertam, em algum ponto da meia-idade, para a nitidez cortante de tudo que há de sensabor, pequeno e fracassado em suas vidas. Trata-se, enfim, do mundo em que vive a maioria da humanidade, e essa é a primeira virtude de Sideways – Entre Umas e Outras (Sideways, Estados Unidos, 2004), que estréia nesta sexta-feira. As outras estão no talento de Payne para criar personagens plausíveis, seu faro para escolher atores e sua dedicação ao roteiro.

Em Sideways, os amigos quarentões Miles (Paul Giamatti) e Jack (Thomas Haden Church), que vai se casar no sábado seguinte, tiram alguns dias para viajar pelos vinhedos da Califórnia. Miles, escritor frustrado, imagina uma semana de degustação de vinhos – o único tópico em que esse pessimista se revela assertivo e desembaraçado. Jack, um ator falido, imagina outra coisa: sexo, menos por luxúria e mais por pavor do casamento. É dessas duas obscuras crises de meia-idade, então, que Sideways trata – e de forma belíssima, com humor e tolerância para com seus personagens. "Gosto da mediocridade", disse Payne a VEJA. Claro que só como tema: o que Sideways mostra é que nada é mais revolucionário, hoje, do que falar de pessoas comuns.

 

As indicações

Melhor filme
Ator coadjuvante: Thomaz H. Church

Atriz coadjuvante: Virginia Madsen
Diretor: Alexander Payne
Roteiro adaptado

 
 
 
 
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