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Maluf,
Quércia e Jader Barbalho, reunidos pra ver que contribuição
podiam dar à luta contra a violência. Foi aí que Maluf lembrou:
"Engraçado, nunca nenhum de nós três foi assaltado".
Jornalistas perguntam (Ah, como perguntam!): 1.
O que é que o senhor acha que houve de mais marcante no século
XX? Sem ter pra onde escapar (os aeroportos viraram rodoviárias
de quinta, os aviões nacionais, pra decolar, esperam mais subvenções,
a natureza fechou os aeroportos de Nova York depois de destruir meu hotel preferido,
na ilha de Shoy-ton, na Indonésia, e, afinal, nada adiantava mesmo,
pois meu dinheiro estava todo lá no Banco Santos), respondo:
R.: O mais marcante do século XX
foram, sem dúvida alguma, o meu nascimento e a minha sobrevivência
em boa parte dele. Caso contrário o século não existiria
e eu não estaria respondendo a bobagens como essa. Acredito que em outras
partes do Brasil e do mundo o mais importante tenha sido, para si próprio,
o nascimento de cada um. O ser humano não escapa de si mesmo. Pelo menos
até agora. A tecnologia está aí mesmo desdizendo qualquer
afirmativa peremptória. No mais, o século
XX, admirável mundo novo, acabou com um dos sentimentos essenciais ao ser
humano o espanto. Espanto, nunca mais. No século XX criaram-se o
automóvel, o cinema, o avião, a televisão, a cura da poliomielite,
a homossexualidade triunfante, o computador, o celular, o câncer no duodeno,
a viagem à Lua, a aids, a internet, a cópula sem erotismo, a imprensa
desintelectualizada, a fotografia do átomo numa fração 32
milhões de vezes menor do que o nanossegundo. Assim o século XX
pôde rir do século XIX, que não acreditou na luz elétrica,
não acreditou na mecanização em massa, não acreditou
no tear (vide luditas), não acreditou que o automóvel ia substituir
o cavalo nem percebeu que o cavalo era meio burro. Mas o século XXI, este
já está rindo do século XX como o século dos babacas.
Acreditaram em tudo. Até no nazismo, no fascismo, e no comunismo. Por medo
de parecerem velhos, retrógrados ou reacionários. Tiveram medo até
de entrar numa instalação de excrementos e, diante de uma pintura
fecal, resumir sua crítica: "Como fede!"
Mas, espanto, nunca mais. (A não ser que
a tecnologia crie um chip de espanto.) ENQUANTO
ISSO, NOS MAQUIAVELISMOS DO PLANALTO...
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