Edição 1890 . 2 de fevereiro de 2005

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Maluf, Quércia e Jader Barbalho, reunidos pra ver que contribuição podiam dar à luta contra a violência. Foi aí que Maluf lembrou: "Engraçado, nunca nenhum de nós três foi assaltado".

Jornalistas perguntam
(Ah, como perguntam!):

1. O que é que o senhor acha que houve de mais marcante no século XX?
Sem ter pra onde escapar (os aeroportos viraram rodoviárias de quinta, os aviões nacionais, pra decolar, esperam mais subvenções, a natureza fechou os aeroportos de Nova York depois de destruir meu hotel preferido, na ilha de Shoy-ton, na Indonésia, e, afinal, nada adiantava mesmo, pois meu dinheiro estava todo lá no Banco Santos), respondo:  

R.: O mais marcante do século XX foram, sem dúvida alguma, o meu nascimento e a minha sobrevivência em boa parte dele. Caso contrário o século não existiria e eu não estaria respondendo a bobagens como essa. Acredito que em outras partes do Brasil e do mundo o mais importante tenha sido, para si próprio, o nascimento de cada um. O ser humano não escapa de si mesmo. Pelo menos até agora. A tecnologia está aí mesmo desdizendo qualquer afirmativa peremptória.

No mais, o século XX, admirável mundo novo, acabou com um dos sentimentos essenciais ao ser humano – o espanto. Espanto, nunca mais. No século XX criaram-se o automóvel, o cinema, o avião, a televisão, a cura da poliomielite, a homossexualidade triunfante, o computador, o celular, o câncer no duodeno, a viagem à Lua, a aids, a internet, a cópula sem erotismo, a imprensa desintelectualizada, a fotografia do átomo numa fração 32 milhões de vezes menor do que o nanossegundo. Assim o século XX pôde rir do século XIX, que não acreditou na luz elétrica, não acreditou na mecanização em massa, não acreditou no tear (vide luditas), não acreditou que o automóvel ia substituir o cavalo nem percebeu que o cavalo era meio burro. Mas o século XXI, este já está rindo do século XX como o século dos babacas. Acreditaram em tudo. Até no nazismo, no fascismo, e no comunismo. Por medo de parecerem velhos, retrógrados ou reacionários. Tiveram medo até de entrar numa instalação de excrementos e, diante de uma pintura fecal, resumir sua crítica: "Como fede!"

Mas, espanto, nunca mais.

(A não ser que a tecnologia crie um chip de espanto.)

 

ENQUANTO ISSO, NOS MAQUIAVELISMOS DO PLANALTO...

 
 
 
 
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