Edição 1890 . 2 de fevereiro de 2005

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Carta ao leitor
Viva el socialismo!


Reuters
Zapatero com Lula: ser confiável enriquece

Em tempos de desconfiança oficial com o capitalismo anglo-saxão e com a língua inglesa, é útil lembrar que a civilização ibérica também produziu exemplos de governança que vale a pena imitar. O líder socialista espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, visitou o Brasil na semana passada, a caminho do Chile e da Argentina. Em Brasília, ele enfatizou que em seu país, o segundo maior investidor estrangeiro no Brasil, existem inúmeras empresas prontas a abrir filiais brasileiras. Para isso, lembrou Zapatero, elas só esperam que o Brasil acene com um ambiente de negócios menos vulnerável e "com um marco jurídico sólido para garantir os contratos". Logo depois de assumir o poder na Espanha, como contrapartida a continuar investindo em Cuba, Zapatero exigiu que Fidel Castro libertasse catorze dissidentes do regime comunista. Foi atendido.

Em recente palestra no Brasil, o também socialista Felipe González, ex-primeiro-ministro da Espanha, deu uma singelíssima explicação para o sucesso de seu governo: "O enredo para fazer o que tinha de ser feito, como numa boa peça de teatro, era um libreto clássico. Já tinha sido feito em outros países". Quando González chegou ao poder na Espanha, em 1982, a renda per capita era de 5 400 dólares. Ao sair, catorze anos depois, a renda havia triplicado. De país fechado, isolado e periférico, a Espanha havia se tornado uma nação rica, influente e com um papel central na política européia e mundial. González abriu a economia, privatizou estatais deficitárias, deu solidez à moeda e financiou a reestruturação de bancos privados em dificuldades.

Desafiado a dizer qual foi a medida mais vital de seu "libreto clássico", González responde que foi o fato de a Espanha ter se tornado "um país confiável e seguro para os investidores nacionais e estrangeiros". Zapatero e González são socialistas mas não caíram no conto de que solidez jurídica e respeito a contratos são "manias anglo-saxônicas" ou "coisa de colonizados", como se ouve no Brasil – felizmente cada vez menos. Viva el socialismo español!

 
 
 
 
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