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Carta ao leitor
Viva el socialismo!
Reuters
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| Zapatero com Lula: ser confiável enriquece
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Em tempos de desconfiança oficial com
o capitalismo anglo-saxão e com a língua inglesa,
é útil lembrar que a civilização ibérica
também produziu exemplos de governança que vale a
pena imitar. O líder socialista espanhol, José Luis
Rodríguez Zapatero, visitou o Brasil na semana passada, a
caminho do Chile e da Argentina. Em Brasília, ele enfatizou
que em seu país, o segundo maior investidor estrangeiro no
Brasil, existem inúmeras empresas prontas a abrir filiais
brasileiras. Para isso, lembrou Zapatero, elas só esperam
que o Brasil acene com um ambiente de negócios menos vulnerável
e "com um marco jurídico sólido para garantir os contratos".
Logo depois de assumir o poder na Espanha, como contrapartida a
continuar investindo em Cuba, Zapatero exigiu que Fidel Castro libertasse
catorze dissidentes do regime comunista. Foi atendido.
Em recente palestra no Brasil, o também
socialista Felipe González, ex-primeiro-ministro da Espanha,
deu uma singelíssima explicação para o sucesso
de seu governo: "O enredo para fazer o que tinha de ser feito, como
numa boa peça de teatro, era um libreto clássico.
Já tinha sido feito em outros países". Quando González
chegou ao poder na Espanha, em 1982, a renda per capita era de 5
400 dólares. Ao sair, catorze anos depois, a renda havia
triplicado. De país fechado, isolado e periférico,
a Espanha havia se tornado uma nação rica, influente
e com um papel central na política européia e mundial.
González abriu a economia, privatizou estatais deficitárias,
deu solidez à moeda e financiou a reestruturação
de bancos privados em dificuldades.
Desafiado a dizer qual foi a medida mais vital
de seu "libreto clássico", González responde que foi
o fato de a Espanha ter se tornado "um país confiável
e seguro para os investidores nacionais e estrangeiros". Zapatero
e González são socialistas mas não caíram
no conto de que solidez jurídica e respeito a contratos são
"manias anglo-saxônicas" ou "coisa de colonizados", como se
ouve no Brasil felizmente cada vez menos. Viva el socialismo
español!
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