Edição 1 634 -2/2/2000

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Então existe a crise dos sete anos?

Montaegem sobre foto de Pedro Rubens
Casal em crise: lar sólido está mais ligado à rotina do que à aventura

As pessoas se casam porque estão apaixonadas e, nesse momento, não pensam que o chamado lar sólido que desejam está mais associado à rotina do que à aventura. A rotina desencadeará algumas crises e, segundo um estudo realizado por pesquisadores da Wright State University, nos Estados Unidos, uma delas é a famosa "crise dos sete anos". Ela existe e foi detectada no grupo de casais acompanhado pela pesquisa. Pior: anterior a essa crise, haveria uma espécie de prenúncio dela no quinto aniversário da união, quando o casal finalmente se daria conta de que a lua-de-mel acabou.

 

 

Veteranos contundidos

Nos últimos dez anos, o número de pessoas da terceira idade praticando atividades físicas aumentou 75%. Isso é bom, mas muitos andam exagerando nos exercícios. Resultado: aumentou a clientela de idosos nas clínicas ortopédicas. Para evitar contusões, os veteranos devem dar atenção às sessões de alongamento.

 

Seu filho

Um estudo publicado nos Estados Unidos pelo Journal of Nonverbal Behavior concluiu que crianças retraídas e pouco sociáveis desenvolvem uma virtude compensatória: a sinceridade. Depois de oferecer suco de fruta a um grupo de meninos e meninas e perguntar se haviam gostado, os pesquisadores notaram que os mais tímidos não eram capazes de disfarçar uma opinião negativa. Os demais, ao contrário, procuravam – e conseguiam muito bem – simular ter apreciado a bebida, mesmo que não fosse verdade.

 

Pergunta da semana

Luciane Garbin
Em vez de vender caro no Natal e fazer promoções em janeiro, por que o comércio não faz uma média de preços entre os dois meses?

A matemática sugere que tanto faz vender um produto por 3 reais em dezembro e outro por 1 real em janeiro ou oferecê-los a 2 reais cada um. Mas o comércio não funciona dessa forma. Vende-se muito no mês de dezembro, período em que as pessoas não se importam em pagar um pouco mais. Já em janeiro as promoções funcionam como chamariz. Em geral, os consumidores que saem atrás dos produtos com desconto acabam levando muita coisa sem desconto algum. "O cliente vai à loja movido pela liquidação e acaba adquirindo itens cujos preços são os mesmos de dezembro", diz Eugênio Foganholo, diretor de uma consultoria especializada em varejo. No mundo dos negócios, as regras da matemática não podem ser aplicadas com tanto rigor.

 

Está no código

Fotomontagem: Cido
Você já ouviu falar de "direito de arrependimento"? E de "prazo de reflexão"? As expressões são um pouco esquisitas, mas deveriam estar na ponta da língua de qualquer consumidor – principalmente porque as compras pela internet crescem em alta velocidade. O artigo 49 do código do consumidor, embora bem anterior à internet, pode ser estendido a essa modalidade de venda. Ele diz que, se tiver adquirido um produto fora da loja, o comprador tem sete dias para refletir e se arrepender da compra. O problema é conseguir, por meios pacíficos, que a loja virtual devolva o dinheiro. Antes de comprar, vale a pena uma consulta por e-mail para saber se há essa disposição.

 

 

O prejuízo do cheque especial

Quem costuma deixar o cheque especial descoberto esperando compensar com outra aplicação deve ter mais cuidado. Os juros declarados, já bastante altos (variam de 8% a 11% ao mês, segundo o Procon), em geral não correspondem à taxa real cobrada pelo banco. Ela pode crescer até 1 ou 2 pontos porcentuais porque incidem sobre a dívida tarifas como o imposto sobre operações financeiras (o IOF, 1,5% ao ano) e a taxa de abertura de crédito, que chega a custar 100 reais em algumas instituições.

 

 

SAÚDE

Vitamina E

Comprovadamente útil no combate ao envelhecimento, a vitamina E ganhou destaque, de uns anos para cá, na prevenção de doenças cardiovasculares. Um estudo recém-publicado pelo New England Journal of Medicine questiona a eficácia da substância nessa área. No período da pesquisa, os pacientes tratados com a vitamina tiveram mais crises do que aqueles que não a ingeriram.

Horário do remédio

Um ramo da medicina que vem ganhando espaço é a chamada cronofarmacologia, que não deve ser confundida com algum tipo de bruxaria. A cronofarmacologia estuda a melhor hora para as pessoas tomarem os remédios mais delicados. Para os hipertensos, por exemplo, é melhor ingerir remédio entre 6 e 7 horas da manhã, quando a incidência de infartos do miocárdio é maior. Se ingerido antes de dormir, como é hábito, o remédio já terá perdido efeito no horário crítico.

Talco

Não dá para entender por que a indústria farmacêutica ainda insiste em fabricar talco infantil. Há consenso, hoje, entre os pediatras de que o produto é coisa do passado. Em primeiro lugar, o talco resseca a pele do bebê, o que é ruim. Cremes e pomadas, além de ser mais eficazes no tratamento antiassadura, não expõem o bebê ao risco dos problemas respiratórios que o talco pode causar.

 

CARREIRA

Quem esse garoto pensa que é?

Wander Mendes
A cena é cada vez mais freqüente. Recém-saído dos melhores cursos, um pouco arrogante, o chefe é o mais novo da equipe. Os subordinados, alguns com décadas de serviços prestados à empresa, sentem-se desconfortáveis tendo de acatar ordens de um sujeito com menos experiência. Como lidar com a situação? Veja o que dizem os consultores.

1. Idade não é pré-requisito para ser competente
O que interessa para a empresa é que você domine as ferramentas para realizar um bom trabalho. Esteja atento às novas tecnologias – que aliás o chefe, por ser mais jovem, provavelmente maneja melhor do que você.

2. O chefe é arrogante? Ele provavelmente está apavorado...
Com dez ou quinze anos a menos do que você, seu chefe já carrega grandes responsabilidades. Ele trabalha sob constante pressão.

3. Não tenha preconceitos do tipo "Os jovens são todos estúpidos"
Em vez de logo julgá-lo mal, procure saber das experiências anteriores do chefe e investigar sua competência.

4. Valorize a própria experiência
Um aprendizado de décadas de empresa é muito útil a um chefe mais jovem. Tente, com jeito, aconselhá-lo em algumas coisas. Ele lhe será grato.

 

Editado por Christian Schwartz.
Colaboraram Monica Gailewitch e Tatiana Chiari