Edição 1 634 -2/2/2000

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Receita Federal

Multa na turma

Ilustres sonegadores entram na mira da Receita

A ousadia da senadora Heloísa Helena, do PT de Alagoas, aquela que deu voz de prisão ao ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes, acabou custando caro. Ela denunciou os antigos colegas da Assembléia Legislativa de Alagoas à Receita Federal por estarem recebendo uma mesada de até 12.000 reais sem pagar imposto de renda. Imediatamente, o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, iniciou uma devassa em todas as assembléias legislativas do país. Em apenas cinco Estados, já foi descoberta a existência de 191 deputados que devem nada menos que 20 milhões de reais ao Fisco. A surpresa é que nessa lista também consta o nome da própria senadora. Como deputada estadual em Alagoas em 1994, Heloísa Helena usufruía os mesmos privilégios. O resultado é que, assim como seus colegas, ela deve 70.000 reais ao Fisco.

A mesada que os deputados estaduais recebem e não descontam no imposto de renda é, na verdade, a ajuda de custo a que eles têm direito para moradia, viagem, correspondência, telefone e outras despesas. O problema é que esse dinheiro vai direto para o bolso dos deputados. Na Câmara Federal e no Senado, onde existem esses mesmos benefícios, o parlamentar nem vê a cor do dinheiro. O Congresso tem um departamento que se encarrega de efetuar os pagamentos para quem prestou o serviço. Por isso, o deputado federal e o senador não precisam recolher o imposto sobre o benefício. Para a Receita, a regra é simples: se o dinheiro entrou na conta corrente é salário e tem de ser tributado.

Os fiscais da Receita já vasculharam as contas dos parlamentares nos Estados de Alagoas, Pernambuco, Amapá, Rondônia, Distrito Federal e na Câmara de Vereadores de Macapá. Só o Distrito Federal escapou. Nos demais, todos os deputados estaduais e vereadores, sem exceção, foram multados. A assembléia campeã em sonegação é a de Rondônia, onde 48 parlamentares ou ex-deputados estão sendo multados em 5,8 milhões de reais.