Edição 1 634 -2/2/2000

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Piauí

100 milhões

O goleiro amigo que virou milionário

Maurício Lima, de Teresina

Celso Oliveira

Mão Santa: "Meu amigo gosta de aparecer"

Há um empresário no Piauí que atende pelo nome de Mazuca. Ele foi goleiro de um time de futebol do interior, depois comprou uma borracharia, um trio elétrico e uma distribuidora de refrigerante. Essa trajetória ele cumpriu em doze anos. Na semana passada, a Polícia Federal estava de olho em Mazuca, cujo nome completo é José Carlos Bezerra de Sá. É que, nos últimos cinco anos, ele abriu quinze novas empresas. Entre as maiores, possui uma revendedora de automóveis, uma fábrica de soro para hospital, outra fábrica de massas, construtora, empresa de táxi aéreo e uma firma de coleta de lixo. A PF estima que o ex-goleiro seja dono de um patrimônio de 100 milhões de reais.

Como Mazuca fez esse milagre, ninguém conta. Nem ele, que se recusou a receber VEJA. Durante a investigação, a PF descobriu que o empresário é amigo do governador Mão Santa e muito chegado a dois de seus filhos. Com um deles, chegou a ter sociedade numa revendedora de motos. Com a outra, Maria das Graças Moraes Nunes, conversa com freqüência. Uma dessas conversas, feitas ao telefone, foi gravada pela PF. Nela, Maria das Graças pergunta a Mazuca se o prefeito de uma cidade aceita "os 120". Seriam 120 alfaces? Rosas? Beijos?