Edição 1 626 - 1º/12/1999

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Livros

Irresistível Paixão, de Elmore Leonard (tradução de Aulyde Soares Rodrigues; Rocco; 243 páginas; 28 reais) – Quando se diz que um romancista americano tem "qualidades cinematográficas", o melhor é desconfiar. Normalmente isso significa que ele não está nem aí para a literatura e quer apenas fabricar enredos que, facilmente adaptáveis às telas, lhe rendam milhões em Hollywood. Elmore Leonard é uma exceção. Aos 74 anos, ele já viu um número respeitável de seus livros virar filme. Ainda assim, trata-se de um escritor de verdade, um mestre do policial cheio de humor e argúcia. Veja o caso de Irresistível Paixão, que narra o envolvimento entre uma policial e um assaltante. O livro também já virou filme, com George Clooney e Jennifer Lopez nos papéis centrais. E o fato é que o divertimento é muito maior no papel do que na tela.

Viagem Terrível, de Roberto Arlt (tradução de Maria Paula Gurgel Ribeiro; Iluminuras; 125 páginas; 21 reais) – Na literatura argentina moderna, Roberto Arlt ombreia com Jorge Luis Borges. Não que os dois sejam semelhantes. Enquanto Borges era sofisticado e sinuoso, Arlt era contundente, às vezes quase escandaloso, e dono de um texto que muitos críticos chegaram a considerar "desleixado", por seu farto uso de expressões populares. A marca que ele deixou na cultura de seu país, entretanto, é profunda e as novas gerações o lêem cada vez mais. Seria bom que o mesmo ocorresse no Brasil, ainda que tardiamente. Este pequeno volume é uma ótima introdução: além do conto O Traje Fantasma, ele reúne uma novela, Viagem Terrível, e dois relatos menores que serviram de base para que ela fosse escrita.

 

Vídeo

Divulgação
American Pop: um século de música

American Pop (American Pop, Estados Unidos, 1981, Columbia) – Este desenho animado de longa-metragem fez sucesso nos cinemas no início da década de 80. Conta a história de uma família e tem como pano de fundo a música popular dos Estados Unidos, desde o início da era do jazz, na virada do século, até o punk rock. Um menino russo emigra para a América e tenta ganhar a vida no show biz. Outras três gerações se sucedem até que um descendente seu atinge esse objetivo. Assinado por Ralph Baskshi, o mesmo criador do desenho Fritz, the Cat, American Pop é uma celebração musical, com muitas cenas emocionantes.

 

Discos

Live in Concert, Natalie Merchant (WEA) – Nos anos 80, a cantora americana brilhou à frente do ótimo 10 000 Maniacs. O grupo sempre privilegiou as melodias bem-feitas e as referências literárias a escritores da geração beat como Allen Ginsberg e Jack Kerouac. Este CD gravado ao vivo é um belo cartão de visita ao trabalho-solo de Natalie, iniciado em 1995. Tem canções dos dois álbuns já lançados por ela e releituras nada óbvias de clássicos de David Bowie (a arrepiante Space Oddity) e Neil Young. Natalie pode não exibir a potência vocal de uma Whitney Houston, mas certamente tem talento e carisma superiores aos de qualquer Mariah Carey.



King Biscuit Flower Hour Presents Iggy Pop,
Iggy Pop (Abril Music) – Um dos programas radiofônicos mais tradicionais dos Estados Unidos, o King Biscuit Flower Hour, desde 1973 transmite shows dos principais nomes do rock. Em 1995, a marca virou também gravadora, que transforma as apresentações em CDs. Agora, o selo passa a ser representado no Brasil pela Abril Music, braço da Editora Abril na área fonográfica. Entre os primeiros lançamentos, o melhor é o disco de Iggy Pop. O cantor é uma lenda viva do rock. Ex-líder do grupo Stooges e parceiro de David Bowie, cultiva um estilo rude e agressivo que influenciou uma infinidade de bandas desde os anos 70.

 

A Vida É Doce, Lobão (Independente) – Lobão sobreviveu ao modismo do pop-rock nacional dos anos 80, mas depois disso nunca alcançou o mesmo sucesso de alguns de seus colegas, como Lulu Santos ou os Titãs. Em parte, pelo temperamento explosivo que o fez brigar com literalmente todas as grandes gravadoras. A Vida É Doce, bancado pelo próprio artista e vendido apenas em bancas de jornais e megastores, é um de seus melhores discos. Reúne composições românticas, mas nada melosas. Lobão fala de amor de uma forma urgente, angustiada, como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. Tudo isso em canções mais amparadas na boa MPB do que na herança pop.