Edição 1 626 - 1/12/1999

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Livro conta a história do Sepultura

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Vida de metaleiro

Uma história do Sepultura, o grupo que
saiu de Belo Horizonte
e conquistou o mundo

Celso Masson


Ricardo Correa
Show em 1994, que
terminou com Max preso: há também porres, orgias etc.


Q
ualquer história envolvendo o Sepultura costuma ser mais interessante que a própria música da banda. Mal haviam largado as fraldas, os irmãos Max e Igor Cavalera já se vestiam com braceletes cravejados de tachas e pintavam o rosto como se fossem zumbis de filme B. Tocando heavy metal, som que nunca foi um estouro de mercado no Brasil, conseguiram vender milhões de discos e incluir o nome Sepultura no panteão dos monstros sagrados do gênero. A banda virou objeto de fanatismo dos metaleiros no mundo todo, da Irlanda à Indonésia. Quando estava no auge, ela rachou, perdendo Max, principal compositor e vocalista. Juntem-se a essa saga as inumeráveis bebedeiras, as orgias nos camarins, os incidentes ocorridos em alguns dos shows e o resultado é Sepultura – Toda a História (Editora 34; 208 páginas; 20 reais), que chega às livrarias nesta semana. Apesar de todos esses ingredientes, o livro deixa a desejar.

Assinado pelo jornalista André Barcinski e por Silvio Gomes, amigo de primeira hora dos Cavalera, ele traz depoimentos dos integrantes e citações colhidas de jornais e revistas. Além disso, é forrado de fotografias, algumas divertidíssimas, reproduzidas dos vários álbuns que a mãe do baixista Paulo Xisto Pinto Jr. reuniu em quinze anos. Um mérito dos autores é derrubar a lenda de que a carreira internacional dos mineiros foi um mar de rosas. A primeira turnê européia, na qual o Sepultura teve de lidar com a hostilidade da banda alemã Sodom por quase um mês, é um bom exemplo da vida dura na estrada. Também são descritas as longas viagens em que os músicos só podiam dormir sentados, espremidos nos bancos de um ônibus velho.

 

A primeira foto, em 1984: fé no rock e pé na estrada
Por causa da intimidade entre os autores do livro e a banda, não há revelações sobre o episódio mais conturbado da história do Sepultura – o rompimento com a empresária Gloria Cavalera, mulher de Max, que culminou na separação do quarteto. Outro defeito: o livro não arrisca análises originais sobre o fenômeno em que se transformou a banda. Reverente demais, frustra quem deseja ir além de considerações como "não foi só o público que adorou o Sepultura, os críticos também deliraram". De comentários assim, até os fãs já estão cheios.