Ricardo Correa
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Show
em 1994, que
terminou
com Max preso: há também porres, orgias
etc.
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Qualquer
história envolvendo o Sepultura costuma ser mais
interessante que a própria música da banda.
Mal haviam largado as fraldas, os irmãos Max e
Igor Cavalera já se vestiam com braceletes cravejados
de tachas e pintavam o rosto como se fossem zumbis de
filme B. Tocando heavy metal, som que nunca foi um estouro
de mercado no Brasil, conseguiram vender milhões
de discos e incluir o nome Sepultura no panteão
dos monstros sagrados do gênero. A banda virou objeto
de fanatismo dos metaleiros no mundo todo, da Irlanda
à Indonésia. Quando estava no auge, ela
rachou, perdendo Max, principal compositor e vocalista.
Juntem-se a essa saga as inumeráveis bebedeiras,
as orgias nos camarins, os incidentes ocorridos em alguns
dos shows e o resultado é Sepultura
Toda a História
(Editora 34; 208 páginas; 20 reais), que chega
às livrarias nesta semana. Apesar de todos esses
ingredientes, o livro deixa a desejar. 
Assinado
pelo jornalista André Barcinski e por Silvio Gomes,
amigo de primeira hora dos Cavalera, ele traz depoimentos
dos integrantes e citações colhidas de jornais
e revistas. Além disso, é forrado de fotografias,
algumas divertidíssimas, reproduzidas dos vários
álbuns que a mãe do baixista Paulo Xisto
Pinto Jr. reuniu em quinze anos. Um mérito dos
autores é derrubar a lenda de que a carreira internacional
dos mineiros foi um mar de rosas. A primeira turnê
européia, na qual o Sepultura teve de lidar com
a hostilidade da banda alemã Sodom por quase um
mês, é um bom exemplo da vida dura na estrada.
Também são descritas as longas viagens em
que os músicos só podiam dormir sentados,
espremidos nos bancos de um ônibus velho.