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Flores do campo
Nova geração
de cantoras injeta novidades
e muita sensualidade no gênero country
Sérgio
Martins
Quem
se lembra da cantora Dolly Parton e de suas dezenas de
imitadoras? Até há pouco tempo, cantora
de música country era sinônimo de jovens
senhoras com uns quilinhos a mais, perucas exuberantes,
roupas com muitas franjas e baladas chorosas no repertório.
Isso mudou, e como. Hoje, as estrelas do gênero
preferem um visual mais pop e suas curvas fazem qualquer
caubói se enrolar com o próprio laço.
As canções ganharam arranjos mais modernos
e, nas letras, as chorumelas habituais foram substituídas
por temas como a sensualidade e a independência
feminina. É uma espécie de estética
Thelma &
Louise. Essa
mudança radical no universo caipira americano vem
se refletindo nas paradas de sucessos. Antes, a música
country aparecia com destaque apenas na parada dedicada
a ela. Agora, com freqüência, aparece nos primeiros
lugares da parada que considera o mercado como um todo.
É sinal de que ela passou a ser consumida também
por adeptos dos demais gêneros.
A principal
responsável por essa mudança chama-se Shania
Twain. Ela é uma espécie de Garth Brooks
metida em apertadíssimas calças de couro.
Brooks entrou para a história, no início
dos anos 90, como o primeiro artista a tirar a country
music de seu gueto e atrair outras platéias. Ele
chegou a bater concorrentes como Madonna e Michael Jackson.
Shania, por sua vez, está há mais de dois
anos entre os trinta artistas mais vendidos nos Estados
Unidos. Lançado em 1997, o álbum Come
on Over
vendeu até agora 14 milhões de cópias.
Ao todo, a moça já vendeu 30 milhões
de CDs. Boa parte de seu êxito deve-se ao fato de
que ela não faz country music tradicional. As músicas
têm uma sonoridade pesada e solos de guitarra que
poderiam estar em qualquer bom disco de rock. Por isso,
não são poucos os que acreditam que Shania
poderá em breve superar as marcas de Garth Brooks.
"Como tem uma linguagem mais roqueira, Shania é
adorada em diversos países da Europa, enquanto
o sucesso de Garth Brooks é mais restrito aos Estados
Unidos", analisa Carlos Beni, diretor-geral do Country
Music Television, CMT.
O fenômeno
Shania Twain abriu caminho para outras artistas de estilo
semelhante. A vocalista Faith Hill sempre teve uma carreira
voltada para a música caipira tradicional. Tinha
boas vendas, mas nunca foi além da parada country.
Em seu último lançamento, Breathe,
ela optou por arranjos pop. Resultado: o disco entrou
em primeiro lugar na parada americana tradicional, batendo
na mesma semana os roqueiros do Rage Against the Machine.
A opção de Faith Hill chegou a despertar
a ira de seus fãs mais tradicionalistas, que
a acusaram de trair o gênero. A cantora, naturalmente,
está satisfeita com a mudança. "Eu queria
mostrar que posso ser eclética", justificou.
Já o Dixie Chicks, formado por três beldades,
emplacou 2 milhões de cópias vendidas
de seu CD Fly,
depois
que elas participaram da trilha sonora do filme Noiva
em Fuga,
estrelado por Julia Roberts e Richard Gere.
Há
também quem consiga fazer um bom cruzamento entre
a música country tradicional e a moderna. Essa
é a especialidade de LeAnn Rimes, vocalista de
17 anos e profissional desde os 11. Sua voz melancólica
já foi comparada às das grandes intérpretes
do gênero no passado. Entre seus admiradores (de
suas qualidades artísticas, bem entendido) está
o papa João Paulo II. Recentemente, ele a elogiou
depois de ouvi-la cantar o tema principal da minissérie
Jesus, um
especial de Natal produzido pela emissora americana
CBS que foi mostrado em primeira mão no Vaticano.
No
Brasil, por enquanto, a única das novas divas country
a emplacar é Shania Twain. Seus dois CDs lançados
no país venderam 280 000 cópias. Na esteira
desse sucesso, os organizadores da Festa do Peão
Boiadeiro de Barretos, o mais tradicional rodeio brasileiro,
já a convidaram para se apresentar na próxima
edição do evento. "No rodeio deste ano fizemos
uma pesquisa de preferência entre o público
e o nome de Shania bateu o de artistas tradicionais, como
Willie Nelson", diz Alcino Badra Neto, diretor musical da
Festa do Peão. Pudera. Além de bonita e talentosa,
Shania gosta de fazer o gênero provocante. Seus vídeos
são recheados de cenas sensuais e ela freqüentemente
faz alusões ao esporte preferido dos vaqueiros (não,
não é aquele de laçar novilhos). "Entre
quatro paredes, toda garota gosta de ouvir de seu homem
que ela é especial", costuma dizer. Como se vê,
Shania tem a fórmula do sucesso na ponta da língua.
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