Edição 1 626 - 1º/12/1999

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Rei da encrenca

Dançarina, ex-funcionário e até os bombeiros vão à polícia para acusar Sérgio Mallandro

Ricardo Valladares

Antonio Milena
O apresentador e suas coristas: Viviane
(no
destaque) o acusa de assédio sexual

O apresentador Sérgio Mallandro está atolado em encrencas. Em menos de um mês, ele se tornou alvo de um boletim de ocorrência policial por assédio sexual, de outro por ameaça à integridade física e de um terceiro por falso alarme ao Corpo de Bombeiros de São Paulo. De quebra, o ex-diretor de seu programa, Festa do Mallandro, também o acusa de consumir cocaína de maneira contumaz e de forçar as bailarinas do elenco a manter relações sexuais com ele. As confusões envolvendo o apresentador da CNT/Gazeta começaram no início de novembro, com uma tremenda mentira contada ao telespectador. No dia 6, Festa do Mallandro apresentou imagens de uma simulação de salvamento feita pelos bombeiros como se tivessem sido realizadas por seus produtores. Enquanto o vídeo mostrava um vagão de trem em chamas depois de uma explosão, Mallandro sustentava ao público que em seu interior estava um candidato a um prêmio oferecido pelo programa. "Nossa equipe está de parabéns", exultava no ar.

As pegadinhas que deram confusão: "suicida" e imagens roubadas dos bombeiros

 

A farsa provocou um tremendo mal-estar no Corpo de Bombeiros e Sérgio Mallandro teve de se desculpar. Alegou que alguém de sua produção havia se enganado ao colocar a fita. Duas semanas depois o apresentador aprontou novamente com os bombeiros, mas dessa vez a corporação foi à polícia e lavrou a queixa por escrito. Numa de suas "pegadinhas", Mallandro pagou 100 reais ao agente de segurança Nilton Ferreira de Oliva para que ele se pendurasse numa placa de sinalização da Marginal Tietê, uma das vias mais movimentadas de São Paulo, ameaçando suicidar-se. A brincadeira acabou causando um congestionamento de 15 quilômetros. Os bombeiros foram acionados por populares e o trânsito ficou interrompido por vinte minutos, até que Oliva fosse retirado de seu poleiro. A farsa só foi descoberta no hospital psiquiátrico para onde levaram o agente. "Foi uma irresponsabilidade que trouxe prejuízo para nós", diz o major Manoel Antonio da Silva Araújo, do Corpo de Bombeiros.

Antonio Milena
Santos (ao centro), ex-diretor do programa, e Viviane: visita ao advogado


Entre esses dois episódios, Sérgio Mallandro envolveu-se numa acusação mais grave. No dia 12, Viviane Moreira Fernandes, que durante dez meses dançou como corista no programa da CNT, dirigiu-se à delegacia e abriu um inquérito policial contra o apresentador por abuso sexual seguido de atentado violento ao pudor. A história de Viviane começa em Salvador durante a exibição de um
Show do Mallandro. "Ele me agarrou pelo cabelo e disse que, se eu não saísse com ele, estava acabada", conta Viviane. Não é a primeira vez que o apresentador é acusado de abuso sexual. Em 1984, uma moça que conheceu no Carnaval disse à polícia que ele a forçou a manter relações. O caso foi arquivado.

Na segunda-feira da semana passada foi a vez de Nei Carlos dos Santos, ex-diretor de externas da Festa do Mallandro, dirigir-se à delegacia. Ele lavrou um boletim de ocorrência contra o apresentador por ameaça à integridade física. Santos se diz ameaçado de morte pelo ex-patrão e está sob guarda da Delegacia de Proteção à Pessoa. Ele alega que Mallandro lhe ofereceu 50.000 reais para que assumisse a culpa pela pegadinha do "suicida" da Marginal Tietê, livrando-o, dessa forma, de qualquer responsabilidade pela trapalhada. A oferta foi recusada, o que teria deixado Mallandro possesso. "Ele é psicopata, maníaco sexual e cocainômano", diz Santos. "Quero que meus filhos fiquem cegos se eu já cheirei cocaína na vida", defende-se o apresentador, que na semana passada se colocou à disposição da Justiça para realizar exames toxicológicos.

Sérgio Mallandro, carioca, casado e pai de três filhos (que moram em Miami com a mãe), está na televisão há dezoito anos. Com seu programa atual, ele voltou à evidência depois de um longo período de vacas magras. Há alguns anos, desempregado, chegou a se apresentar em circos e casas noturnas do interior. Numa ocasião, teve de pedir dinheiro emprestado à amiga Xuxa. Só agora, com um salário na casa dos 100.000 reais, está conseguindo pagar a dívida. "Aquela foi minha pior fase", ele relembra. E emenda: "Mas talvez, no futuro, eu diga o mesmo sobre o que estou vivendo agora".