Gráficos Burti
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Animais
em luta:
traços que lembram
o impressionismo
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Em
1977, a professora de arte Jussara Gruber fez uma opção
profissional diferente. Foi trabalhar numa aldeia de índios
ticunas, na região do Alto Solimões, fronteira
do Brasil com o Peru e a Colômbia. Os 32.000
nativos que formam a nação ticuna sempre
tiveram fama de bons artistas. Em vez de se limitar às
máscaras primitivas e às pinturas corporais,
procuram também documentar as paisagens e os habitantes
da selva. Jussara passou a ensinar técnicas de
desenho e pintura aos índios. A seguir, amparada
por um fundo ligado à Organização
das Nações Unidas, ONU, criou uma escola
destinada à formação de professores
entre os nativos. Seu trabalho gerou ótimos resultados.
Há dois anos, parte da produção de
seus formandos foi publicada no
Livro das Árvores,
sobre a flora da região. A obra chamou a atenção
dos donos da gráfica Burti, uma das maiores do
país, que tradicionalmente enfoca temas brasileiros
em seus caprichados calendários promocionais. A
empresa confiou aos ticunas as ilustrações
de seu calendário para o ano que vem, que será
vendido a partir desta semana no Museu de Arte Moderna
do Rio de Janeiro e na Pinacoteca do Estado, em São
Paulo.
Gráficos Burti
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Paisagem:
parece
obra do
austríaco
Gustav
Klimt
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Os trabalhos
surpreendem pela beleza e pela técnica apurada,
que em alguns casos lembram movimentos pictóricos
europeus. "Esse tipo de traço nasceu de minha observação
das folhas no mato", explica o índio Nhaimatücü,
ou Manuel Alfredo Rosindo, como foi registrado no mundo
dos caras-pálidas. Além de produzir boas
pinturas, alguns deles conseguem justificar, melhor do
que muitos artistas da cidade grande, as motivações
de seu entusiasmo com os pincéis. "Sem o desenho
e a pintura, perderíamos nossa memória mais
depressa", diz Memücü, ou José Custódio
Marques, um dos índios que estiveram em São
Paulo para promover o calendário. A arte desses
ticunas não cabe no trinômio vernissage badalado/vinho
branco/críticos amiguinhos.