Edição 1 626 -1º/12/1999

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Saúde

O fim da picada

Aparelhos e outras invenções ajudam os

diabéticos a conviver melhor com a doença

 

Antonio Milena
Paula Cristina: seringa
de vidro substituída
pela caneta de insulina,
mais prática e indolor

U
ma nova geração de equipamentos promete facilitar, e muito, a vida dos diabéticos, um grupo que reúne quase 8% da população brasileira com mais de 30 anos. São aparelhos que medem com precisão a taxa de glicose no sangue e injetam insulina no organismo de maneira rápida e indolor (veja fichário). A insulina é o hormônio responsável pelo controle da taxa de açúcar no sangue e, em última instância, pelo transporte da glicose que as células transformarão em energia. O organismo de alguns diabéticos não produz a substância. Em outros pacientes, ela até existe, mas é incapaz de cumprir sua função. O grande incômodo de quem padece desse problema sempre foi monitorar a quantidade de insulina necessária e saber os horários exatos da aplicação. "Os equipamentos e a variedade de alimentos dietéticos hoje existentes melhoraram sensivelmente a qualidade de vida do diabético", constata Fadlo Fraige Filho, chefe do departamento de endocrinologia do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, e presidente da Associação Nacional de Assistência ao Diabético. Para não falar dos medicamentos que chegarão em breve ao mercado brasileiro. "São remédios inteligentes", diz Fraige. Eles são assim considerados porque levam o organismo do diabético a trabalhar como o de uma pessoa saudável. Ou seja, reduzem a necessidade da aplicação de doses de insulina.
 
Alimentos com açúcarAs novidades fazem com que o diabético tenha uma vida praticamente igual à das pessoas que não têm a doença. "Com orientação médica, o paciente pode até comer alimentos que levam açúcar", diz o endocrinologista Jorge Luiz Gross, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes. A nutricionista Paula Cristina da Costa, de São Paulo, tinha 9 anos quando teve seu diabetes diagnosticado. Na infância e na adolescência, diluía pó de refresco em água mineral gasosa para imitar refrigerante. Além disso, carregava sempre na bolsa uma seringa de vidro, que tinha de ferver toda vez que precisava da insulina. Hoje, ela carrega na bolsa uma seringa em formato de caneta, que logo deverá ser substituída pelo novo modelo, sem agulha. "Não só a variedade dos alimentos diet aumentou, como esses produtos estão bem mais confiáveis", diz Paula, que hoje tem 26 anos. Os avanços são grandes, mas eles permanecem fora do alcance dos diabéticos menos abastados. A bomba de infusão do quadro abaixo custa mais de 7 000 reais e o refil do glucowatch, outro dos equipamentos citados, custa 4 dólares. Como são necessários dois refis por dia, o controle mensal sai por 240 dólares.