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O
capítulo VEJA
Uma
das passagens de Notícias
do Planalto
trata de um encontro do jornalista Mário
Alberto de Almeida, hoje na chefia da Gazeta
Mercantil, com o então diretor de redação
do jornal O
Estado de S. Paulo,
Augusto Nunes. Almeida teria procurado Nunes no
Estadão
para
tratar de assuntos ligados aos interesses do ex-ministro
da Agricultura Iris Rezende. De acordo com o livro,
Almeida teria entrado na sala de Nunes no dia 24
de março de 1989. Estava nervoso. Começou
dizendo que o jornalista ganhava pouco e precisava
pensar no futuro de suas filhas. Ele, Almeida, poderia
dar um jeito de incluí-lo num "esquema" do
qual faziam parte a empreiteira Andrade Gutierrez
e o Banco de España. Esse esquema passava
por Campinas, base eleitoral do ex-governador de
São Paulo Orestes Quércia. Pela proposta,
Nunes deveria publicar reportagens sobre Iris. A
primeira teria o título obrigatório
de "O ministro das boas notícias". Em troca,
receberia 250 000 dólares. "Eu tenho conversa
na VEJA e na IstoÉ",
teria dito Almeida a Nunes. "A conversa na IstoÉ
não passa pelo Mino", esclareceu, referindo-se
ao então diretor de redação
da revista, Mino Carta. Nunes recusou a oferta.
O
livro diz que Almeida admite o encontro com Nunes,
mas nega a oferta de dinheiro. (Em entrevistas
na semana passada, Almeida insiste que jamais
fez tal proposta.) Em seguida, o livro reproduz
trechos de duas reportagens publicadas por VEJA,
na época dirigida por José Roberto
Guzzo, hoje diretor da revista Exame.
Em ambas, aparece a expressão exigida por
Almeida na reportagem sobre Rezende. O primeiro
trecho, na edição de 22 de fevereiro
de 1989, começa pelo relato dos problemas
enfrentados pelo governo Sarney para, em seguida,
elogiar o ministro da Agricultura: "Nesse
quadro de infortúnios, Iris Rezende é
o único entre os atuais 22 ministros de
Sarney que, todos os anos, só tem boas
notícias a dar". A
segunda reportagem foi publicada mais de um ano
depois, em agosto de 1990, quando Íris
Rezende disputava o governo de Goiás. "Ao
contrário dos demais ministros da área
econômica, Iris sempre teve alguma boa notícia
para anunciar no seu pedaço de governo."
Em entrevistas à imprensa na semana passada,
Conti disse que não foi sua intenção
insinuar que seu ex-colega José Roberto
Guzzo tenha aceitado uma oferta semelhante àquela
feita a Augusto Nunes. Ele apenas descobriu em
sua pesquisa com o material de imprensa da época
que a frase exigida por Almeida consta de reportagens
de VEJA.
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Como
editor de VEJA há mais de trinta anos, estou
acostumado a lidar com investigações,
insinuações, acusações
e contra-acusações. O que considero
essencial enfatizar neste momento é o seguinte:

Como
qualquer pessoa de boa-fé já sabe,
VEJA nunca vendeu e nunca venderá uma única
palavra de seu conteúdo editorial. A separação
absoluta entre o jornalismo e os interesses comerciais
de todas as nossas revistas é um dos "mandamentos"
da Abril, que vem sendo observado com rigor e orgulho
por milhares de jornalistas e publicitários
da Editora ao longo de meio século.
O
corolário disso é que também
não publicamos nada para agradar ao governo,
afagar anunciantes ou beneficiar amigos. Nosso
primeiro e único objetivo editorial é
atender aos interesses de nossos leitores com
informação bem apurada, bem verificada
e bem apresentada.
Evidentemente,
somos falíveis. É inevitável
que apesar de todos os esforços em
contrário erremos ocasionalmente.
Mas nunca de propósito, e sempre dispostos
a reconhecer e retificar nossos erros quanto antes.
Pois a intenção permanente de VEJA
e de todas as demais publicações da
Abril é separar o joio do trigo, analisar
e verificar os fatos que apuramos, e no limite
de nossas possibilidades publicar a verdade.
Sem medo e sem favor. Sempre.
Roberto Civita
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