Edição 1 626 - 1º/12/1999

VEJA esta semana

Brasil
Luiz Estevão em queda livre
O inferno astral de Badan Palhares
FHC longe dos problemas brasileiros
Maluf fará exame de paternidade

Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


O capítulo VEJA

Uma das passagens de Notícias do Planalto trata de um encontro do jornalista Mário Alberto de Almeida, hoje na chefia da Gazeta Mercantil, com o então diretor de redação do jornal O Estado de S. Paulo, Augusto Nunes. Almeida teria procurado Nunes no Estadão para tratar de assuntos ligados aos interesses do ex-ministro da Agricultura Iris Rezende. De acordo com o livro, Almeida teria entrado na sala de Nunes no dia 24 de março de 1989. Estava nervoso. Começou dizendo que o jornalista ganhava pouco e precisava pensar no futuro de suas filhas. Ele, Almeida, poderia dar um jeito de incluí-lo num "esquema" do qual faziam parte a empreiteira Andrade Gutierrez e o Banco de España. Esse esquema passava por Campinas, base eleitoral do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia. Pela proposta, Nunes deveria publicar reportagens sobre Iris. A primeira teria o título obrigatório de "O ministro das boas notícias". Em troca, receberia 250 000 dólares. "Eu tenho conversa na VEJA e na IstoÉ", teria dito Almeida a Nunes. "A conversa na IstoÉ não passa pelo Mino", esclareceu, referindo-se ao então diretor de redação da revista, Mino Carta. Nunes recusou a oferta.

 

O livro diz que Almeida admite o encontro com Nunes, mas nega a oferta de dinheiro. (Em entrevistas na semana passada, Almeida insiste que jamais fez tal proposta.) Em seguida, o livro reproduz trechos de duas reportagens publicadas por VEJA, na época dirigida por José Roberto Guzzo, hoje diretor da revista Exame. Em ambas, aparece a expressão exigida por Almeida na reportagem sobre Rezende. O primeiro trecho, na edição de 22 de fevereiro de 1989, começa pelo relato dos problemas enfrentados pelo governo Sarney para, em seguida, elogiar o ministro da Agricultura: "Nesse quadro de infortúnios, Iris Rezende é o único entre os atuais 22 ministros de Sarney que, todos os anos, só tem boas notícias a dar". A segunda reportagem foi publicada mais de um ano depois, em agosto de 1990, quando Íris Rezende disputava o governo de Goiás. "Ao contrário dos demais ministros da área econômica, Iris sempre teve alguma boa notícia para anunciar no seu pedaço de governo." Em entrevistas à imprensa na semana passada, Conti disse que não foi sua intenção insinuar que seu ex-colega José Roberto Guzzo tenha aceitado uma oferta semelhante àquela feita a Augusto Nunes. Ele apenas descobriu em sua pesquisa com o material de imprensa da época que a frase exigida por Almeida consta de reportagens de VEJA.

 

A propósito...

Como editor de VEJA há mais de trinta anos, estou acostumado a lidar com investigações, insinuações, acusações e contra-acusações. O que considero essencial enfatizar neste momento é o seguinte:
 
Como qualquer pessoa de boa-fé já sabe, VEJA nunca vendeu e nunca venderá uma única palavra de seu conteúdo editorial. A separação absoluta entre o jornalismo e os interesses comerciais de todas as nossas revistas é um dos "mandamentos" da Abril, que vem sendo observado com rigor e orgulho por milhares de jornalistas e publicitários da Editora ao longo de meio século.

 

O corolário disso é que também não publicamos nada para agradar ao governo, afagar anunciantes ou beneficiar amigos. Nosso primeiro e único objetivo editorial é atender aos interesses de nossos leitores com informação bem apurada, bem verificada e bem apresentada.

Evidentemente, somos falíveis. É inevitável que – apesar de todos os esforços em contrário – erremos ocasionalmente. Mas nunca de propósito, e sempre dispostos a reconhecer e retificar nossos erros quanto antes. Pois a intenção permanente de VEJA e de todas as demais publicações da Abril é separar o joio do trigo, analisar e verificar os fatos que apuramos, e – no limite de nossas possibilidades – publicar a verdade. Sem medo e sem favor. Sempre.
 
Roberto Civita