Cadê
o manche?
Novo
avião da ponte aérea é pilotado com
a
ajuda
de um joystick, igual ao do viodegame
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O
joystick, destacado
à
direita : sinais eletrônicos
são enviados a
sete computadores
de bordo
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Um
detalhe na cabine de comando do Airbus A-319, o mais
novo jato incorporado à ponte aérea entre
São Paulo e Rio de Janeiro, indica que ele é
muito diferente dos outros jatos em operação
no país. O avião não tem manche,
aquele instrumento de comando no formato da letra U
por meio do qual o piloto controla a direção
e os movimentos de decolagem e pouso do aparelho. Em
seu lugar, há um joystick igual ao dos videogames.
Parece um detalhe sem importância, mas, na verdade,
é a ponta aparente de um dos mais significativos
avanços já introduzidos nos jatos de passageiros.
Nos aviões mais antigos, o manche é ligado
a um sistema de cabos de aço conectados diretamente
às partes que orientam os movimentos. No A-319,
o comando do joystick é transmitido por sinais
eletrônicos a sete computadores de bordo. Cada
um deles é responsável por uma das partes
do avião.
Se
um desses computadores falhar, outro assume sua função.
Caso todos os computadores entrem em pane o que
até hoje só aconteceu em simulações
, o piloto toma para si o controle do avião
por um sistema de cabos de aço igual ao dos aviões
convencionais. Conhecido como fly-by-wire,
esse sistema é o mesmo utilizado pelos ônibus
espaciais americanos. "Se o piloto der alguma ordem errada,
os computadores impedirão que o avião lhe
obedeça", diz o empresário Rolim Adolfo
Amaro, presidente da TAM, a empresa brasileira que opera
o A-319.
Esse avião, que já está incorporado
às frotas da alemã Lufthansa, da inglesa
British Airways, da americana Northwest e de dezenas de
outras companhias, é um dos responsáveis
pelo sucesso que a Airbus vem obtendo nos últimos
anos em sua competição contra a Boeing.
Com capacidade para 122 passageiros, os cinco A-319 que
já estão voando no Brasil fazem parte de
um total de 38 encomendados pela TAM. (Entre eles, há
cinco modelos A330-200 que serão destinados às
rotas internacionais da companhia.) A intenção
da companhia é utilizar esse avião em suas
rotas domésticas mais movimentadas (e rentáveis)
no lugar dos atuais Fokker 100. Dos 25 vôos de ida
e volta que a companhia realiza todos os dias na ponte
aérea entre São Paulo e o Rio de Janeiro,
24 já são feitos com as novas aeronaves.
Alguns anos atrás, a TAM era considerada a melhor
alternativa ao grupo formado pela Varig, Vasp e Transbrasil
para exploração conjunta da ponte. Com o
fim dessa associação, em junho do ano passado,
as concorrentes se tornaram muito mais agressivas do que
no tempo em que agiam em conjunto. Além disso,
o Boeing 737-500, utilizado pela Varig e por sua subsidiária,
a Rio-Sul, nessa e em outras rotas movimentadas, passou
a ser visto pelos passageiros como um avião muito
mais seguro e confortável do que o Fokker 100.
Com o Airbus, a TAM tenta recuperar o terreno perdido.