Os médicos sabem há tempos que uma bebidinha ajuda
a reduzir os riscos de doenças cardíacas. Mas só agora
se descobriu a dose certa de álcool. Depois de acompanhar
21.000 homens saudáveis, com idade entre 40 e 84 anos,
pesquisadores da faculdade de medicina de Harvard concluíram
que o consumo de 30 gramas de álcool (o equivalente
a duas taças de vinho, duas latinhas de cerveja ou duas
doses de uísque), de cinco a seis vezes por semana,
reduz em 79% os riscos de infarto. O resultado foi publicado
na última edição da revista Circulation, da Sociedade
Americana de Cardiologia. Entusiasmados com os resultados,
os médicos investigaram também os efeitos sobre o cérebro.
Tintim! Um drinque semanal diminui em 21% o perigo de
isquemia cerebral, a suspensão da irrigação sanguínea
no cérebro. "Se usado com bom senso, o álcool pode ser
considerado um remédio", atesta o cardiologista carioca
José Geraldo de Castro Amino.
Sem moderação, o álcool é um perigo. Além de diminuir
a proteção ao coração (veja quadro abaixo), aumenta
os riscos de hipertensão, complicações de diabetes e
problemas hepáticos. "Além, é óbvio, de poder levar
ao alcoolismo", adverte o epidemiologista gaúcho Aloyzio
Achutti. Por isso, os médicos não se sentem à vontade
em receitar bebidas alcoólicas contra os males cardíacos.
Não fosse o risco de a receita descambar para o abuso,
o álcool estaria no rol dos recursos mais indicados
na prevenção das doenças cardiovasculares, que mata
300.000 pessoas por ano no Brasil. Além do álcool em
si, as bebidas alcoólicas contêm os flavonóides, proteína
encontrada em grãos, lêvedos e frutas, sobretudo na
casca de uva – daí o vinho ser o mais indicado na prevenção
do infarto. Essa substância evita a formação de placas
de gordura pelo LDL, o colesterol ruim. Depositadas
nas paredes das artérias, as placas gordurosas dificultam
a irrigação sanguínea do coração. Tem mais. O álcool
incentiva a produção de HDL, o colesterol bom, que impede
a formação e o acúmulo de LDL nas artérias coronárias.
Um santo remédio, desde que os goles sejam parcimoniosos.
Foto: Jorge Butsuen