Edição 1 626 - 1/12/1999

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Viagem de volta

Novo tratamento químico recupera dependentes
de heroína livrando-os da crise de abstinência

Cristine Prestes

O brasileiro André Waismann,
criador da nova técnica: 8 000 pacientes

Poucas drogas produzem um efeito tão devastador no organismo quanto a heroína. Derivada da papoula, da qual também se originam o ópio e a morfina, a heroína provoca alucinações e uma sensação de torpor no dependente. Com o uso, a droga interrompe a produção da endorfina, a substância que o corpo produz para controlar a dor e proporcionar prazer. Quando o dependente tenta interromper o vício, entra em desespero. Durante a crise de abstinência, ele sente dores tão fortes que não consegue realizar atos corriqueiros, como dormir, trocar de roupa ou tomar banho. O processo é tão doloroso que freqüentemente a pessoa chora e rola no chão de tanta dor. O coração dispara e o dependente corre o risco de ter um colapso. O organismo não consegue mais regular a temperatura e a pessoa passa a suar muito ou ter calafrios. A única forma de amenizar esses sintomas é o uso da heroína novamente. É um pesadelo do qual menos da metade dos viciados consegue se livrar pelos tratamentos tradicionais. Nos últimos anos, um método criado pelo neurocirurgião carioca André Waismann, radicado em Israel desde 1982, tem devolvido esperança a quem quer largar o vício ou tem um parente dependente.

Chamado de neurorregulação, o tratamento é inovador porque compensa a crise de abstinência retomando a produção da endorfina. Mais de 8.000 pessoas passaram pela técnica em Israel, nos Estados Unidos e na Holanda. A terapia demora dez meses e custa em torno de 15.000 reais. O trabalho de Waismann ficou conhecido em 1997, quando ele conseguiu livrar do vício um menino de 6 anos e meio que se tornou dependente de morfina (da mesma família da heroína) após uma cirurgia em que a droga foi utilizada. O garoto viveu cinco anos e meio com crises de abstinência a cada vez que suspendiam o uso da droga. O caso do menino salvo por Waismann virou tese de congresso científico e tema de um dos episódios do seriado americano Plantão Médico. Os resultados obtidos pelo especialista são extremamente animadores num campo da ciência que ainda está engatinhando – o das pesquisas sobre tratamento de viciados. Infelizmente, a técnica não pode ser transferida para a recuperação de outros tipos de dependência, como de cocaína ou de crack. Nesses casos, o vício não é predominantemente químico, como a heroína, mas psíquico.

 


Cido