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Mulher nota 10
A brasileira
Tita Tavares coloca o país
na lista dos melhores do surfe mundial
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Sean Daney

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Talento
no mar: a
revelação
que nasceu
numa
favela já
é a quarta do
ranking
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A temporada
internacional de surfe se encerra na próxima semana
com uma boa notícia para os 2 milhões de praticantes
brasileiros do esporte. A cearense Maria Tavares, 24 anos,
e o carioca Victor Ribas, 28, antes do término da
etapa final do Havaí, previsto para o dia 8 de dezembro,
sustentam o quarto lugar nos rankings feminino e masculino
da WCT, a primeira divisão do surfe profissional
mundial. É a melhor posição já
ocupada por brasileiros no circuito. Outras conquistas confirmaram
a boa fase do país nas ondas. A mais prestigiada
prova do ano, a de Huntington Beach, na Califórnia,
foi vencida pelo catarinense Neco Padaratz. E a segunda
divisão mundial da categoria, a WQS, acabou na semana
retrasada com seis surfistas nacionais entre as dez primeiras
posições. "É uma geração
excepcional, que pode desbancar os australianos e americanos",
afirma Romulo Fonseca, técnico das principais estrelas
brasileiras da prancha.
As maiores
esperanças de vitória estão concentradas
hoje na cearense Maria Tavares. Tita, como é conhecida,
nasceu numa família de pescadores, passou a infância
na favela do Titanzinho, em Fortaleza, e aprendeu a pegar
ondas equilibrando-se em cima de uma tábua. Mesmo
sendo baixinha (1,50 metro) e leve (42 quilos), Tita desenvolveu
um estilo de surfe bastante parecido com o masculino,
com manobras rápidas e radicais. Hoje, após
três anos no circuito profissional, a atleta recebe
um salário de 5.000
reais mensais da Maresia, uma marca de surfwear cearense,
e faturou 36.000
dólares em prêmios neste ano. Ela realizou
a façanha de ser a primeira mulher em vinte anos
de disputas do circuito feminino a receber uma nota 10
ou seja, atingiu a perfeição sobre
as ondas.
Os brasileiros
têm um estilo de surfe versátil, mas sofrem
quando enfrentam ondas maiores, como as do Havaí.
"Vamos passar também por esse desafio", conta Victor
Ribas, que terminou a temporada de 1998 num modesto 37º
lugar no ranking da WCT. Com um novo treinador, ele deu
a volta por cima e conquistou a inédita quarta
posição. Outra esperança da torcida
é Neco Padaratz, considerado um dos mais talentosos
surfistas brasileiros no começo da década
de 90. Ele esteve afastado dois anos das competições
por causa de uma gastrite e retornou em boa forma nesta
temporada. Classificou-se em 9º lugar no ranking
da segunda divisão, o que lhe dá o direito
de disputar a categoria principal no próximo ano.
"O título mundial para um brasileiro é só
uma questão de tempo", afirma o treinador Romulo
Fonseca.
Campeões
da temporada
Os atletas nacionais
que obtiveram os resultados mais expressivos do
ano
Antonio
Milena

Popó: campeão mundial
de boxe nos
superpenas
Claudio Rossi

Maurren: a melhor
do ano no salto
em distância
Claudinei Quirino: campeão
do Grand Prix
de atletismo
Guga: saltou da 23ª
para a 3ª posição no
ranking do tênis
Fotos: Antonio Milena e Claudio
Rossi
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