Edição 1 626 - 1º/12/1999

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Lua de fogo

Novas imagens de Io lembram
a Terra há bilhões de anos

Nasa
Vulcão Pele: cercado
de enxofre


A
passagem da sonda americana Galileo sobre Io, uma das dezesseis luas de Júpiter, acabou se transformando numa viagem através do tempo. Os cientistas da Nasa, a agência espacial americana, que recebiam os dados enviados pela nave puderam ver ao vivo um cenário quase idêntico ao que existia na Terra há 2 bilhões de anos. Io é quase do tamanho da Lua terrestre e abriga cerca de 100 vulcões ativos, como a Terra no início da era pré-cambriana. As novas imagens transmitidas pela sonda revelaram detalhes precisos de lagos e rios de lava com dezenas de quilômetros de extensão. Em uma delas aparece um anel de enxofre de 1.300 quilômetros de diâmetro em torno do vulcão Pele, com a lava emergindo da cratera.

"Viajar a Io é o mais próximo que se pode chegar de uma visita à Terra primitiva", diz Torrence Johnson, um dos encarregados da missão. Além dos especialistas em física planetária da Nasa, as observações feitas pela Galileo estão sendo acompanhadas com crescente interesse pelos estudiosos de vulcanismo terrestre. Eles vão tentar usar os dados coletados pela sonda para conferir os modelos de previsão da atividade vulcânica por aqui. Io é o único lugar do sistema solar onde os vulcões ainda cospem enormes quantidades de lava, semelhante ao que ocorria na Terra há mais de 15 milhões de anos. A lava expelida na lua de Júpiter chega a 1.500 graus Celsius, temperatura cerca de 300 graus mais alta que em nosso planeta.