Demorou,
mas finalmente aconteceu. O clube de países capazes
de enviar homens ao espaço está prestes a
ganhar seu terceiro sócio, além dos Estados
Unidos e da Rússia. Na manhã do último
dia 20, a China mostrou suas credenciais com o lançamento,
da base de Jiuquan, no noroeste do país, de uma espaçonave
batizada com o nome mítico de Shenzhou, ou Nave Divina.
Mesmo sem ter tripulantes a bordo, o vôo foi um sucesso.
O Shenzhou passou 21 horas no espaço e deu catorze
voltas em torno da Terra. A cápsula pousou intacta
na Mongólia com o auxílio de pára-quedas
especiais. De acordo com técnicos americanos, é
bem possível que os primeiros astronautas chineses
possam voar dentro de dois anos. O lançamento criou
uma onda de euforia na população, similar
à que ocorreu nos primeiros vôos tripulados
da União Soviética, há 38 anos.
Não
é a única semelhança com o antigo programa
espacial soviético. A exemplo do que faziam os caciques
vermelhos, só se soube do lançamento depois
do sucesso assegurado. Os chineses mantêm total segredo
em torno do Shenzhou. Ele parece ser uma versão maior
e aprimorada do Longa Marcha, o foguete usado para lançamento
de satélites. Este, por sua vez, é uma cópia
do míssil balístico chinês que carrega
ogivas nucleares. Especialistas em astronáutica dos
Estados Unidos, contudo, notaram que o projeto é
muito semelhante ao do Soyuz russo. Alguns deles sugeriram
que os chineses receberam ajuda de empresas russas no desenvolvimento
do foguete. A cápsula, com capacidade para três
astronautas, é própria para a acoplagem a
módulos orbitais ou mesmo a uma estação
espacial. Até que o primeiro astronauta voe, o Shenzhou
servirá de arma de marketing da China. Pequim espera
fortalecer sua posição no mercado mundial
de lançadores de satélites. Em três
anos, os chineses já mandaram para o espaço
mais de vinte satélites com foguetes Longa Marcha.
Entre eles estavam o Satélite Sino-Brasileiro de
Recursos Terrestres, CBERS, e o malfadado Saci-1, aquele
que não funciona direito, colocados em órbita
há pouco mais de um mês.