A
equipe de Armínio Fraga, presidente do Banco
Central, sofreu uma baixa na semana passada. Saiu do
time, demitido por Armínio, o diretor de fiscalização
do BC, Luiz Carlos Alvarez, funcionário de carreira
do banco há 28 anos e ocupante do cargo há
dez meses. Alvarez caiu por criticar o relatório
da CPI dos bancos. O relatório dos senadores
saiu na última quinta-feira e desagradou a Alvarez,
que o qualificou de "lixo" numa entrevista coletiva
concedida à imprensa no prédio do BC,
na manhã da sexta-feira. Alvarez também
disse que, se um de seus subordinados lhe tivesse apresentado
um relatório daquela qualidade, teria sido demitido.
Assim que soube da entrevista, Armínio Fraga
ligou para o ministro da Casa Civil, Pedro Parente,
que comunicou o caso ao presidente Fernando Henrique
e ao ministro da Fazenda, Pedro Malan. Antes de Alvarez
terminar a entrevista já estava demitido.
O que
irritou Alvarez foi um detalhe do relatório referente
ao Proer, o programa de reestruturacão de bancos
quebrados ocorrido entre 1995 e 1997. O governo financiou
os compradores com 22 bilhões de reais. Além
disso, ficou com bens desses bancos e com um prejuízo
de 12,9 bilhões de reais. Esse buraco está
sendo coberto aos poucos com a venda de títulos
e propriedades das instituições que quebraram.
Quando tudo for liquidado é que se saberá
se o Tesouro nacional terá de entregar dinheiro
para fechar as contas do BC. O processo poderá
demorar ainda alguns anos. No relatório sobre
o sistema financeiro, os senadores concluíram
que o governo não revelou esse rombo claramente,
resumindo o assunto numa nota de rodapé na papelada
que enviou ao Congresso. Assim, sugerem que poderia
ter acontecido um truque esperto do BC. O certo é
que tirar esse dinheiro do espólio desses bancos
quebrados não será suficiente para cobrir
o rombo de 12,9 bilhões de reais. Quem pagará
a conta será o seu, o meu, o nosso dinheiro,
como disse uma vez o próprio Armínio Fraga.