Edição 1 626 - 1º/12/1999

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Banco Central

Sem incêndio

Demissão de diretor do BC
evita atrito com Congresso

Leandra Peres

A equipe de Armínio Fraga, presidente do Banco Central, sofreu uma baixa na semana passada. Saiu do time, demitido por Armínio, o diretor de fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, funcionário de carreira do banco há 28 anos e ocupante do cargo há dez meses. Alvarez caiu por criticar o relatório da CPI dos bancos. O relatório dos senadores saiu na última quinta-feira e desagradou a Alvarez, que o qualificou de "lixo" numa entrevista coletiva concedida à imprensa no prédio do BC, na manhã da sexta-feira. Alvarez também disse que, se um de seus subordinados lhe tivesse apresentado um relatório daquela qualidade, teria sido demitido. Assim que soube da entrevista, Armínio Fraga ligou para o ministro da Casa Civil, Pedro Parente, que comunicou o caso ao presidente Fernando Henrique e ao ministro da Fazenda, Pedro Malan. Antes de Alvarez terminar a entrevista já estava demitido.

O que irritou Alvarez foi um detalhe do relatório referente ao Proer, o programa de reestruturacão de bancos quebrados ocorrido entre 1995 e 1997. O governo financiou os compradores com 22 bilhões de reais. Além disso, ficou com bens desses bancos e com um prejuízo de 12,9 bilhões de reais. Esse buraco está sendo coberto aos poucos com a venda de títulos e propriedades das instituições que quebraram. Quando tudo for liquidado é que se saberá se o Tesouro nacional terá de entregar dinheiro para fechar as contas do BC. O processo poderá demorar ainda alguns anos. No relatório sobre o sistema financeiro, os senadores concluíram que o governo não revelou esse rombo claramente, resumindo o assunto numa nota de rodapé na papelada que enviou ao Congresso. Assim, sugerem que poderia ter acontecido um truque esperto do BC. O certo é que tirar esse dinheiro do espólio desses bancos quebrados não será suficiente para cobrir o rombo de 12,9 bilhões de reais. Quem pagará a conta será o seu, o meu, o nosso dinheiro, como disse uma vez o próprio Armínio Fraga.