Edição 1 626 -1º/12/1999

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OS ARQUIVOS DE DENISE


As autoridades brasileiras gostam de iniciar investigações, mas o trabalho muitas vezes é desperdiçado. A CPI do Narcotráfico poderia andar a passos mais largos se visitasse os arquivos da ex-juíza Denise Frossard. Seis anos atrás, Denise comprovou a ligação do tráfico com o jogo do bicho carioca, decretou prisões e atingiu o alto comando do banditismo no Rio de Janeiro. O seu trabalho produziu dezenas de volumes mostrando como o crime organizado agia no Estado. Mas esse material está mofando nas prateleiras da Justiça carioca.


1 MILHÃO POR MÊS? SÓ?
Quando virou mania nacional no começo do ano, a modelo Suzana Alves, a Tiazinha, ouviu de seus empresários uma estimativa fabulosa. Segundo eles, apenas com a venda dos 150 produtos que levam seu nome ela embolsaria mais de 2 milhões de reais por mês. Agora, feitas as contas, seu lucro com a venda de bonecas e lingeries não chega à metade disso. Esse pequeno erro de cálculo teria sido conseqüência do período em que a modelo ficou afastada da televisão. Neste tempo, ela preparava seu novo programa As Aventuras de Tiazinha.

 

FORA DO RELATÓRIO

O ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira anda respirando mais aliviado desde que a CPI do Judiciário divulgou seu relatório, há duas semanas. Eduardo Jorge estava na mira da CPI quando se descobriu que ele mantinha um canal de ligação com o juiz Nicolau dos Santos Neto, acusado de ter desviado 169 milhões de reais durante a construção do prédio do Tribunal Regional do Trabalho, TRT, em São Paulo. No relatório da CPI, um calhamaço de 359 páginas que não poupa o juiz Nicolau-lau-lau, o ex-braço direito de FHC não é sequer citado.

 

ALVO ERRADO

O ministro da Justiça, José Carlos Dias, sentiu na pele a dificuldade de combater o contrabando de armas no Brasil. No mês passado, ele anunciou que estaria proibindo a exportação de revólveres para o Paraguai, certo de que as armas voltavam ao país por intermédio de contrabandistas e caíam nas mãos de bandidos. O raciocínio do ministro seria perfeito, não fosse a dimensão do negócio. Antecipando-se à medida, a Taurus, uma das maiores fabricantes do país, anunciou que vai cancelar todas as suas vendas para o Paraguai. Todas as 470 armas que o vizinho compra anualmente.

Fotos: Roberto Jayme, Antonio Milena, Ana Araujo


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